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Não há como imaginar um hospital  sem a presença do enfermeiro

Autor: Sou Enfermagem Em: 08/07/2019

Não há como imaginar um hospital sem a presença do enfermeiro

A relevância do enfermeiro no contexto hospitalar foi enfatizada nas concepções dos profissionais da saúde. 

Enquanto alguns multiplicam as concepções de cuidado, outros expressam a capacidade administrativa do enfermeiro em lidar com a complexa rede que envolve a assistência ao paciente. 

As falas demonstram que:

A atuação do enfermeiro é de vital importância nos hospitais. Não há como imaginar um hospital sem a presença do enfermeiro, tanto no que se refere ao cuidado com os pacientes, como em todos os procedimentos que são de sua responsabilidade. O enfermeiro tem capacidade de gerenciamento e de desenvolvimento contínuo.

Em algumas instâncias a prática do enfermeiro parece configurar um “faz-tudo”, visto que os enfermeiros se envolvem com atividades que vão desde orientação da limpeza, controle de roupas e conservação dos utensílios até as atividades identificadas como complementares ao ato médico. Em outras palavras, o enfermeiro exerce múltiplas atividades, mas termina por descuidar da sua função prioritária, que é o cuidado ao paciente. 

O envolvimento do enfermeiro foi considerado complexo pelos sujeitos da pesquisa, pelo fato de relacionar-se à assistência, à gerência e às questões burocráticas ao mesmo tempo. Nas instituições hospitalares a atuação do enfermeiro é muito complexa. Ao mesmo tempo em que precisa prestar assistência direta ao paciente, precisa dominar questões burocráticas e administrativas. Apesar de ser também um aspecto importante entendo que este, de certa forma, interfere no desempenho desse profissional dispensado ao paciente.

Tal relato confirma a estrutura organizacional burocratizada, em que a função do enfermeiro está centrada na administração do serviço, por exemplo, nos aspectos que dizem respeito aos recursos humanos, físicos e materiais. 

Nesse contexto, o enfermeiro é “visto como centralizador do poder decisório e fiscalizador do processo assistencial”. Mas, ao mesclar no seu cotidiano atividades de gerenciamento do serviço e do cuidado distancia-se do paciente, pois não consegue acompanhar e avaliar a execução do cuidado planejado.

É comum os profissionais de enfermagem cuidarem de determinada maneira para atender às normas, regras e pressões institucionais, as quais, por vezes, são contrárias à forma como eles desejariam fazê-lo. Mesmo que o papel do enfermeiro seja entendido e reconhecido como relevante pelos profissionais da saúde, é preciso que ele se conscientize da sua função central, ou seja, do seu papel essencial ante as necessidades do paciente, da família e da sua equipe, visto que atribuições secundárias podem ser conferidas, sem maiores problemas, a técnicos da área.

O enfermeiro líder da equipe

Em um cenário de crescentes e profundas mudanças gerenciais e de novos referenciais do sistema de gestão de recursos humanos, o enfermeiro deve posicionar-se de forma aberta e sensível para acompanhar a evolução e adequar-se a novos desafios organizacionais, administrativos e assistenciais.

É preciso que o enfermeiro tenha conhecimento e capacidade estratégica para envolver e comprometer criativamente a equipe a partir de metodologias participativas e
reflexivas, capazes de problematizar a realidade concreta na organização dos serviços com competência técnica e humana. A partir desse ponto o enfermeiro será capaz de traçar e desenvolver, no campo do cuidado, ações inovadoras e comprometidas com o ser humano enquanto sujeito e agente de mudança.

Com facilidade os informantes identificaram a liderança do enfermeiro na equipe, destacando o desenvolvimento participativo e dinâmico enquanto modelo de gestão.
No meu ponto de vista, noto que a atuação do enfermeiro na equipe é bem dinâmica e participativa, percebo que há coesão entre os mesmos.

[...] por ser parceiro da equipe
[...] por estimular a integração e o espírito de equipe

Considero indispensável a liderança e a integração do enfermeiro com os demais profissionais. Não adianta ser somente bom técnico. O respeito pelo ser humano é a alma do negócio. É por meio da liderança que o enfermeiro procura conciliar os objetivos organizacionais com os objetivos da equipe de enfermagem, buscando o aprimoramento da prática profissional e principalmente o alcance de uma prática de enfermagem efetiva e integradora, cuja finalidade é a qualidade do cuidado. O enfermeiro é, portanto, caracterizado como elemento facilitador do trabalho da equipe. No entender dos profissionais da saúde, ainda devem ser considerados elementos como a visão do todo, o reconhecimento da importância da função de cada profissional, a empatia e a solidariedade. Ao associar esses aspectos ao fato de que o processo de trabalho acontece em uma rede cujos componentes se alimentam reciprocamente, é preciso que o cuidado aconteça de forma a integrar as diferentes dimensões, ou seja, na perspectiva da
integralidade.

Pergunta-se, não obstante: o produto esperado é o mesmo para todos os profissionais que participam do processo do trabalho em saúde? Este produto tem o mesmo significado para todos os profissionais que auxiliam na sua construção? Esse produto – que deveria ser o usuário recuperado e cuidado de forma humanizada – ainda não é comum a todos, e a satisfação de suas necessidades ainda vem parcelada e alinhada com a satisfação dos profissionais que atuam no cuidado e com o cumprimento de aspectos organizacionais, chegando os interesses, em alguns momentos, a ser antagônicos(10). É de fundamental importância, que os enfermeiros responsáveis pelos processos gerenciais tenham sensibilidade para captar as necessidades emergentes, habilidade para empreender e estimular ações inovadoras e flexibilidade para se adaptar às diferentes situações que se apresentam nas relações e interações do dia-a-dia das organizações do cuidado.


O enfermeiro elemento de ligação

A atuação do enfermeiro na equipe multiprofissional de saúde parece ser o elemento de ligação entre a direção, os funcionários e os pacientes, além de ele ter se mostrado como o profissional que mais valoriza o saber interdisciplinar.

Creio que esse é um processo novo na prática e considero que os enfermeiros conseguem compartilhar facilidades e dificuldades com os outros profissionais da área da saúde. Diria ainda que essa seja uma categoria que tem valorizado muito o trabalho multiprofissional, pois tem se permitido aprender que o cliente/paciente traz consigo não só o fator doença, mas também fatores de ordem social e psicológica que interferem, e muito, na sua recuperação.

Percebendo isso, o enfermeiro busca integrar-se com outros profissionais visando também trabalhar a fragilidade do paciente e familiar (p2). Considero indispensável que tenhamos comprometimento com a causa da saúde e acima de tudo respeito para com todas as categorias, para dar maior visibilidade ao nosso trabalho (p1).

O enfermeiro desempenha importante função na construção coletiva do cuidado, por ser capaz de articular e interagir amplamente com todos os profissionais, e não raramente, coordenar o processo de trabalho em saúde. Não é raro também ser ele o ponto de convergência e distribuição de informações para o usuário, para a grande maioria dos  profissionais, assim como para os diferentes serviços que fazem parte do universo hospitalar.

Este ponto de vista encontra apoio em autores(14) que abordam a função administrativa do enfermeiro no contexto hospitalar, segundo os quais a atuação do enfermeiro está
basicamente centrada nas questões burocráticas e organizacionais, com vistas a facilitar o trabalho dos outros profissionais. Em outras palavras, a atuação do enfermeiro está fortemente associada à idéia de fazer de tudo um pouco, distanciandose com isso da sua função principal, que é a assistência ao paciente a partir das suas
necessidades específicas.

A construção do saber interdisciplinar deve ser estimulada continuamente pelos profissionais de saúde. O velho modelo burocrático e fragmentado ainda resiste tenazmente na profissão de enfermagem, enquanto novas formas de conhecimento são divulgadas e testadas. Para viabilizar as discussões, o enfermeiro necessita atuar de forma efetiva e integradora, de modo a intermediar a transformação do modo assistencial e gerencial(19). Logo, além do aprimoramento estritamente técnico, ele necessita desenvolver competências pessoais e interpessoais, a fim de facilitar o dinamismo organizacional e profissional e a construção do saber interdisciplinar.

Sendo assim, urge a necessidade de buscar novos saberes e novas práticas em diferentes áreas do conhecimento para desmistificar os velhos modelos burocráticos e fortalecer a rede de conexões\interconexões necessárias para o cuidado humano, que se apresenta amplo, dinâmico, multifacetado e complexo.

O fazer do enfermeiro

A atuação do enfermeiro ainda tem fortes raízes nas práticas do saber tradicional, isto é, do saber linear mais voltado para um fazer técnico e burocratizado do que propriamente pautado por práticas inovadoras capazes de dar visibilidade às ações de enfermagem. O enfermeiro tem seu
papel colocado de forma ainda pouco específica. 

As competências destacadas pelos informantes como privativas do enfermeiro não seguem uma ordem linear nem cronológica. Sob este enfoque, não se destaca uma categoria central, mas a multiplicidade de compreensões que refletem, em última análise, o ser e fazer da enfermagem nos microespaços do cotidiano.
As competências do enfermeiro destacadas com maior ênfase pelos profissionais da saúde foram: orientação técnica e supervisão da equipe; atuação em técnicas de enfermagem de maior complexidade; coordenação das atividades burocráticas sob a sua responsabilidade; vínculo entre o médico e o paciente; a liderança e próatividade
do enfermeiro; as competências técnicas; a coordenação e assistência; o enfermeiro como porta voz do setor; a visita aos pacientes; o enfermeiro representando o elo entre
a equipe e a família; a realização de relatórios e treinamentos; coordenação e distribuição de medicamentos; controle de materiais utilizados para o atendimento de urgência e emergência, entre outras.

Eu percebo que o enfermeiro supervisiona a equipe de enfermagem, coordena as atividades e executa as atividades de enfermagem de maior complexidade.

O enfermeiro tem múltiplas atividades [...] A enfermeira coordena, supervisiona, controla, presta assistência direta ao paciente e constitui o elo de ligação entre a equipe e família (p7). Os resultados que dizem respeito às competências privativas do enfermeiro demonstram, em parte, a invisibilidade da real função do enfermeiro nas práticas de saúde. A visibilidade do enfermeiro ainda possui uma forte ligação com execução de atividades burocráticas e, por isso suas atividades são associadas e/ou confundidas, com freqüência, com o fazer do técnico e auxiliar de enfermagem.

Além do fazer e/ou executar rotineiro, é preciso que o enfermeiro reflita sobre a sua prática profissional, para que esta não se torne uma ação mecanizada, desprovida de vida e sentido. O fazer pelo fazer desmotiva e desestimula e, com o tempo, favorece o comodismo e a acomodação profissional.

REFERÊNCIAS

1. Backes DS, Backes MTS, Schwartz E. Implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem: desafios e conquistas do ponto de vista gerencial. Ciênc Cuid e Saúde. 2005;4 (2):182-85.
2. Erdmann AL, Sousa FGM de, Backes DS et al. Developing an explanatory theoretical model of system of care. Acta paul. enferm. 2007; 20(2):180-85.
3. Erdmann AL. Tendências dos sistemas organizacionais de enfermagem hospitalar: algumas contribuições. Florianópolis: UFSC; 1993. (Apresentado em concurso pra
professora titular – UFSC).
4. Pires DEP. A estrutura objetiva do trabalho em saúde. In: Leopardi MT. Processo de trabalho em saúde: organização e subjetividade. Florianópolis: Papa-Livros; 1999. p. 64-  5. interface entre trabalho e interação [dissertação]. Campinas (SP): Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP; 1998.
6. Gonçalves RBM. Práticas de saúde: processo de trabalho e necessidades. São Paulo: CEFOR; 1992. (Cadernos CEFOR. Textos; 1).
7. Saar SRC. Especificidade do enfermeiro: uma visão multiprofissional. [doutorado]. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto;
2005. 135 p.
8. Almeida MCP, Rocha SMM. Considerações sobre a enfermagem enquanto trabalho. In: Almeida MCP, Rocha SMM. O trabalho de Enfermagem. São Paulo: Cortez;
1997. p. 15-26.
9. Lunardi Filho WD. O Mito da subalternidade do trabalho da enfermagem à medicina. Pelotas: editora e Gráfica Universitária – UFPel, 2000.
10. Rodrigues FCP, Lima MADS. A multiplicidade de atividades realizadas pelo enfermeiro em unidades de internação. Rev Gaúcha Enferm. 2002; 25(3):314-22.
11. Cecilio LCO. A necessidade de saúde como conceito estruturante na luta pela integralidade e eqüidade na atenção. In: Pinheiro R, Mattos RA. O sentido da
integralidade na atenção e no cuidado à saúde. Rio de Janeiro: Abrasco; 2001. p. 113-26.
12. Minayo MCS. Desafio do conhecimento. 5ª ed. São Paulo: Hucitec; 2000.

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