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Nem todos os Vídeos do YouTube sobre cateterismo vesical são seguros, diz pesquisa


Autor: Sou Enfermagem | Publicado em: 25/07/2018

Nem todos os Vídeos do YouTube sobre cateterismo vesical são seguros, diz pesquisa

Uma pesquisa realizada por uma graduanda do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte concluiu que a maioria dos vídeos do YouTube sobre cateterismo vesical masculino estão fora do recomendado. 

Um mecanismo cada vez mais utilizados por estudantes de enfermagem para revisar conteúdos de estudos é a utilização dos vídeos do YouTube. Mas até que ponto estes vídeos devem ser seguidos a risca?

 Novas tecnologias de ensino têm sido, cada vez mais, utilizadas no processo de aprendizagem dos cursos de graduação em saúde, o que fortalece o processo de mudança e aprimoramento do conhecimento. Desse modo, o advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC's) pode ser visto como um elemento que visa auxiliar, reunir e garantir a melhoria do repasse de informações destinadas aos acadêmicos. Essas mídias utilizam-se de um conjunto de características específicas, como a interatividade, inovação, digitalização, automatização, conexão e diversidade, proporcionando ao docente uma gama de instrumentos que podem auxiliar no processo de ensino para os alunos. As TIC's, nesse ínterim, podem ser encaradas como um elemento facilitador e, ainda, propiciador de novas linguagens no espaço educacional. Assim, possibilitam ao estudante diversificar e ampliar o conhecimento sobre temas específicos de sua formação e motivar o desenvolvimento do espírito investigativo na busca de evidências fundamentadas para a tomada de decisão frente aos problemas da prática clínica.

  Apreende-se que o aprendizado de enfermagem requer peculiaridades específicas da profissão, afinal os alunos, frequentemente, se deparam com situações complexas que envolvem o cuidado com a vida do outro, o que requer um amadurecimento do acadêmico, bem como uma boa técnica a fim de garantir uma assistência segura e livre de erros. Nesse ínterim, uma ferramenta que ganha destaque é o uso dos vídeos como uma tecnologia do ensino-aprendizagem dos alunos de enfermagem, tanto em nível técnico profissionalizante como em nível da graduação. Afinal, os vídeos servem como apoio e auxiliam o professor a orientar atividades práticas que são típicas da profissão, simulando o ambiente, o profissional, a situação de assistência e o paciente. Com isso, o aluno é capaz de anteceder as suas principais necessidades e dúvidas que possam existir antes de se encontrar inserido em um momento de atividade prática real. 

Nesse sentido, a internet realça-se enquanto principal fonte de vídeos, isso por meio de plataformas virtuais como o YouTube. Todavia, em contraponto à facilidade de acesso aos vídeos em tal meio de divulgação, tem-se a ausência de controle de qualidade dos mesmos, isso porque não há qualquer restrição de postagem no que concerne à adequação do procedimento veiculado pela mídia divulgada nesse cana

Sabe-se que o cateter vesical é um importante recurso na assistência à saúde, no entanto, seu uso é frequentemente excessivo e depois de inserido, muitas vezes permanece por tempo muito maior do que o necessário.E  o fator de risco mais importante para infecção do trato urinário (ITU). Uma única cateterização associa-se com o risco de 1 a 2% de desenvolver ITU e o risco cumulativo é de 5% ao dia. A ITU associada ao cateter vesical pode representar até 40% das infecções hospitalares e aumenta em cerca de três dias o tempo de internação, podendo complicar com bacteremia e óbito.

De acordo com a pesquisa realizada pela Universidade, foram analizados 32 videos, dos quais nenhum estava de acordo com padrões estabelecidos pela literatura; dentre os principais erros encontrados, destacam-se a ausência de lavagem das mãos, a falta de registro no prontuário, a ausência de limpeza e secagem do paciente no término do procedimento, a técnica incorreta durante antissepsia e a falta de troca de luvas.

Estima-se que cerca de 20% a 50% dos pacientes hospitalizados são submetidos a cateterização vesical e alguns estudos sugerem que até de 38% dos médicos podem desconhecer que o seu paciente está sondado, o que contribui para que o cateter vesical seja mantido além do tempo necessário. Realça-se, nesse sentido, a importância da etapa de prescrição do procedimento, com verificação da indicação.  Estima-se que cerca de 20% a 50% dos pacientes hospitalizados são submetidos à correta, a qual foi demonstrada em apenas dois vídeos. E algo preocupante a fato de quase 100% dos vídeos analisados estarem inadequadas.

Desse modo, sabe-se que grande parte desses vídeos necessita de uma triagem, baseada em um protocolo de ensino, que garanta a eficácia e o objetivo da simulação que será passado aos alunos, já que, quando se abordam aspectos relacionados à assistência à saúde, as informações podem resultar em ações e/ou pensamentos errôneos. Destaca-se, nesse contexto, o uso dos vídeos para o ensino dos procedimentos de enfermagem e, dentre esses, a técnica do cateterismo urinário de demora masculino, processo amplamente utilizado na prática clínica da enfermagem e que, quando executado incorretamente, é o fator de risco mais importante para infecção do trato urinário (ITU). Dentre as limitações do estudo, realça-se a dificuldade de busca do YouTube, já que não há uma estratificação dos vídeos quanto às categorias, bem como a escolha da categoria se dá pelo responsável pela postagem e, portanto, na maioria das vezes, não condiz com o conteúdo veiculado pelo vídeo. 

Tendo em vista que o YouTube é sítio mais difundido entre os usuários de internet e que muitas pessoas usam-no como fonte de pesquisa, enfatiza-se a importância da análise da qualidade e fidelidade das informações postadas. Além disso, compreende-se que a seleção e a produção adequadas dos vídeos podem oportunizar de forma apropriada a sua utilização em espaços de treinamentos e aulas didáticas

O estudo conclui dizendo que, apesar de o sítio de compartilhamentos de vídeos YouTube ser uma ferramenta amplamente difundida atualmente, há uma carência de vídeos que reproduzam a técnica de acordo com o que é preconizado na literatura.

 

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