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Enfermeira Alessandra Pontes vence preconceito e cria grupo no Outubro Rosa

Enfermeira Alessandra Pontes vence preconceito e cria grupo no Outubro Rosa

Enfermeira Alessandra Pontes vence preconceito e cria grupo no Outubro RosaEnfermeira Alessandra Pontes vence preconceito e cria grupo no Outubro RosaAlessandra Pontes conta detalhes de suas reações e desafios emocionais após diagnóstico.

Ser diagnosticada com câncer de mama no Dia Internacional da Mulher (8 de março) parece um baque e tanto, porém, não para a enfermeira Alessandra Pontes. Ela que recebeu o resultado como uma missão no auge de sua carreira e com os seus 38 anos de idade, contou detalhes de como foi a sua reação, desafios emocionais e psicológicos. A força dela foi tamanha que após as cirurgias, - a primeira para a retirada da mama, - criou um grupo de apoio na capital alagoana em parceria com instituições de São Paulo.

“Enquanto as mulheres estavam recebendo flores e presentes, eu recebi a notícia de que estava com câncer de mama”, lembrou. Alessandra Pontes contou que fez o autoexame enquanto assistia um telejornal, e assim, descobriu alterações na sua estrutura mamária, em seguida fez a biopsia e foi diagnosticada com o câncer de mama. “Estava no auge da minha carreira, 38 anos, e preste a concluir o mestrado. Coloquei a mão na cabeça e me questionei do porque, chorei três dias, mas depois parei e pensei: isso não é um castigo é uma missão”.

Ela lamentou que o olhar se volte para o câncer de mama apenas em outubro por conta da campanha, sendo o câncer a segunda doença que mais mata no Brasil. “O câncer de mama não acontece somente no mês especifico, a gente que vive no tratamento sabe que todos os dias aparecem os casos”, frisou. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) aponta que até o final de 2016, o câncer de mama atingirá mais de 500 mil mulheres brasileiras.

Segundo Alessandra, o momento mais difícil foi saber que tinha que fazer a mastectomia (amputação do seio), porque os seios têm muitos significados, como feminilidade, beleza, sedução e maternidade. No entanto ela levantou a cabeça e decidiu sorrir, aceitando que ficaria mais bonita do que já era. “Afeta sim o psicológico, mas sempre procurei me trabalhar porque são muitos os efeitos de uma quimioterapia, muda a rotina, deixa de fazer coisas habituais. Sempre foquei na solução e não no problema”, salientou.

A campanha Outubro Rosa deste ano tem o objetivo de fomentar a discussão sobre o diagnóstico e o rastreamento precoces, medidas essenciais para reduzir a mortalidade. Alessandra Pontes diz que o diagnóstico precoce é fundamental por meio do autoexame porque faz com que a mulher conheça e perceba as mamas, sobretudo logo após a menstruação.

SUPERAÇÃO E ATITUDE

Para Alessandra Pontes a insegurança inicial é comum, mas pode ser superada, principalmente através da fé. As informações repassadas pela equipe médica acerca do prognóstico, tratamento e reações esperadas são importantes para o equilíbrio emocional da mulher acometida com a doença, mas a tranquilidade veio com a espiritualidade por meio da religião.

“Já sabia da gravidade por ser enfermeira, por isso não quis perder tempo, fui fazer o tratamento em São Paulo no A.C. Camargo, hospital oncológico sem planejamento algum. Acreditei em dias melhores e a fé me ajudou muito no processo de cura porque passei por uma bateria de exames, não é fácil, mas optei por focar no positivo. Pedia respostas a Deus e ele me enviava sinais desde a escolha do médico até o receituário das medicações”, revelou.

“A fé tem uma importância enorme, fez com que percebesse coisas que antes não notava. A corrente de oração pedindo por mim me deixou bem tranquila. Toda cura é um milagre, por enquanto ainda estou na ‘quarentena’, e só vou saber de fato se estou ‘livre’ em 2018, mas na minha cabeça já me sinto curada”, explicou.

GRUPO DE APOIO

Alessandra Pontes criou o grupo “Superação Sem Fronteiras” com o intuito de apoiar mulheres com câncer de mama e trabalhar sua autoestima em Alagoas. As visitas são realizadas em hospitais e clínicas levantando a autoestima das mulheres através de kit de maquiagem.

De acordo com a enfermeira, as mulheres aprendem a se maquiar e ficar mais bela. “O cabelo pode cair, mas a mulher não deixa de ser bela, porque a beleza é interior. Ensinamos as mulheres a valorizarem os traços até que o cabelo apareça novamente”, destacou.

Ela frisou também que conta com parcerias do grupo Renascer e Feminina, além da loja Bless (roupa de banho) e voluntárias que confeccionam turbantes e ‘almofadas do coração’ construídas anatomicamente para pacientes que retiraram a mama, de forma que a coloca embaixo do braço como descanso.

Alessandra avisou que na Bless, por exemplo, há biquínis com prótese para aquelas mulheres que fizeram a mastectomia, porém optou por não colocar a prótese.

“Quem tiver interesse em se voluntariar basta me adicionar na página do Facebook Alê Pontes”, convidou. Otimista ela lembrou ainda de que Maceió não tinha calendário de programação do Outubro Rosa, e em 2014, teve início no sentido de alertar a sociedade acerca da problemática.

A enfermeira concluiu que o trabalho é de formiguinha, no entanto bastante gratificante, embora não haja verba suficiente, todo esforço por esta causa se torna válido, pois se trata de vidas e cada minuto é precioso para quem é acometido pela doença.

Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 14/03/2017

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