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Hiperlipidemias Hereditárias

Hiperlipidemias Hereditárias

Cada um dos cinco tipos principais da hiperlipoproteinemia provoca um perfil diferente de gorduras no sangue e um conjunto diferente de riscos.Os valores do colesterol e dos triglicéridos são mais elevados nas pessoas com hiperlipidemias hereditárias, também chamadas hiperlipoproteinemias, que interferem com os mecanismos orgânicos de metabolização e eliminação das gorduras.

Cada um dos cinco tipos principais da hiperlipoproteinemia provoca um perfil diferente de gorduras no sangue e um conjunto diferente de riscos.

A hiperlipoproteinemia tipo 1 (hiperquilomicronemia familiar) é uma perturbação hereditária rara, presente desde o nascimento, em que o organismo é incapaz de eliminar os quilomícrones do sangue. As crianças e os adultos jovens com hiperlipoproteinemia tipo 1 sofrem repetidos ataques de dor abdominal. Têm o fígado e o baço aumentados e desenvolvem depósitos cutâneos de gordura de cor rosa-amarelada (xantomas eruptivos). As análises de sangue mostram concentrações extremamente elevadas de triglicéridos. Esta perturbação não leva à arteriosclerose, mas pode causar pancreatite, que pode ser mortal. (• V. página 527.) As pessoas com esta perturbação devem evitar comer gorduras de todos os tipos, saturadas, não saturadas e polissaturadas.

A hiperlipoproteinemia tipo 2 (hipercolesterolemia familiar) é uma perturbação hereditária que provoca uma arteriosclerose acelerada e morte prematura, em geral de enfarte do miocárdio. As pessoas com hiperlipoproteinemia tipo 2 têm valores elevados de colesterol LDL. Os depósitos de gorduras formam aglomerados (xantomas) nos tendões e na pele. Um em cada seis homens com esta perturbação sofre um ataque cardíaco aos 40 anos, enquanto dois em cada três sofrem-no aos 60. As mulheres com hiperlipoproteinemia tipo 2 também correm um risco elevado, mas com um começo mais tardio; aproximadamente uma de cada duas mulheres com esta perturbação terá um ataque cardíaco aos 55 anos de idade. As pessoas que têm dois genes para esta perturbação (uma incidência rara) podem apresentar valores de colesterol total de 500 a 1200 mg/dl e com frequência morrem na infância de doença coronária.

O tratamento orienta-se para evitar os factores de risco, tais como o tabaco e a obesidade, além de reduzir os valores de colesterol no sangue com medicamentos, seguir uma dieta que contenha pouca ou nenhuma gordura, especialmente gorduras saturadas e colesterol, e fazer exercício. Juntar farelo de aveia à alimentação, o qual adere às gorduras a nível intestinal, pode ser útil. Com frequência é necessário um medicamento redutor dos valores dos lípidos.

A hiperlipoproteinemia tipo 3 é uma perturbação hereditária pouco frequente que conduz a valores elevados de colesterol VLDL e triglicéridos. Nos homens com hiperlipoproteinemia tipo 3, os depósitos gordos aparecem na pele na fase adulta precoce; nas mulheres, estes aparecem de 10 a 15 anos mais tarde. Em ambos os depósitos aparecerão antes, se existir excesso de peso. A arteriosclerose obstrui com frequência as artérias e diminui o afluxo de sangue às pernas nas pessoas de meia-idade. As análises de sangue mostram concentrações elevadas de colesterol total e triglicéridos. O colesterol nestes indivíduos é na sua maior parte VLDL. Estes indivíduos têm com frequência diabetes ligeira e valores elevados de ácido úrico no sangue.

O tratamento pressupõe atingir e manter um peso ideal do corpo e ingerir menos colesterol e gorduras saturadas. Geralmente são necessários medicamentos que reduzam os lípidos. Os valores sanguíneos de gordura podem ser quase sempre reduzidos a valores normais, diminuindo assim a incidência da arteriosclerose.

A hiperlipoproteinemia tipo 4, uma perturbação frequente que afeta muitas vezes vários membros de uma mesma família, provoca valores altos de triglicéridos. Esta perturbação pode aumentar o risco de desenvolvimento da arteriosclerose. As pessoas com hiperlipoproteinemia tipo 4 costumam ter muitas vezes excesso de peso e diabetes. É benéfico reduzir o peso, controlar a diabetes e evitar o consumo de álcool. Também é benéfica a administração de um medicamento que reduza os valores dos lípidos.

A hiperlipoproteinemia tipo 5 é uma perturbação pouco frequente em que o organismo não pode metabolizar e eliminar suficientemente o excesso de triglicéridos. Sendo, por vezes, hereditária, esta perturbação pode, noutras situações, ser provocada pelo abuso de álcool, por uma diabetes mal controlada, insuficiência renal ou ingestão de alimentos depois de um período de inanição. Quando é herdada, a perturbação habitualmente manifesta-se pela primeira vez na fase adulta precoce. As pessoas com hiperlipoproteinemia tipo 5 podem ter um grande número de depósitos gordos (xantomas) na pele, um aumento no tamanho do fígado e do baço e dor abdominal. São frequentes uma diabetes ligeira e altas concentrações de ácido úrico. Muitas pessoas têm excesso de peso. A principal complicação é a pancreatite, que muitas vezes resulta da ingestão de gorduras, e pode ser mortal. O tratamento consiste em evitar as gorduras na dieta, emagrecer e não beber álcool. Podem ser úteis os medicamentos que reduzem os lípidos.

 

Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 14/03/2017

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