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Técnica de Enfermagem transexual desperta a atenção  do Coren-MG

Técnica de Enfermagem transexual desperta a atenção do Coren-MG

Técnica transexual desperta a atenção para a necessidade de um posicionamento mais efetivo do Coren-MGRelato de experiência de Técnica transexual desperta a atenção para a necessidade de um posicionamento mais efetivo do Coren-MG contra a homofobia e a transfobia.

A Enfermagem é uma profissão comprometida com a saúde e a qualidade de vida. Para atuar na promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, com autonomia e em consonância com os preceitos éticos e legais, é essencial que os profissionais de Enfermagem respeitem a vida, a dignidade e os direitos humanos, em todas as suas dimensões. Isso inclui o respeito à orientação sexual.

O respeito às diferenças existentes entre cada ser humano constitui pressuposto de uma sociedade democrática que, como tal, reconhecendo a singularidade de cada indivíduo e a complexidade que disso emerge, assegura-lhe direitos e garantias que, em verdade, são inerentes a toda e a qualquer pessoa. No entanto, infelizmente, nem sempre é isso o que ocorre, como observa a Técnica em Enfermagem transexual Alessandra Gomes Verssaly.

Moradora de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Alessandra Verssaly conta que optou pela Enfermagem por sempre ter tido um vínculo muito grande com a profissão, já que possui parentes e amigos que atuam na área de saúde. "Sempre fui uma pessoa que teve uma visão e um comportamento de cuidadora, muito mãe, e a Enfermagem me chamou a atenção, pois gosto muito de cuidar."

Sendo assim, Alessandra buscou o curso Técnico em Enfermagem. Em seu período de estudo, ela conta que não encontrou nenhuma barreira. No entanto, depois de se formar, quando foi em busca de uma inserção no mercado profissional, os problemas começaram surgir. "Tenho encontrado dificuldade nas instituições. Faço as provas, testes, passo neles, mas quando vou para a entrevista com a chefia do setor, eles não me admitem. A minha maior dificuldade é essa: devido à minha condição sexual, por eu ser uma transexual", diz.

Desligada desde outubro de 2014 de uma empresa da área de saúde, atualmente, a Técnica em Enfermagem vive a frustração de não atuar profissionalmente. "Infelizmente, estão interpretando como se genitália definisse o caráter de alguém, principalmente profissional. Sem trabalho, não podemos sonhar, não podemos projetar coisas melhores para o nosso futuro", lamenta.

Para alterar este cenário, Alessandra Verssaly acredita que é necessária a mudança de mentalidade, possível com a criação de programas e projetos contra a homofobia e a transfobia. "A Enfermagem não tem sexo. O profissional homem cuida da mulher e vice-versa. Somos capacitadas, temos formação, temos entendimento e somos preparadas para atuar na área da Enfermagem. Assim, temos também o conceito do respeito para com o próximo, postura e dedicação profissional. Nós somos capazes!", completa.

A fim de melhorar a inserção no mercado de trabalho, a Técnica em Enfermagem sugere, ainda, a criação de um percentual de vagas de empregos para cidadãs transexuais. "As empresas deveriam nos dar oportunidades, logicamente observando a formação de cada uma", ressalta Alessandra Verssaly.

Com o surgimento da questão da homofobia e da transfobia no ambiente de trabalho, levantada pela Técnica em Enfermagem Alessandra Verssaly, o Coren-MG viu a necessidade de adotar um posicionamento mais efetivo sobre o assunto. "É muito maravilhoso saber que posso contar com o Conselho diante de tanta estigmatização e rótulos", comemora.

De acordo com a Segunda-Secretária do Coren-MG, Enfa. Karina Souza Porfírio da Silva, o Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais repudia todo e qualquer tipo de discriminação, dentro e fora do ambiente de trabalho da Enfermagem. "Inclusive, o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, no seu artigo 78, diz que é vedado utilizar, de forma abusiva, o poder que lhe confere a posição ou o cargo para assediar moralmente, inferiorizar pessoas ou dificultar o exercício profissional", cita.

Trabalho conjunto - Para traçar estratégias de atuação contra este tipo de discriminação, o Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais convida para discussões representantes de entidades e organizações que trabalham na defesa da diversidade sexual. Este contato, assim como relatos de experiências e sugestões para o combate da homofobia e a transfobia na Enfermagem em Minas, podem ser enviadas para o e-mail ascom@corenmg.gov.br.

Fonte: 
ASCOM-COREN-MG 


Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 14/03/2017

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