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Queloide ou cicatriz hipertrófica?


Autor: Raimundo Renato da Silva Neto | Publicado em: 22/03/2017

Queloide ou cicatriz hipertrófica?

O queloide, cicatriz espessa e elevada que ocorre exclusivamente em humanos, se estende lateralmente em relação às margens iniciais da lesão. 

É caracterizado, primariamente, pela hiperprodução de fibras colágenas e, secundariamente, pela hiperplasia de fibroblastos. Apresenta coloração variável e crescimento contínuo ou intermitente. Não apresenta regressão espontânea e possui tendência a recidiva após sua ressecção. A cicatriz hipertrófica é fre­­­quentemente confundida com o queloide; contudo, a cicatriz hipertófica não ultrapassa a direção da ferida inicial, apresenta tendência a regressão e tem melhor prognóstico após a ressecção.

É crescente o consenso de considerar queloide e cicatriz hipertrófica expressões fenotípicas, de diferentes intensida­des, de um mesmo distúrbio fibropatogênico. Por isso, são denominadas em conjunto de cicatrizes fibroproliferativas. Assim, em virtude da dificuldade de classificar as cicatrizes fibroproliferativas pelo seu aspecto morfológico em alguns casos, Muir classificou-as conforme o prognóstico. São 3 categorias: cicatriz tipo hipertrófica (Short-term Evolution, STE), que tem correspondência clínica com a cicatriz hipertrófica, sendo mais plana e com melhor prognóstico; cicatriz tipo queloide (Long-term Evolution, LTE), que corresponde ao queloide, é nodular e apresenta pior prognóstico; e cicatriz tipo mista (Intermediate Group, IG), representada pelo queloide da região deltoide e escapular, que é plano, mas com pior prognóstico, e pelo queloide de orelha, que é nodular, mas com melhor prognóstico.

O queloide e as cicatrizes hipertróficas são mais frequentes em indivíduos de pele mais escura. 

Contudo, a atual miscigenação dificulta o enquadramento dos pa­­­cientes de variadas tonalidades em classificações morfo­­lógicase estáticas. Dessa forma, embora não haja consen­­­­­­­so quanto à classificação, existem várias denominações às diversas tonalidades de pele, como branco/caucasoide,mulato, pardo, hispânico/latino, amarelo/oriental/mongoloide e negro/negroide, além de outras de caráter regional.Todavia, a classificação de pele em foto tipos de Fitzpatrick leva em consideração tanto características fenotípicas como dados relatados pelo próprio paciente referentes aos efeitos causados pela exposição solar em sua pele, possuindo caráter funcional e dinâmico. Assim sendo,uma relação entre as cicatrizes fibroproliferativas e osfototipos de Fitzpatrick seria mais fidedigna para estudos de frequência dessas cicatrizes, e poderia contribuir para o maior entendimento da fisiopatologia das cicatrizes fi­­­broproliferativas.


REFERÊNCIAS

1. Hochman B, Vilas Bôas FC, Mariano M, Ferreira LM. Keloid heterograft in the hamster (Mesocricetus auratus) cheek pouch, Brazil. Acta Cir
Bras. 2005;20(3):200-12.
2. Olabanji JK, Onayemi O, Olasode OA, Lawai OAR. Keloids: an old problem still searching for a solution. Surg Practice. 2005;9:2-7.
3. O’Sullivan ST, O’Shaughnessy M, O’Connor TP. Aetiology and management of hypertrophic scars and keloids. Ann R Coll Surg Engl. 1996;78(3 Pt 1):168-75.

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