Sou Enfermagem

As minhocas são utilizadas como remédio

As minhocas são utilizadas como remédio

Parentes das lombrigas, elas são vermes parasitas da família Lumbricus. 

Feias, sujas de terra e, para piorar, são repugnantes para a maioria das pessoas - exceto os pescadores, que sabem como os peixes as apreciam. Ou para os horticultores, que conhecem o valor da terra por ela habitada. 

Agora, também os cientistas estão descobrindo novas virtudes nas minhocas. Elas começam a ser vistas como solução ecológica para tratamento do lixo, matéria-prima para medicamentos de diversas espécies e até como fonte de proteína para a alimentação animal - e humana.  Elas não são nem um pouco prejudiciais à saúde humana, apesar do seu aspecto repugnante e do parentesco com vermes parasitas. Pelo contrário: elas produzem substâncias com propriedades medicinais, uma qualidade que já é conhecida há séculos, mas somente agora está sendo aproveitada.  Já foram catalogados 8.000 espécies de minhocas. Vivem em terrenos úmidos, porém pouquíssimas podem ser criadas em cativeiro, pois foi na Califórnia que, por volta de 1930, foi desenvolvido o projeto para a criação em cativeiro, para objetivar a longevidade.

As minhocas são hermafroditas: cada minhoca possui dois sexos, um masculino e outro feminino. Entretanto, para se reproduzirem, são necessárias duas minhocas para realizarem uma fecundação dupla, formando um casulo cheio de ovos, de onde nascerão pequenas minhocas.

A minhoca é utilizada como remédio desde os mais remotos tempos na China, onde recebe o nome de "chiu-yin" e no Japão "chiu-kyuin", conforme citações do livro "Pen Tsao Kang Mu" de autoria de Li Shih Chen, maior autoridade na pesquisa de espécies de plantas, animais e minerais usados como medicamentos na China.

Na medicina, a minhoca é citada como medicamento na cura da hipertensão, doenças do colesterol, bronquite, cálculo de vesícula, febre, hemorroidas, impotência sexual, micoses e outras doenças da pele, reumatismo, paralisia cerebral, anemia, emagrecimento, certos tipos de câncer e até Aids. O que podemos com certeza afirmar é que análises laboratoriais na indústria farmacêutica confirmam a presença das seguintes substâncias já utilizadas: tirosina, lubrofoebrina e praticamente todas as vitaminas do complexo B, além de sais minerais.

No Brasil, já existem empresas pesquisando a produção de uma farinha de minhoca para ser utilizada, por enquanto, como ração animal. Mas já se pensa na possibilidade de incluí-la na dieta humana. Segundo a farmacêutica Lucette Morais, que deu consultoria à empresa Minhoca e Cia, empresa de Brasília produtora de húmus, a farinha de minhoca chega a ter 78% de proteína. "Ela é a melhor fonte protéica de origem animal", garante. "Além disso, tem vitaminas e sais minerais." Lucette considera, no entanto, que deve haver um rígido controle de qualidade na produção da farinha, seja para consumo humano ou animal, com um cuidado que começa na seleção do local onde serão criadas, que não pode ter elementos contaminantes.

As minhocas vivem no meio do lixo, têm uma pele fininha, sem qualquer proteção aparente e, mesmo assim, sobrevivem livres de infecções. Qual é o segredo dessa saúde de ferro? "É que ela possui antibióticos naturais dentro dela", simplifica Lucette Morais. Por isso, as minhocas também estão na mira dos pesquisadores de medicamentos e cosméticos. Uma das linhas de pesquisa detém-se sobre o colágeno que compõe o líquido celomático da minhoca, aquela gosma que a cobre.

Ele está sendo pesquisado na Alemanha para utilização em pomadas cicatrizantes e cosméticas. Segundo o biólogo Gilberto Righi, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, esse líquido expelido pelos poros dorsais da minhoca tem ação bactericida. "Ele serve para que a minhoca se proteja do material contaminado e também para manter sua pele úmida." E ele conta que, no Brasil, agricultores japoneses da região de Registro, São Paulo, costumam tomar chá de minhoca para tratar dor de garganta. Na Colômbia, pesquisa-se a produção de antibióticos. 

As substâncias riboflasina e lumbofibroproteína, encontradas no organismo deste animal, apresentam propriedades desinfetantes. E a substância lumbrofoebrina, produzida pelo seu tubo digestivo, exala um odor com propriedade anti-hipertensiva. Pesquisas genéticas com minhocas também estão levando os cientistas a desvendar caminhos para a cura da diabetes e para retardar o processo de envelhecimento do ser humano.




Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 28/09/2018

Este site usa cookies para fornecer serviços e analisar tráfego. Ao usar o site, você concorda com o uso de cookies. Saiba mais. Entendi