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Pedir e conceder o perdão dá saúde ao corpo e previne de infarto agudo do miocárdio

Autor: Sou Enfermagem Em: 02/07/2019

Pedir e conceder o perdão dá saúde ao corpo e previne de infarto agudo do miocárdio

Ouvirmos sempre que o perdão evita o aparecimento de doenças, mas até que ponto isso é verdade?

Existe respaldo científico para isso?

Um pesquisa brasileira apresentada na semana passada no 40.º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) apontou uma relação entre dificuldade de perdoar e a ocorrência de enfarte agudo do miocárdio.

"O mundo ocidental se refere ao coração como o centro das emoções", afirma a psicanalista Suzana Avezum, que tem 36 anos de carreira.

Depois de ter visto na prática os benefícios do perdão para a saúde emocional, Suzana partiu para a pesquisa. De 2016 a 2018, se debruçou no tema, em um mestrado na Universidade Santo Amaro, e focou no risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

No estudo, 130 pacientes responderam a dois questionários elaborados pela psicanalista - um para avaliar a disposição para o perdão e outro sobre espiritualidade e religiosidade - algo que, segundo Suzana, interfere na disposição para perdoar. "Encontrei mais ocorrência de enfarte entre aqueles que têm dificuldade do perdão", afirma a pesquisadora.

A pesquisa também avaliou os efeitos da espiritualidade. "Não foi avaliada nenhuma religião específica, pois, o que seria dos ateus? Tem pessoas que não acreditam em religião alguma e são mais espiritualizadas do que as que têm uma religiosidade rígida", diz.

O estudo mostrou que, entre quem enfartou, 31% afirmaram ter tido perda significativa da fé. Entre quem não teve, o índice foi de 9%.

O empresário Adailton José Gedra, de 59 anos, sofreu um enfarte e um AVC nos últimos 15 anos. Além do estresse do trabalho e de hábitos que favorecem o aparecimento de doenças cardiovasculares, como fumar, ele associa os eventos a mágoas que carregou ao longo dos anos. "A fábrica quebrou quatro vezes e isso causou um grande estresse. Depois, ajudei algumas pessoas que, quando menos esperava, me apunhalaram pelas costas. Fiquei aborrecido e magoado. Mas, hoje, de coração, penso na minha saúde."

Há um ano e meio, a professora Luciana Saad, de 42 anos, chegou a apresentar taquicardia e descobriu no perdão e na espiritualidade uma forma de melhorar. "Fiz um tratamento espiritual e passei a me policiar mais e a não guardar mágoa. Vi que só fazia mal para mim mesma."

Pastor Januário Elcio Lourenco fala sobre a saúde e a espiritualidade

Quando Tiago fala de contendas entre pessoas (Tg 4:1-10), que se alastra pelos povos e envolvem o mundo não está colocando nada novo, pois a Palavra relata um primeiro conflito não entre desconhecidos, mas entre irmãos (Gn 4:1-14).

No campo científico, Charlotte Van Oyen Witvliet, professora de psicologia do Hope College, em Michigan, EUA, e seus colega, fizeram uma experiência com 71 voluntários. Nela, foi pedido a eles que se lembrassem de alguma ferida antiga, algo que os tivesse feito sofrer. Nesse instante, foi registrado o aumento da pressão sanguínea, dos batimentos cardíacos e da tensão muscular, reações idênticas às que ocorrem quando as pessoas sentem raiva. E quando foi pedido que eles se imaginasse entendendo e perdoando as pessoas que lhes haviam feito mal, eles se mostraram mais calmos, e com pressão e batimentos estabilizados.

Em 1999, o Dr Fred Luskin criou O PROJETO DA UNIVERSIDADE DE STANFORD PARA O PERDÃO, tendo combinado em sua pesquisa dissertativa uma técnica psicoterapêutica, focando e emotividade racional, com alguns estudos sobre o impacto das emoções negativas, como raiva, magoa e ressentimento no sistema cardíaco.

Luskin descreve o perdão como sendo uma forma de se atingir a calma e a paz, tanto com o outro quanto consigo mesmo. A terapia que ele propõe encoraja as pessoas a terem maior responsabilidade sobre suas emoções e ações, e serem mais realistassobre os desafios e quedas de suas vidas.

Em O Poder do Perdão, ele explica o processo de formação de uma mágoa e demonstra como tal fato possui um efeito paralisante na vida das pessoas, definindo nove passos a este respeito:

1. Saiba exatamente como você se sente sobre o que ocorreu e seja capaz de expressar o que há de errado na situação. Então, relate a sua experiência a umas duaspessoasdeconfiança.

2. Compromete-se consigo mesmo a fazer o que for preciso para se sentir melhor. O ato de perdoar é para você e ninguém mais. Ninguém mais precisa saber sua decisão.

3. Entenda seu objetivo. Perdoar não significa necessariamente reconciliar-se com a pessoa que o perturbou, nem se tornar cúmplice dela. O que você procura é paz.

4. Tenha uma perspectiva correta dos acontecimentos. Reconheça que o seu aborrecimento vem dos sentimentos negativos e desconforto físico de que você sofra agora, e não daquilo que o ofendeu ou agrediu dois minutos - ou dez anos - atrás.

5. No momento em que você se sentir aflito, pratique técnicas de controle de estresse para atenuar os mecanismos de seu corpo.

6. Desista de espera, de outras pessoas ou de sua vida, coisa que elas não escolheram dar a você. Reconheça as "regras não cobráveis" que você tem para sua saúde ou para o comportamento seu e dos outros. Lembre a si mesmo que você pode esperar saúde, amizade e prosperidade e se esforçar para consegui-los. Porém você sofrerá se exigir que essas coisas aconteçam quando você não tem o pode de fazê-lasacontecer.

7. Coloque sua energia em tenta alcançar seus objetivos positivos por um meio que não seja através de experiência que o feriu. Em vez de reprisar mentalmente sua mágoa, procure outros caminhos para seus fins.

8. Lembre-se de que uma vida bem vivida é a sua melhor vingança. Em vez de se concentrar nas suas mágoas – o que daria poder sobre você à pessoa que o magoou – aprenda a busca o amor, a beleza e a bondade ao seu redor.

9. Modifique a sua história de ressentimento de forma que ela o lembre da escolha heróica que é perdoar. Passe de vítima a herói na história que você contar.

O perdão reduz a agitação que leva a problemas físicos. Perdoar reduz o estresse que vem de pensar em algo doloroso, mas não pode ser mudado. Ele também limita a ruminação que leva a sentimento de impotência que reduzem a capacidade de alguém cuidar de si mesmo. O perdão é uma cura... às vezes. Ajuda? Sim,muitasvezes.
 
O bem estar emocional e espiritual ajuda o corpo a produzir hormônios, anticorpos e vacinas naturais que reforçam o sistema imunológico, combatem a doença e promovem a saúde. Guardar ressentimento prejudica a saúde, sendo a maior causa de depressão, problemas cardíacos, respiratórios, digestivos, pressão alta, artrite, cálculos renais e até câncer. A pessoa que guarda rancor esquece de cuidar de si enquanto fica com a imaginação cheia de lembranças amargas ou planos de vingança. Sentimentos de raiva ou ódio direcionam as energias para uma linha destrutiva de si (pela repressão) ou dos outros (pela agressão). Afinal, a vida é curta demais para perder um dia de felicidade ou uma noite de sono pela falta de perdão. Se o ato de perdoar faz tanto bem, pedir perdão é igualmente necessário e benéficoparaasaúde.

Pedir e conceder o perdão

É tão interessante que podemos falar da necessidade de pedir perdão e, também, da necessidade de dar perdão. Muitas vezes, temos dificuldade de receber o perdão. A pessoa se humilha, arrepende-se do que fez, pede perdão, mas o outro, tão preso em suas emoções, amarguras, feridas e mágoas, não consegue perdoar. Isso também é destrutivo, porque a questão está no conseguir superar o sentimento produzido. Se eu ferir o outro e conseguir fazer o movimento de pedir perdão, posso estar superando meus sentimentos nocivos. O mesmo acontece com aquele que consegue dar o perdão para aquele que lhe pede.

Quem nos destrói são os sentimentos de mágoa e ressentimento, não o ato de perdoar. E perdoar é o nosso remédio, é a via de libertação, pois, a mágoa e o ressentimento são sentimentos tão nocivos que possuem capacidade de destruição, paralisação e retrocesso. Façamos o seguinte caminho:

– Reconhecimento: olhar para os seus sentimentos e reconhecer que sente-se ferido, e isso tem paralisado, adoecido você;
– Decisão: diante da minha paralisação e adoecimento, decido sair desse lugar;
– Ação: ter a iniciativa de pedir ou receber o perdão.

Não há como viver essas três etapas ao mesmo tempo. No entanto, é preciso esforçar-se para vencer uma de cada vez, olhando para a situação atual e focando no lugar que deseja chegar, a libertação dos sentimentos que acorrentam e adoecem.

Com fonte de o Estado de São Paulo

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