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Profissional de Enfermagem foi morto a facadas por paciente

Profissional de Enfermagem foi morto a facadas por paciente

Profissional de Enfermagem foi morto a facadas por pacienteAuxiliar de enfermagem foi morto a facadas por paciente em atendimento.
Assassinato abriu discussão sobre atendimento psiquiátrico em Sorocaba.

O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sindsaúde) classificou como "tragédia anunciada" a morte do auxiliar de enfermagem de 28 anos esfaqueado por um paciente com problemas psiquiátricos na quinta-feira (7), em Sorocaba (SP). O corpo de Antonio Carlos Matos foi velado na cidade de Guapiara (SP). "Ele foi lá para salvar uma vida e encontrou a morte”, afirmou o presidente do Sindsaúde, Milton Sanches.


Matos foi golpeado no tórax ao aplicar medicação em um paciente de 41 anos que tem esquizofrenia e que passava por tratamento em uma unidade dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). De acordo com a Polícia Militar, durante um surto, ele se trancou com o auxiliar de enfermagem em um quarto e o esfaqueou. “Ele nunca ficou nessa situação. Os auxiliares vieram para aplicar a injeção e ele disse que não queria tomar. Foram levando meu filho para o quarto. Quando eu escutei um barulho e vi que ele já tinha feito a ‘burrada’”, lembra o pai do agressor, Olivino Duarte Moreira.


Profissional de Enfermagem foi morto a facadas por pacienteO caso gerou, inclusive, uma discussão entre as entidades do setor sobre a maneira com que estes cuidados são realizados. De acordo com o presidente do sindicato, as faltas de condições adequadas de trabalho podem ter levado a morte do profissional. "Há uma preocupação grande não só do setor de psiquiatria, porque nós [funcionários da saúde] estamos trabalhando sem condições e sem segurança nenhuma. Nós pensamos na saúde dos pacientes, nas famílias, já que a mãe desse rapaz deve estar sofrendo muito. Mas queremos que procurem uma solução no sentido de dar estrutura aos casos graves porque igual a ele tem muito", afirmou.

Caso isolado
Já para o membro do Fórum de Luta Antimanicomial de Sorocaba, Lúcio Costa, o caso é considerado "isolado" e deve ser apurado. "É impossível, do ponto de vista cientifico, associar que a pessoa com transtorno mental seja mais violenta que as outras. Nós lamentamos o que aconteceu, mas não se pode associar isso com esse episódio que teve um desfecho muito triste”.
Costa lembra ainda do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre o Ministério Público e os governos Federal, Estadual e Municipal em 2012 e que prevê o fim dos hospitais psiquiátricos. Na chamada desinstitucionalização, os pacientes devem ser levados para a casa de parentes ou para Residências Terapêuticas. "A repercussão do caso tem tomado uma proporção muito ruim para aqueles que estão sendo desinstitucionalizados. A desinstitucionalização tem avançado, pessoas tem resgatado a capacidade de viver com cidadania, preservar os seus direitos", afirma.

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde informou que o paciente envolvido na ocorrência não faz parte do processo de desinstitucionalização de saúde mental colocado em prática na cidade. "Estamos empenhados em fazer o levantamento das informações sobre o caso, que é pontual, envolvendo a morte do auxiliar de enfermagem. A secretaria ressalta que continua tratando a questão com toda a devida cautela que a fatalidade requer", diz a nota.
A Polícia Militar disse que Matos conhecia o autor, já que realizava o atendimento na casa dele quinzenalmente. No entanto, durante um surto, o paciente se trancou com o auxiliar de enfermagem em um quarto e o esfaqueou. “O enfermeiro estava tentando de todo jeito [aplicar o medicamento], não conseguiu e falou que ia embora. Nessa hora ele pegou a faca e atingiu o enfermeiro”, relata a mãe do paciente, Marta Pedro de Oliveira.
O auxiliar de enfermagem chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. A mãe e os outros dois profissionais que presenciaram o crime prestaram depoimento. O homem não foi ouvido porque, segundo a polícia, não tinha condições de falar.


A Polícia Civil encaminhou ao Fórum um pedido de exame de insanidade mental, já que o acusado se trata de um paciente psiquiátrico. Após uma avaliação, o juiz vai decidir se ele permanece preso, ou se seguirá para uma instituição que possa dar continuidade ao tratamento. O suspeito foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) com restrição psiquiátrica, assim, ficará separado dos outros detentos.

Pai estava presente quando auxiliar foi esfaqueado (Foto: Reprodução/TV TEM)

FONTE: G1

Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 14/03/2017

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