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Marcha da maconha em São Luís

Marcha da maconha em São Luís

Dia 27 de maio de 2017, às 16h, pessoas de vários bairros de São Luís se reuniram na Praça Das Árvores, no Cohatrac, para a realização da Marcha da Maconha.

O Coletivo Xila Ilha, saiu às ruas do bairro sob os murmúrios de frases como:  "isso é um absurdo!" e também "é isso aí, legalize já!" de algumas pessoas que presenciavam a cena, exclamando seus direitos e vontades com o tema: Contra o extermínio da juventude negra- legalizar salva vidas. A Marcha da Maconha, é um evento que acontece uma vez por ano, no mês de Maio, em vários países, por mudanças relacionadas  a cannabis (nome científico da maconha) como a legalização e regulamentação de comércio e uso. Um dos organizadores da Marcha de 2017, Ailton Penha, mestre em História Social pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), conta um pouco sobre o movimento em São Luís.

C.I.: Por que vocês decidiram ir às ruas?

Ailton: A marcha da Maconha já vem sendo realizada há tempos em vários estados do país. Hoje existem vários coletivos antiproibicionistas que debatem e propõem ações para uma nova forma de tratar a questão das drogas. Assim, vamos para rua para: fomentar o debate sobre a legalização da Maconha; exigir uma nova política de drogas para o país e combater a guerra às drogas, pois esta se manifesta na forma de repressão e controle social à pessoas subalternizadas e lugares socialmente excluídos.              

C.I. : O que significa para vocês a legalização da maconha?

Ailton: Legalizar a maconha significa por em xeque a hipocrisia da sociedade brasileira, pois o álcool e o tabaco, mesmo causando danos a saúde, são vendidos livremente. Para além disso, legalizar a maconha também passa por ter essa planta no leque das plantas medicinais e as pesquisas na busca de cura de várias doenças ficam mais fáceis de serem realizadas. O fato é que legalizar também passa por regulamentar o uso, os pontos de vendas, quem vai poder comprar, a quantidade que cada um vai poder comprar e a qualidade e procedência da maconha consumida.

C.I.: Na concepção de vocês qual o motivo de a maconha ainda não ter sido legalizada?

Ailton: A ilegalidade é lucrativa! Existem dados que afirmam que o montante movimentado pelo tráfico de drogas é superior a economia de vários países. Acreditamos que os grandes traficante tem influência política e por isso ainda não legalizaram.

C.I.: O tema de vocês é: Contra o extermínio da juventude negra. Em que sentido a legalização poderia por fim ao "extermínio" da juventude negra?

Ailton: O Brasil carrega em sua história uma marca chamada racismo. Esse racismo se manifesta de várias formas e uma delas é a construção do estereótipo do marginal padrão, onde os negros são apontados como tais. A guerra às drogas penaliza a juventude negra, a polícia em suas ações tem atingido principalmente esse setor da população brasileira, assim compreendemos que a legalização pode treinar esse derramamento de sangue.

C.I.: Ser usuário da maconha pode te fazer prejudicar alguém em algum sentido?

Ailton:  Uma pessoa faz mal a outra estando sóbrio. O uso em si não faz ninguém causar dano a alguém. O que faz isso é a índole da pessoa. O álcool que é legalizado faz com que as pessoas percam a noção e daí os casos de violência.

C.I.: Vocês pretendem realizar outras marchas?  

Ailton: Esta foi a primeira que de fato aconteceu. Houveram outras tentativas, mas de fato não ocorreram. O Coletivo Xila Ilha surgiu tendo como um de seus objetivos a construção da marcha, depois de ontem nossas ações serão pautadas no debate da legalização e a construção da Marcha da Maconha ano que vem novamente.

Gabryela Azevedo


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Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 05/06/2017

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