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Tecnologia X Humanização na Enfermagem

Autor: Sou Enfermagem Em: 01/06/2019

Tecnologia X Humanização na Enfermagem

A definição geral do termo humanização significa ação ou efeito de humanizar, de tornar humano ou mais humano, tornar benévolo, tornar afável. 

Remetendo isso para a realidade da enfermagem significa prestar a assistência ao paciente com excelência, abrangendo o aspecto biopsico-espiritual.

A humanização é um tema com grande relevância, devido a mecanização do atendimento e a barreira imposta para que se possa impedir aproximações afetivas faz com que o ato de desenvolver o lado humano confronte todo esse processo.

A doença e as complicações clinicas devem ser atendimentos, porém deve-se levar em consideração outros fatores que possam impactar a vida do paciente tais como: questões sociais, ambientais, psicológicas e espirituais. Visando que o ser humano tem o direito de ser assistido de maneira afável, o Ministério da Saúde criou em 2001, o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), com simples objetivo de humanizar a assistência prestada aos pacientes atendidos em hospitais públicos. Em 2003, torna-se uma Política Nacional de Humanização, ou HumanizaSUS, abrangendo a saúde como um todo.

A Política Nacional de Humanização (PNH), foi criada em 2003 pelo Ministério da Saúde, para a construção de uma nova forma de cuidado com os usuários dos serviços de saúde pautados na humanização, leva-se em consideração que o usuário deva ter uma abordagem integral e humana. (BRASIL,2000).

O Ministério da Saúde tem como pressupostos que humanizar é oferecer atendimento de qualidade aos usuários do sistema de saúde, agregando os avanços tecnológicos ao acolhimento para proporcionar um cuidado integral, buscando sempre a melhoria do ambiente onde o cuidado é prestado, ao mesmo tempo em que proporciona melhoria das condições de trabalho aos profissionais que ofertam esse cuidado. 

Para (M.S 2004) Humanização é entendida como uma medida que busca resgatar o respeito à vida humana em ocasiões éticas, psíquicas e sociais, dentro do relacionamento humano, que aceita a necessidade de resgate dos aspectos biológicos, fisiológicos e subjetivos. É fundamental adotar uma pratica na qual o cliente e o profissional considerem como parte da sua assistência humanizada o conjunto desses aspectos, possibilitando assumir uma posição ética de respeito mútuo (MORAIS, et al., 2004).

Estudos apontam que não somente o paciente, mas a família também está inserida nesse contexto de humanização, pois o familiar também se encontra num estado de fragilidade, o profissional deve ter a sensibilidade de reconhecer que o familiar faz parte do processo saúde doença. A família necessita ser comunicada sobre todo o processo terapêutico para que possa se sentir mais segura da assistência prestada.

A necessidade da humanização dos cuidados no âmbito hospitalar existe em um contexto social no qual alguns fatores têm contribuído para a fragmentação do ser humano como alguém compreendido com necessidades puramente biológicas: a tecnologia, a visão de que é a equipe de saúde que detém todo o saber e, não ter a percepção da integralidade do Ser Humano são exemplos destes fatores. 

O avanço da tecnologia médica, principalmente a partir da segunda metade do século XX, fez com que, por muitas vezes o cuidado se torne a aplicação de um procedimento técnico, a fim de cumprir com um objetivo mecanicista, como puncionar um acesso venoso, aplicar uma medicação ou realizar determinado exame; a fragilização do ser humano na posição de "paciente" desfavorece o exercício da autonomia quando ocorre a visão paternalista de que a equipe de saúde detém o poder e o conhecimento, subestimando assim a capacidade do doente em fazer julgamentos com relação a si e a sua saúde.(MIRANDA,2000).

O paciente necessita de suporte tecnológico, porém é imprescindível a presença de um profissional para lhe oferecer um tratamento humano e digno. Conciliando os desejos desde que não comprometam a segurança do paciente nem transponham as barreiras legais.

VILA & ROSSI (2002, p.17) referem que a, humanização deve fazer parte da filosofia de enfermagem. O ambiente físico, os recursos materiais e tecnológicos não são mais significativos do que a essência humana. Esta sim irá conduzir o pensamento e as ações da equipe de enfermagem, principalmente do enfermeiro, tornando-o capaz de criticar e construir uma realidade mais humana.

Observa-se que o profissional de enfermagem se atenta mais como manusear o equipamento do que com o próprio paciente, tornando a pratica assistencial mecanicista, podendo-se dizer até mesmo fria de modo que valores, sentimentos, crenças não foram levados em consideração no cuidado. O profissional enfermeiro dotado de conhecimento técnico cientifico deve fazer valer as práticas éticas e bioéticas respeitando o doente com seus valores, crenças, princípios éticos e morais e a autonomia. A dor e o sofrimento devem sem minimizados utilizando todos os recursos disponíveis.

Gomes (1988) entende que: o enfermeiro que atua nesta unidade necessita ter conhecimento científico, prático e técnico, a fim de que possa tomar decisões rápidas e
concretas, transmitindo segurança a toda equipe e principalmente diminuindo os riscos que ameaçam a vida do paciente.

O profissional e a Tecnologia

O profissional possui um fascínio pela tecnologia de modo que torna o cuidado frio e tecnicista, deixando o paciente em segundo plano. Evidenciado na citação de Ribeiro (1999): É possível identificar que a tecnologia exerce um fascínio sobre os profissionais da saúde, todavia, ressalta-se, é imperioso atentar para que a máquina não se torne mais importante do que o próprio paciente.

Segundo AMIB (2004) a humanização é um conjunto que engloba: o ambiente físico, o cuidado dos pacientes e seus familiares e as relações entre a equipe de saúde. As interações dentro da UTI visam tornar efetiva a assistência ao indivíduo doente, considerando-o como um todo biopsicossocioespiritual.

O simples ato de tocar, ouvir e conversar não é realizado devido a complexa rotina que os profissionais enfrentam diariamente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), predominando nesse cenário o arsenal tecnológico e o cuidado humanizado abstido. O profissional enfermeiro dotado de conhecimento técnico cientifico deve fazer valer as práticas éticas e bioéticas respeitando o doente com seus valores, crenças, princípios éticos e morais e a autonomia. A dor e o sofrimento devem sem minimizados utilizando todos os recursos disponíveis.

Ao falarmos em cuidado de enfermagem ao ser humano, seja voltado para a assistência direta ou para as relações de trabalho, implica essencialmente falar de cuidado humanizado.

Contudo é importante ressaltar que muitas vezes devido à sobrecarga imposta pelo cotidiano do trabalho, a enfermagem presta uma assistência mecanizada e tecnicista, não reflexiva, esquecendo de humanizar o cuidado (COLLET & ROZENDO, 2003).

O atendimento humanizado tem uma relação intrínseca com a motivação da equipe, como consequência, impacta na produtividade da empresa. Pesquisas no mundo todo apontam que trabalhar em ambiente humanizado fomenta relações de confiança e gera maior satisfação entre os funcionários e clientes (SBIE,2017).

A humanização em UTI onde se presta cuidados a pacientes críticos, os profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros, necessitam utilizar a tecnologia aliada a empatia, a experiência e a compreensão do cuidado prestado fundamentado no relacionamento interpessoal terapêutico, a fim de promover um cuidado seguro, responsável e ético em uma realidade vulnerável e frágil. Cuidar em Unidades Criticas é ato de amor, o qual está vinculado: a motivação, comprometimento, postura ética e moral, características pessoais, familiares e sociais (SILVA, 2000).

Assistir o paciente de forma humanizada vai muito além de procedimentos, intervenções tecnológicas, farmacológicas, não basta chama-lo pelo nome, ter um sorriso nos lábios, assisti-lo de maneira humanizada é tentar ao menos compreender seus medos, anseios, incertezas, dúvida, angustias, seus aspectos sociais, psicológicos espiritual, entender o que lhe aflige para que o profissional o conforte maneira deixando-o mais seguro.

As atividades dos profissionais de saúde que trabalham no hospital favorecem uma concepção do sofrimento como natural, por parte desses profissionais. A dificuldade em
estabelecer um equilíbrio entre vida e morte, saúde e doença, cura e óbito é uma constante, e faz com que os trabalhadores tenham potencial dificuldade em administrar o trágico. Por isso, pode-se criar um espaço de despersonalização e de afastamento da realidade dos pacientes. (PITTA;1996).

A tecnologia é necessária para prestar uma boa assistência, no entanto, não devemos deixar o paciente de lado priorizando os aparelhos, conforme descreve BEDIN et al (1999, p.19) ao dizer que, “de nada adianta ser um humanista e observar o homem que morre por falta de tecnologia, nem ser rico em tecnologia apenas para observar os homens que vivem e morrem indignamente”.

O equilíbrio entre tecnologia e cuidado humanizado é essencial para a assistência ser prestada com excelência. O paciente internado em uma UTI está em um estado crítico, requer cuidados com alterações hemodinâmicas, mas também com seu estado pscicossocioespiritual.

E levando em consideração a política de humanização da saúde, cuja atenção à saúde seja centrada no usuário e não na doença, demanda das equipes de UTI a incorporação de discussões acerca da necessidade de humanizar a assistência prestada. 

Dessa forma, “humanizar significa reconhecer as pessoas que buscam os serviços de saúde a resolução de suas necessidades como sujeitos de direitos; observar cada pessoa e cada família, em sua singularidade, em sãs necessidades específicas, com sua história particular, valores, crenças e desejos, ampliando as possibilidades para que possam exercer sua autonomia. ” (ZOBOLI, MARTINS & FORTES, 2001).

Artigo Original: O PAPEL DO ENFERMEIRO NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA DIANTE DE NOVAS TECNOLOGIAS EM SAÚDE
Autores: Janaina Daniel Ouchi, Ana Paula Rodrigues Lupo, Bianca de Oliveira Alves, Renato Vasques Andrade, Michele Bueno Fogaça.

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