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O que é a incontinência urinária?

O que é a incontinência urinária?

O que é a incontinência urinária?

A incontinência urinária é a perda acidental de urina. Mais de 15 milhões de homens e mulheres nos Estados Unidos sofrem desta doença. Muitas dessas pessoas sofrem em silêncio desnecessariamente, sendo incapazes de realizar atividades que gostariam. Uma vez que há tratamento para a incontinência, a informação a seguir deve ajudá-lo a discutir o problema e as opções de tratamento com um médico urologista. Para milhões de pessoas a incontinência não é apenas uma doença, mas sim um problema com consequências emocionais, psicológicas e sociais. Muitas pessoas têm medo de participar de atividades que as levem para longe de um banheiro. Por todos esses aspectos, é importante salientar que a maioria das causas de incontinência pode ser tratada com sucesso.

O que acontece normalmente?

A atividade coordenada entre o trato urinário (sistema nervoso involuntário) e o cérebro (sistema nervoso voluntário) controla a micção (a atividade de urinar). A bexiga armazena a urina pois a musculatura lisa da bexiga (músculo detrusor) relaxa e tanto o colo vesical quanto o esfíncter uretral estão fechados (contraídos). O esfíncter da uretra é um músculo circular que envolve a uretra. Durante a micção, o colo vesical se abre, o esfíncter se relaxa a musculatura vesical se contrai. A incontinência acontece se o fechamento do colo vesical for inadequado (incontinência de esforço) ou se a musculatura da bexiga apresentar hiperatividade e se contrair com muita intensidade com a bexiga ainda não totalmente cheia (incontinência por urgência ou urge-incontinência ou bexiga hiperativa).

 

O que causa a incontinência urinária?

Segue uma lista de doenças e fatores que causam ou contribuem para o surgimento da incontinência urinária.

  • Infecções urinárias ou vaginais
  • Efeitos de medicações
  • Constipação
  • Enfraquecimento da musculatura pélvica
  • Obstrução da uretra por uma próstata de tamanho aumentado
  • Doenças neurológicas (por exemplo: esclerose múltipla, doença de Parkinson, trauma raquimedular e acidente vascular encefálico)
  • Algumas cirurgias
  • Diabetes
  • Delirium
  • Gravidez e parto
  • Bexiga hiperativa
  • Flacidez da musculatura que sustenta a bexiga
  • Flacidez do esfíncter urinário
  • Malformações congênitas

Conhecem-se múltiplos fatores associados à incontinência urinária e as causas mais frequentes de incontinência são as doenças neurológicas, obstétricas e prostáticas.

Estudos mostram que a gravidez, o tipo de parto e a paridade (o número de filhos que uma mulher teve) são fatores que podem aumentar o risco de incontinência. As mulheres que já tiveram filhos (seja por cesariana ou por parto vaginal) apresentam incontinência de esforço com frequência muito maior que as mulheres que nunca tiveram filhos. As mulheres que desenvolveram incontinência durante a gravidez ou logo após o parto são de tratamento mais difícil. A paridade aumentada (ter mais filhos) também aumenta o risco de incontinência.

Outro fator de risco é a idade. À medida que o corpo humano envelhece, há perda de massa muscular e o trato urinário não é poupado. As mulheres na menopausa podem sofrer de perda de urina devido aos níveis baixos de estrogênio. Surpreendentemente, a reposição hormonal não se mostrou capaz de aliviar os sintomas. Muitas medicações estão relacionadas à incontinência: diuréticos, benzodiazepínicos, antidepressivos, entre outros. Além disso, há doenças crônicas que também estão associadas à incontinência: diabetes, acidente vascular encefálico, hipertensão arterial, tabagismo, doença de Parkinson, doenças da coluna vertebral, obesidade, doença de Alzheimer e doenças pulmonares.

Quais são os diferentes tipos de incontinência urinária?

Incontinência de Esforço: A incontinência de esforço é o escape de urina quando há um aumento da pressão abdominal causada por atividades físicas como tossir, rir, espirrar, levantar-se, fazer força, agachar-se. O principal fator de risco para a incontinência de esforço é o dano à musculatura pélvica que pode ocorrer durante a gravidez e o parto.

Incontinência por urgência: Também denominada bexiga hiperativa, esse tipo de incontinência geralmente se acompanha de um desejo súbito e intenso de urinar e da incapacidade de chegar a tempo no banheiro. Frequentemente, pacientes com incontinência por urgência podem perder urina sem desejo prévio. Os fatores de risco são a idade, obstrução ao fluxo urinário, esvaziamento inconsistente da bexiga (prender a urina por longos períodos), e dieta rica em produtos que irritam a bexiga (café, chá, colas, chocolate e sucos de frutas ácidas).

Incontinência mista: A incontinência mista é a combinação da incontinência de esforço com a incontinência por urgência.

Incontinência paradoxal: A incontinência paradoxal acontece quando a bexiga não se esvazia adequadamente e a quantidade de urina produzida excede a capacidade de armazenamento da bexiga. É caracterizada pela micção frequente e gotejamento. O esvaziamento inadequado da bexiga ocorre se houver uma obstrução ao fluxo de urina ou se a musculatura da bexiga não se contrair adequadamente.

Como se diagnostica a incontinência urinária?

Como qualquer outro problema de saúde, é muito importante conversar com seu médico e ser examinado por ele. O urologista irá começar perguntando sobre os hábitos do paciente, assim como sua ingestão de água, histórico familiar, doenças anteriores, cirurgias e uso de remédios. A isso seguirá um exame físico minucioso buscando causas de incontinência, como constipação, doenças prostáticas, prolapsos ou hérnias. Caso essa avaliação inicial leve à conclusão que são necessários exames complementares, podem-se solicitar testes como um estudo urodinâmico ou uma cistoscopia, por exemplo.

A cistoscopia se faz introduzindo um pequeno aparelho (o cistoscópio) através da uretra até a bexiga. O estudo urodinâmico é um exame ambulatorial que é feito com um cateter na bexiga e outro no reto. Enche-se a bexiga e solicita-se ao paciente que urine enquanto se medem as pressões do abdome e da bexiga.

Como se trata a incontinência urinária?

O tratamento da incontinência depende não apenas do tipo de incontinência, mas também do sexo do paciente. Algumas opções de tratamento são mais indicadas para os homens, enquanto outras são melhores para as mulheres. Seguem algumas opções terapêuticas para homens e mulheres.

Quais são as opções de tratamento para a incontinência de esforço nas mulheres?

Na maioria dos casos de incontinência, o tratamento conservador ou minimamente invasivo é a primeira linha de tratamento. Isso pode incluir restrição de líquidos, treinamento vesical ou exercícios do assoalho pélvico. Quando, contudo, os sintomas forem mais graves ou as medidas conservadoras não forem suficientes, a melhor opção é a cirurgia.

Medidas Comportamentais: A incontinência de esforço leve a moderada na mulher é inicialmente tratada com modificações do estilo de vida. Reduzir o volume de fluidos ingeridos e eliminar cafeína e outras substâncias que irritam a bexiga pode ajudar significativamente. As micções programadas podem ser úteis na prevenção de “acidentes” ao esvaziar a bexiga frequentemente antes que ocorram perdas de urina.

Treinamento da musculatura do assoalho pélvico: Os exercícios de Kegel podem fortalecer o assoalho pélvico e os esfíncteres, melhorando o controle sobre a urina. Esses exercícios incluem contrações repetidas de músculos específicos, várias vezes ao dia. Algumas vezes técnicas como o biofeedback, estimulação elétrica da musculatura pélvica e cones vaginais podem ser úteis em ensinar ao paciente como melhor controlar esses músculos.

Injeções periuretrais: Uma das opções de tratamento cirúrgico, usada em homens e mulheres. As injeções têm por objetivo provocar o inchaço dos tecidos ao redor da uretra, o que auxilia no fechamento da mucosa uretral. As injeções são feitas sob anestesia local com o uso de um cistoscópio e de uma agulha. O material, denominado agente de volume, é injetado na camada submucosa da uretra sob visão direta. Infelizmente as taxas de cura são de apenas 10 a 30% apesar de existirem diversos agentes de volume disponíveis no mercado. O procedimento pode, entretanto, ser repetido e às vezes observam-se resultados aceitáveis após múltiplas injeções. É uma cirurgia minimamente invasiva, mas os resultados são piores que os dos demais procedimentos cirúrgicos.

Sling suburetral: Essa é a cirurgia mais comum e popular para a incontinência de esforço. Nessa cirurgia se utiliza uma fita geralmente de tela sintética. Essa fita é posicionada abaixo da uretra para aumentar o suporte e melhorar o fechamento uretral. É uma cirurgia minimamente invasiva e a recuperação é muito rápida. Por muitos anos se pensou que materiais biológicos (como a fáscia do próprio paciente) trariam um suporte mais adequado. Todavia, verificou-se que as telas sintéticas apresentam resultados superiores no longo prazo.

Colpossuspensão retropúbica: Outra opção é a cirurgia abdominal na qual os tecidos vaginais ou periuretrais são fixados ao púbis (um osso). Os resultados no longo prazo são positivos, mas a cirurgia requer um período de recuperação maior e geralmente é utilizada apenas quando outros procedimentos abdominais são necessários. Essa cirurgia também pode ser realizada por vídeo-laparoscopia, mas os resultados no longo prazo são melhores com a via convencional (aberta).

Quais são os efeitos colaterais associados às cirurgias para correção da incontinência de esforço?

Os efeitos colaterais em potencial do tratamento cirúrgico incluem sangramento, infecção, dor, retenção urinária ou dificuldade em urinar, urgência miccional, prolapso de órgãos pélvicos e falha da cirurgia em corrigir a incontinência. Com o uso de material sintético há o risco (ainda que pequeno) de erosão pelo material da bexiga, uretra ou vagina.

Quais outras opções de tratamento existem para a incontinência de esforço nos homens?

Os homens também devem ser tratados inicialmente com mudanças de comportamento e exercícios para fortalecer o assoalho pélvico. Também se podem usar injeções periuretrais. Caso essas medidas não obtenham sucesso, existem tratamentos cirúrgicos diferentes dos indicados para as mulheres.

Sling masculino: Em homens com incontinência de esforço, uma das alternativas é um procedimento de compressão uretral, denominado sling masculino. Ele é realizado com o uso de uma tela que comprime a uretra contra o púbis (um osso da bacia). A tela é implantada através de uma incisão no períneo (a área entre o escroto e o reto). Os resultados são bons em pacientes com incontinência leve, na incontinência grave os resultados são ruins. Ainda não há informações acerca dos resultados no longo prazo.

Esfíncter Artificial: É o tratamento mais eficaz para a incontinência urinária masculina. O esfíncter artificial consiste em um mecanismo de silicone com três componentes. O cuff é a porção que fornece a compressão circular da uretra e, desta forma, previne a perda de urina. Ele é implantado ao redor da uretra através de uma incisão no períneo. Também se implanta um pequeno balão preenchido por líquido no abdômen e uma pequena bomba no escroto. A bomba será controlada pelo paciente. O fluido no balão abdominal é transferido ao cuff uretral, fechando a uretra e evitando a perda de urina. Quando o paciente necessita urinar ele pressiona a bomba no escroto, que libera o fluido do cuff para retornar ao balão abdominal e abre a uretra, permitindo o esvaziamento da bexiga.

Quais são as opções de tratamento para a incontinência por urgência?

Para a incontinência por urgência também há múltiplas opções de tratamento. O passo inicial são modificações comportamentais, o que inclui beber menos liquido, evitar cafeína, álcool e alimentos apimentados, não beber antes de deitar-se e micções programadas. Exercitar a musculatura pélvica (exercícios de Kegel) também pode ser útil. É importante anotar a frequência com que se urina, episódios de incontinência, a quantidade de urina que foi perdida, a ingestão de líquidos e o número de absorventes utilizados. Isso auxilia o urologista a escolher o melhor tratamento para o seu caso.

Medicações: O principal tratamento para a urge-incontinência é medicamentoso. Ele consiste no uso de relaxantes da bexiga para evitar que a bexiga se contraia sem a intenção do paciente. Os efeitos colaterais mais comuns são secura da boca, constipação ou alterações visuais. Às vezes ao se reduzir a dose do remédio há remissão dos efeitos colaterais. Em algumas situações também se pode utilizar combinações de duas ou mais drogas. Combinations of medications can also be used in some situations.

Neuromodulação: Há alternativas que podem ser consideradas em pacientes que não respondem às modificações do estilo de vida ou ao tratamento medicamentoso. Uma nova tecnologia é o uso de um marca-passo da bexiga para controlar sua função. Essa tecnologia consiste em um pequeno eletrodo implantado nas costas do paciente próximo ao nervo que controla a função da bexiga. O eletrodo se conecta a um gerador de impulsos elétricos que estimulam os nervos da bexiga e controlam a função da bexiga. O exato mecanismo de ação ainda permanence desconhecido.

Quais são as opções de tratamento para a incontinência paradoxal?

O tratamento da incontinência paradoxal é o esvaziamento completo da bexiga. Quando se garante o funcionamento normal da bexiga com ciclos regulares de enchimento e esvaziamento geralmente se evita a perda de urina. Pacientes com doenças neurológicas, diabetes ou obstrução ao fluxo urinário (por doenças prostáticas, por exemplo) podem desenvolver esse tipo de incontinência. A incontinência paradoxal por obstrução deve ser tratada com remédios ou cirurgia para remover a obstrução. Isso pode incluir ressecção de tecido prostático ou de uma estenose da uretra ou correção de prolapso de um órgão pélvico. Caso não se encontre nenhuma obstrução ao fluxo urinário, o melhor tratamento é ensinar ao paciente o autocateterismo vesical. Ao esvaziar-se a bexiga regularmente, a incontinência frequentemente se resolve.

O que eu posso esperar após o tratamento?

O objetivo de qualquer tratamento para incontinência é melhorar a qualidade de vida do paciente. Na maioria dos casos é possível uma melhora importante da qualidade de vida ou mesmo a cura total dos sintomas. Os tratamentos são geralmente eficazes caso o paciente controle a ingestão de líquidos e urine frequentemente. O ganho de peso e atividades físicas que promovem o aumento da pressão intra-abdominal podem comprometer os resultados do tratamento cirúrgico. Usar o bom senso e ter cuidado ajudam a garantir benefícios duradouros destas cirurgias.

Uma vez que muitos tratamentos para incontinência lidam com próteses, pode ser necessário realizar ajustes ou modificações com o passar do tempo. Pergunte ao seu médico como é feito o acompanhamento após o procedimento cirúrgico.

Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 14/03/2017

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