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O PRESENTE E O FUTURO DA ENFERMAGEM

Autor: Sou Enfermagem Em: 21/05/2019

O PRESENTE E O FUTURO DA ENFERMAGEM

Cientistas da Universidade Tecnológica Nanyang, de Singapura, apresentaram ao mundo o robô Nadine, um humanoide com aparência praticamente idêntica à de um ser humano. 

Nadine simula uma pessoa real em diversos aspectos, inclusive no aperto de mão. As mãos de Nadine foram idealizadas para possuírem cinco dedos, diferentemente de outros robôs que chegam a possuir no máximo três, pois os seres humanos interagem com cinco dedos e o toque das mãos é uma das habilidades mais importantes durante as interações com pessoas e objetos que os circundam.

Além disso, Nadine é sociável, possui diferentes tipos de humor, realiza contato olho no olho, reconhece pessoas após o primeiro contato e trava diálogos de acordo com o histórico de conversas anteriores com cada indivíduo. Isso traz uma perspectiva intrigante e paradoxal, em que características humanas perdidas pela falência das relações pessoa-pessoa são inseridas em relações máquina-pessoa com o intuito de suprir a necessidade humana de interação. Trata-se de uma tentativa de atender a uma necessidade, mirando o final de uma rede de produção.

Um robô com essas características pode, em tese, adaptar-se à necessidade de cada indivíduo, interagindo de forma adequada para estabelecer relações de certo modo terapêuticas com os usuários. Os aspectos extremamente humanos do robô Nadine marcam o início de uma era em que humanoides serão comuns em diversos setores da sociedade, sobretudo na área da saúde.

Dessa forma, acredita-se que a tecnologia pode interferir no processo de Enfermagem com indivíduos, família e comunidades.

Em meio ao aparato tecnológico, no qual até procedimentos fundamentais de enfermagem começam a ser realizados por máquinas, a Enfermagem precisa começar a refletir sobre qual seria sua melhor postura ou seu diferencial em um mundo com forte tendência ao domínio tecnológico.

Outro ponto a ser considerado é que o legado histórico do cuidado baseado em relações interpessoais do século XXI foi posto em cheque, em decorrência da importância atribuída à neuroanatomia, neurobiologia, genômica e neurofisiologia na compreensão do comportamento humano em detrimento da dinâmica interpessoal. Quando a massa encefálica ganha mais força que as abstrações teóricas sobre a mente, a Enfermagem navega entre a tensão do seu legado histórico de cuidado, com as necessidades atuais de fortalecer o significado de relações pessoais, e as demandas biológicas que integraram o significado das relações na prática de Enfermagem.

Quanto ao processo de comunicação interpessoal, a tendência observada é que há possibilidade de optar-se pela comunicação mediada por dispositivos eletrônicos, provavelmente por causa de sua disseminação por meio da IoT, mas também pelo fato desse aparato não fazer julgamentos ou desafios no enfrentamento da complexidade da condição humana. Porém, acredita-se que esse comportamento possa produzir uma situação crítica que gere uma instabilidade tão intensa que desperte a necessidade de retomar, retornar ou resgatar características humanas perdidas, necessidade esta que integra o conjunto de demandas emocionais e psicossomáticas da assistência de Enfermagem.


A humanidade caminha em direção a um mundo imerso em automação e ambientes de realidade virtual, onde é possível estabelecer vínculos sociais ou vivenciar experiências hedonistas.

Dessa forma, é possível que características que legitimam a nossa humanidade estejam em risco, tais como habilidades sociais multifacetadas, empatia, compaixão, capacidade de improvisar soluções para novos problemas, entre outras. Se não houver o cultivo dessas habilidades, ocorrerá redução das capacidades cognitivas dos indivíduos. Além disso, um avanço dessas tecnologias pode significar a manutenção das relações superficiais que ocorrem mediadas pela tecnologia.

A sociedade do admirável mundo novo, com todo o seu aparato tecnológico, que se mantém em constante transformação, precisa valorizar a condição humana para evitar o domínio hegemônico da tecnologia, fazendo-a trabalhar em benefício da própria sociedade. É imperativo que a tecnologia seja incorporada ao cuidado de Enfermagem.

Contudo, é igualmente importante ter consciência de que essa moeda possui dois lados a serem considerados: a tecnologia irá agilizar o cuidado por meio da execução das atividades ergonômicas, do acompanhamento da situação de saúde dos indivíduos por meio da IoT e da automação das informações de saúde; e a imersão passiva no mundo digital e autômato pode, aos poucos, afetar negativamente as funções cognitivas, levando ao empobrecimento das interações humanas.

Nesse sentido, a Enfermagem precisa valorizar-se como profissão e ter consciência de que a sua essência lhe possibilita ocupar um lugar privilegiado diante dessa tecnologia, pois não existe Enfermagem sem interação humana. Em decorrência da natureza do trabalho da Enfermagem, é provável que apenas uma pequena parcela de suas atribuições seja substituída pelo avanço tecnológico.

 Todavia, para justificar sua existência enquanto área profissional dentro da sociedade, a Enfermagem não deve perder de vista seus maiores atributos, que são contribuições
importantes para a vida e a liberdade humana. Entre os mais importantes, destacam-se a presença no momento, a atenção, a escuta e a compaixão, valores que não podem ser minimizados nem esquecidos, pois, ainda que as máquinas consigam ler os pensamentos, no trabalho de cuidado, somente enfermeiros poderão ser a voz de necessidades humanas mais profundas.

Mesmo com o advento de Nadine, ainda não é possível saber de que forma, e se, os robôs conseguirão tocar a essência humana. A incógnita está baseada na capacidade de uma inteligência artificial, sistemática, programada e objetiva se desenvolver a ponto de alcançar a profundidade da mente humana. Outra linha de reflexão relevante é a possibilidade de os indivíduos fornecerem significados às suas expressões de amor e compaixão. 

Acredita-se que os robôs ainda não consigam conduzir um diálogo verdadeiro e profundo em suas interações.

Todo o avanço tecnológico atual e futuro exigirão transformações constantes, mas suas características demandarão o cultivo das habilidades que nos identificam como humanos. Nesse sentido, o próprio Huxley acreditava que a verdadeira revolução social seria aquela que ocorreria na alma e na carne dos indivíduos. Assim, apenas por meio de ações que respeitem esse princípio será possível fazer a tecnologia servir à Enfermagem, relembrando a essência e o legado histórico dessa categoria profissional e evitando, assim, a desumanização, característica mais marcante da sociedade do admirável mundo novo.

Nesse sentido, a transformação dos currículos e da prática profissional com foco nas inteligências interpessoal e intrapessoal, com atitudes que valorizam as habilidades
humanas, assegurarão o lugar da Enfermagem em uma sociedade dominada por máquinas e pelo progresso científico.

Artigo Original: O presente e o futuro da Enfermagem no Admirável Mundo Novo

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