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Parasitoses Intestinais na Gravidez

Parasitoses Intestinais na Gravidez

A incidência de protozooses e helmintíases intestinais continua alta no Brasil.

A maioria das parasitoses tem transmissão a partir de fezes humanas disseminadas no meio ambiente onde predominam condições precárias de higiene, habitação, alimentação e saneamento básico.

1. Helmintíases:

São infecções ou infestações, sintomáticas ou inaparentes, causadas por vermes que passam a habitar o trato intestinal, geralmente limitando-se a essa localização em sua fase adulta. Na fase larvária, os helmintos podem ser encontrados no tubo digestivo e em outros órgãos, de acordo com seu ciclo biológico e com determinadas circunstâncias (imunodepressão). As helmintíases mais comuns são: ancilostomíase, ascaridíase, enterobíase, estrongiloidíase, himenolepíase, teníase e tricuríase.

Ancilostomíase:

Causada por nematóides da família Ancylostomidae (subfamílias Ancylosminae e Necatorinae). A infecção ocorre por meio do contato com solo contaminado por matéria fecal. As larvas filarióides infectantes penetram no organismo humano através da pele; se ingeridas, podem penetrar pela mucosa.

A infecção pode ser sintomática ou inaparente, na dependência do número de parasitas presentes. As manifestações clínicas são dependentes da etapa de migração do parasita e de seu número. Penetrando através da pele, as larvas infectantes podem causar eritema e prurido locais. Alcançando a corrente sangüínea, chegam aos pulmões onde, pelos capilares, atingem os alvéolos e depois as vias respiratórias superiores. Nessa fase, as larvas podem ser eliminadas pelo escarro ou deglutidas. O trajeto larvário pela árvore respiratória pode provocar sintomas e sinais de bronquite e/ou pneumonia. No aparelho digestivo, os parasitas adultos alojam-se no duodeno e tornam-se responsáveis pelas manifestações locais da doença. Para sua nutrição, sugam sangue da mucosa, determinando lesões mecânicas e espoliação de glóbulos vermelhos. A anemia resultante é do tipo ferropriva, microcítica e hipocrômica. É importante ressaltar que a perda sangüínea inclui proteínas, vitaminas e outras substâncias que, às vezes, necessitam ser repostas. Os sinais e sintomas decorrentes são representados por palidez, cefaléia, mialgias e dor no hipocôndrio direito.

No hemograma, além de anemia, costuma estar presente eosinofilia e no exame parasitológico de fezes pode-se encontrar sangue oculto.

Ascaridíase:

Causada por Ascaris lumbricoides, a transmissão dá-se por intermédio da ingestão de ovos embrionados, por meio de mãos sujas de terra e da ingestão de alimentos contaminados. A infecção pode ser sintomática ou inaparente na dependência da carga parasitária e das condições do hospedeiro. Depois de eclodirem os ovos ingeridos, as larvas atravessam a mucosa do intestino delgado e alcançam a veia porta, passando pelo fígado e chegando nos pulmões. Podem haver manifestações clínicas, síndrome de Loeffler, com tosse, escarro hemoptóico, estertores, febre de pequena intensidade e, eventualmente, sinais de insuficiência respiratória. A regressão espontânea das alterações clínicas verifica-se habitualmente no fim de uma semana. Após cair nos alvéolos e atravessar as vias aéreas superiores, as larvas são deglutidas e chegam ao tubo digestivo, onde se tornam vermes adultos dois a três meses depois.

A sintomatologia clínica na fase adulta relaciona-se, principalmente, com o número de vermes presentes. Dor abdominal em cólica, náuseas e vômitos e meteorismo são os mais comuns. Ocorrem, às vezes, anorexia, palidez e perda de peso. Verifica-se ao leucograma presença de eosinofilia leve a intensa.

Enterobíase:

A enterobíase ou oxiuríase é causada pelo Enterobius vermiculares. A transmissão dá-se, de modo geral, por intermédio da ingestão ou inalação dos ovos infectantes que chegam ao duodeno e evoluem para vermes adultos, e completam seu desenvolvimento no intestino grosso. A ação do verme é, principalmente, de natureza mecânica e irritativa, a sua migração pelo ânus e áreas adjacentes é responsável pelo principal sintoma da enterobíase, o prurido. A partir de sua localização anal, o verme pode migrar para vulva e vagina e, excepcionalmente, alcançar o trato genital superior.

O leucograma costuma apresentar eosinofilia. O diagnóstico etiológico é efetuado pelo exame parasitológico de fezes, empregando-se o método da fita gomada para coleta do material. Outros métodos dão resultado positivo em apenas 5 a 10% dos casos.

Estrongiloidíase:

É causada pelo Strongiloides stercoralis. Usualmente, a infecção ocorre por intermédio da penetração através da pele de larvas filarióides. É possível também a transmissão pela ingestão de água ou vegetais contaminados com larvas. Penetrando na pele, as larvas caem na circulação sangüínea, vão aos pulmões, caem na luz alveolar e chegam às vias aéreas superiores; acabam deglutidas e alcançam a luz intestinal (duodeno e jejuno).

Os sintomas digestivos observados são, quase sempre, proporcionais à intensidade do parasitismo e das condições nutricionais do hospedeiro. Podem ocorrer surtos de diarréia alternados com obstipação e dor abdominal, do tipo contínuo ou em cólica, simulando síndrome ulcerosa. Na fase intestinal do parasitismo, o hemograma apresenta eosinofilia. O diagnóstico é efetuado por intermédio do exame de fezes.

Himenolepíase:

Causada pelo Hymenolepis nana e Hymenolepes diminuta. A infecção tem prevalência moderada em crianças, sendo incomum em adultos. O leucograma apresenta eosinofilia e o diagnóstico etiológico é feito por intermédio do exame parasitológico de fezes.

Teníase:

Causada por platelmintos da classe Cestoidea e família Taeniidae (Taenia solium e Taenia saginata). A ocorrência de teníase é mais comum em adultos e adolescentes. A teníase por Taenia solium é, felizmente, menos comum que a causada por Taenia saginata; a cisticercose humana está relacionada com a Taenia solium.

A transmissão da teníase por Taenia saginata dá-se pela ingestão de carne bovina e da Taenia solium, por carne suína. Estes hospedeiros intermediários do parasita albergam-no em sua forma larvária denominada Cisticercus. O homem é o único hospedeiro do verme adulto. Por conseguinte, são as fezes humanas, que contêm proglotes grávidos cheios de ovos ou ovos livres, as responsáveis pela contaminação do solo, da água e dos vegetais e, subseqüentemente, o gado bovino ou suíno contamina-se pela ingestão de ovos infectantes.

Embora nenhuma destas parasitoses, habitualmente, constitua-se em situação de grande importância clínica durante a gestação, é importante lembrar que a anemia delas decorrente pode agravar a anemia fisiológica ou a ferropriva, tão comuns na gravidez. Assim, recomenda-se a realização de exame protoparasitológico de fezes em todas as mulheres grávidas, sobretudo naquelas de nível socioeconômico mais desfavorecido, para o adequado tratamento ainda na vigência da gestação. O momento oportuno para o tratamento é o mais precoce possível, logo após as 16-20 semanas, para evitar os potenciais riscos teratogênicos destas drogas e a somatória de seu efeito emético à emese da gravidez.

Tricuríase:

Causada pelo Trichuris trichiura. É comum a ocorrência de infecção assintomática. Após a ingestão do ovo embrionado, a larva tem origem no intestino grosso (ceco), evoluindo para verme adulto. O verme provoca reação inflamatória leve e admite-se que as manifestações sejam decorrentes de ação irritativa sobre as terminações nervosas da mucosa cecal, sendo responsável pelo aumento do peristaltismo e da reabsorção de líquidos. O verme também suga sangue da mucosa intestinal.

2. Protozooses:

Causadas por protozoários que passam a habitar o trato intestinal, permanecendo a ele limitadas, ou eventualmente invadindo outros órgãos. Alguns protozoários não são considerados patogênicos para o tubo digestivo: Entamoeba coli, Lodamoeba buetschlii, Chilomastix mesnili, Endolimax nana, Trichomonas hominis. Não necessitam, portanto, de nenhum tipo de tratamento específico.

Amebíase:

Protozoose causada pela Entamoeba histolytica. Pode apresentar-se nas formas intestinal e extra-intestinal. A grande maioria dos acometidos apresenta a doença benigna, manifestando-se sob a forma intestinal diarréica.

Giardíase:

As manifestações clínicas estão presentes em 50% das vezes ou mais, relacionando-se, possivelmente, com a participação de fatores predisponentes, como alterações da flora intestinal e desnutrição. A manifestação mais comum é a diarréia, às vezes acompanhada de desconforto abdominal ou dor em cólica, flatulência, náuseas e vômitos. Na giardíase, não se observam, de modo geral, manifestações sistêmicas e não ocorrem alterações do hemograma, não provocando também a eosinofilia.

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Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 14/03/2017

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