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Ameba que come cérebro pode ser encontrada no Brasil

Ameba que come cérebro pode ser encontrada no Brasil

Naegleria Fowleri é uma ameba de vida livre que pode ser encontrada na água ou solo.

Sendo a única espécie de Naegleria que faz parte de um grupo chamado amebas de vida livre, que pode ser encontrado na natureza, sua família de amebas parasitas tem outras 30 espécies parecidas, mas apenas ela é capaz de infectar humanos, resultando na patologia conhecida como Meningoencefalite Amebiana Primária, conhecida pela sigla MAP. 

É comumente conhecida como "ameba comedora de cérebros". Ela pode invadir e atacar o sistema nervoso humano, embora isso raramente ocorra, tal infecção quase sempre resulta na morte da vítima pois a letalidade é estimada em mais de 97%. Ela está presente no mundo todo, podendo apresentar-se em três formas evolutivas distintas:

  • Cisto, considerada forma de resistência;
  • Flagelada, forma em que se encontra na água, em vida livre;
  • Trofozoíta, encontrada em casos de infecção no homem.

Seus locais de proliferação mais comuns são lagos, rios e piscias sem manutenção apropriada e pobremente clorificadas, além do solo.  A Naegleria é extremamente suscetível às condições do meio, como o pH e a concentração de hipoclorito, elemento utilizado no tratamento da piscina. É um protozoário considerado termofílico e termotolerante, pois, além de ser resistente à temperaturas elevadas, tem certo tropismo por águas quentes e paradas. Estudos de universidades americanas e brasileiras, como do doutor De Jonckheere, encontraram cistos da ameba em diversos locais inesperados, como poeira hospitalar, filtros de aparelhos de ar condicionado e garrafas de água mineral.

O ISID (Sociedade Internacional de Doenças Infecciosas) confirmou fevereiro deste ano a morte de um garoto argentino de 8 anos por uma infecção causada pela ameba “devoradora de cérebro”. Ele teria sido infectado durante um mergulho na lagoa de Mar Chiquita, na província de Junín, a cerca de 320 km da capital Buenos Aires. O menino morreu uma semana depois de apresentar os primeiros sintomas, muito parecidos com meningite: febre, dor de cabeça, vômitos, intolerância à luz e ao barulho. Esse contágio só ocorre quando a água morna entra em contato com o nariz. Do nariz, a ameba sobe até o cérebro e lá se multiplica e se alimenta da matéria cinzenta e dos fluídos cerebrais, ganhando assim seu apelido: ameba devoradora de cérebros e embora pareça ficção, a MAP possui uma taxa de fatalidade de 99%.

 Para Sixto Raúl Costamagna, ex-presidente da Associação Parasitológica Argentina, em entrevista ao Clarin, uma hipótese para a presença da ameba na Argentina é a elevação de temperaturas das águas de todo mundo decorrente do aquecimento global. Uma vez contaminado, escapar com vida é bastante improvável pois seu diagnóstico, é difícil, obtido normalmente somente após morte de paciente.

 A taxa de mortalidade global da ameba é de 97% dos casos de contaminação. A boa notícia é que os casos são muito pouco frequentes (entre 1962 e 2016, foram apenas 143 episódios nos EUA) e ocorrem geralmente no hemisfério norte do planeta (na América do Sul, apenas três casos haviam sido registrado na Venezuela, em 1998).

Mas será que um caso como este pode acontecer no Brasil?

’’ Em pouco tempo, essa ameba causa uma infecção no cérebro e nas membranas que fazem parte do sistema nervoso, o que leva a hemorragias e edemas. Esta doença é chamada de meningoencefalite amebiana primária (MAP) e os primeiros sintomas podem aparecer uma semana depois do contágio. A doença tem um curso muito rápido e pode levar à morte em uma ou duas semanas após a exposição,’’ explica o parasitologista Danilo Ciccone Miguel, do Departamento de Biologia Animal da Unicamp.

Esta infecção pode se desenvolver em pessoas totalmente saudáveis, e, como aconteceu na Argentina, é mais comum em crianças e jovens, justamente porque são os mais jovens que se aventuram em lagos ou córregos desconhecidos.

Segundo a parasitologista Marilise Brittes Rott, do Departamento de Microbiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a meningoencefalite é uma doença extremamente letal. Existem poucos casos no mundo, cerca de 200, mas a grande maioria dos pacientes não conseguiu responder ao tratamento. A professora conta que nos Estados Unidos, dos 129 casos registrados entre 1962 e 2013 apenas 2 pessoas sobreviveram.

O que faz com que a doença seja tão letal é a dificuldade de diagnóstico, feito depois de uma análise do líquido que lubrifica o sistema nervoso central, chamado de líquor. Entre os casos registrados nos Estados Unidos, por exemplo, 75% só foram confirmados depois da morte do paciente.

Mais da metade dos casos registrados no mundo se concentram no Sul dos Estados Unidos. Na América do Sul, já foram registrados dois casos na Venezuela e um na Argentina.

No Brasil, existem diversos tipos de ameba de vida livre, inclusive a Naegleria fowleri.  Apesar disso, a comunidade científica não registra casos de contaminação em humanos.

De acordo com Ciccone Miguel, já foram registrados pelo menos cinco casos de infecção por amebas de vida livre, porém, para apenas um caso confirmou-se que a espécie Naegleria fowleri foi a responsável pela morte do indivíduo. Mesmo assim, este caso ainda é considerado contraditório.

“Essa questão é bastante complexa porque os achados, que datam de uma publicação científica de 1985, afirmam que havia um total de 5 casos de meningoencefalite amebiana primária detectados no Brasil (2 em São Paulo, 2 no Ceará e um no Rio de Janeiro). Porém, para apenas um deles foi confirmada a presença de Naegleria fowleri no cérebro do paciente, depois que ele faleceu”, explica o professor.

O que se pode afirmar com certeza é que em 2009 foi confirmada a morte de um bezerro por meningoencefalite causada pela ameba comedora de cérebro no Estado da Paraíba.

Evitando a contaminação

Esse tipo de ameba vive em águas mais aquecidas e é resistente a altas temperaturas, suportando um aquecimento de até 45º C. Para evitar o contágio, o ideal é não nadar em lagos ou lugares de água parada. Se for fazer, o melhor é proteger o nariz para evitar que a ameba “comedora de cérebro” entre no organismo. Vale ressaltar que uma pessoa infectada não é capaz de transmitir este parasita para outra pessoa.




Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 31/08/2018

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