Sou Enfermagem

A Enfermagem se manifesta contra a entrevista no Jornal do Amapá

A Enfermagem se manifesta contra a entrevista no Jornal do Amapá

Vamos Respeitar a Enfermagem e falar dela de forma digna e com respeito.

O Conselho Regional do Amapá - COREN-AP, responsável pelo pela regulação do exercício profissional da enfermagem no campo da assistência a saúde, torna público o REPÚDIO a postura da apresentadora #AlineFerreira do Jornal do Amapá 1ª edição e do médico obstetra, Dr. Fábio Gato, vindo esclarecer a população amapaense sobre atuação do enfermeiro, no âmbito da saúde coletiva, no componente de assistência a saúde da mulher, no programa Pré-natal. 
Foi vinculada entrevista, no Jornal do Amapá 1º edição no último dia 15 de agosto, com o médico obstetra Fábio Gato, tratando da alta incidência de Nascimento prematuro em nosso Estado, na maternidade Mãe Luzia, tendo como eixo norteador a assistência pré-natal deficiente que as gestantes tinham acesso, como principal causa desse índice alarmante de partos prematuros. 
A apresentadora Aline Ferreira questionou o médico, de maneira infeliz, com a seguinte pergunta “[...] quantas vezes no mínimo elas precisam de um acompanhamento médico, ser consultadas por um obstetra, claro né, um médico especialista, NÃO UM ENFERMEIRO COMO INFELIZMENTE ACABA ACONTECENDO EM MUITAS CIDADES [...]” (Aline Ferreira: 2’38” a 2’49”).
Devemos esclarecer que o componente pré-natal, no que se refere à saúde da mulher no Brasil, é regulado pela Portaria nº 1.459/2010/MS que cria a Rede cegonha, bem como as demais legislações de saúde como a PNAB 2.436/2017/MS, entre outras. Cada profissional da equipe multiprofissional de saúde tem sua responsabilidade legal, ética e técnica de conduzir a assistência pré-natal de acordo com sua habilitação legal, os protocolos instituídos pelo Ministério da Saúde e os pactos Mundiais no qual o Brasil e signatário junto a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e Organização Mundial de Saúde (OMS).
O desfecho negativo de uma gestação, com o nascimento de recém-nascidos prematuros, culminando com ocorrência de mortalidade neonatal é fator preocupante em âmbito mundial. Tal cenário faz com que países desenvolvidos com sistema de saúde sólido e entidades como Organização das Nações unidas (ONU) destaque o papel fundamental da atuação do enfermeiro na assistência a gestante no pré-natal, como indicador positivo de qualidade, redução de nascimento prematuro, diminuição de partos cesáreos e diminuição da mortalidade materno-infantil, entre outros. 
Segundo a ONU Brasil “estima-se que faltarão 9 milhões de enfermeiros, enfermeiras e parteiras no mercado para satisfazer as necessidades da população mundial até 2030” (ONUBr, 2018), principalmente no campo da assistência pré-natal, no parto e puerpério. Campanha que tem com embaixadora mundial a princesa da Inglaterra Kate Middleton, a qual teve parto com enfermeira obstetra e saiu de alta da maternidade após 7 (sete) horas de pós-parto, sinalizando ao mundo a importância do profissional enfermeiro na assistência a gestação. 
Assim, o COREN-AP declara que FELIZMENTE a gestante amapaense, e de muitas cidades no Brasil, tem a oportunidade de ser atendida por enfermeiros capazes de prestar assistência de qualidade a grávida, família e comunidade no componente pré-natal. Como em inúmeras publicações científicas que corroboram o protagonismo do enfermeiro com medida impar para reduzir os indicadores negativos de assistência à mulher no Brasil.
O médico obstetra Fabio Gato completou a indelicadeza e disparate, mesmo dizendo anteriormente que enaltecia a figura dos outros membros da equipe multidisciplinar no atendimento a gestante, “[...] o pré-natal deve ser FEITO BASICAMENTE PELO MÉDICO, logicamente que a gente tem as consultas de enfermagem, as consultas de nutrição, aaaaa.... grande solução para o parto prematuro é o pré-natal. Que significa o pré-natal? É a prevenção e o cuidado que você tem, VOCÊ MONITORA A SUA PACIENTE durante nove meses, ela entra em consulta mensalmente, você vai monitorando, pedindo exames, evitando um quadro infeccioso, por exemplo... como por exemplo a própria infecção de urina que chega a ser um fantasma na vida da gestante, ou seja, sempre ela tem a possibilidade de ter, então instalado a infecção de urina a paciente pode imediatamente entrar em trabalho de parto se não for tratada [...], (Fabio Gato: 2’50” a 3’50”).
Não desmerecendo a assistência do profissional médico que é fundamental para assistência compartilhada a gestante, este Conselho entende que as usuárias do pré-natal devem ser PLENAMENTE ATENDIDAS por todos os participantes da equipe multiprofissional, não devendo o pré-natal se resumir a pedidos de exames e monitoramento da grávida por um único profissional médico, um processo de compreender a assistência à saúde de forma limitada e ultrapassada. Fazendo de forma equivocada que a comunidade entenda que apenas o profissional médico tem a capacidade de assistir a grávida no pré-natal.
Sentimos falta, na fala do colega médico, com toda a vênia possível, da abordagem da educação em saúde na gestação. Papel que o enfermeiro defende como processo imprescindível para reduzir morbimortalidade durante a gestação. Não se pode reduzir o pré-natal ao diagnóstico de patologias apenas com a análise isolada da clínica laboratorial mensalmente.
O enfermeiro desempenha um papel fundamental na assistência a gestante. A Lei Nº 7.498/86 – Lei do exercício Profissional de enfermagem – habilita o profissional enfermeiro em exercer a plena função da assistência à saúde em qualquer ciclo de vida, inclusive na assistência a gravidez (pré-natal), parto e nascimento. Realizando consultas, solicitando exames, realizando diagnósticos e prescrevendo os medicamentos de protocolos estabelecidos pelo sistema único de saúde, sem quaisquer prejuízos a gestante sobre sua assistência.
De acordo com o código de ética dos profissionais de enfermagem, Resolução COFEN Nº 564-2017, artigo 1º “é direito do profissional de enfermagem exercer a enfermagem com liberdade, segurança técnica, científica e ambiental, autonomia, e ser tratado sem descriminação de qualquer natureza, segundo os princípios e pressupostos legais, éticos e dos direitos humanos.” 
Assim, nota-se que não só os enfermeiros, mas toda a enfermagem do Amapá e do mundo, sente-se desrespeitada, descriminada e colocada como opção de atendimento profissional inferior e desqualificada para atendimento a gestante, na fala da apresentadora e do médico.Desta forma, solicitamos a redação da emissora responsável pelo telejornal que se retrate formalmente pelo fato ocorrido, bem como ao Conselho Regional de Medicina do Amapá a retratação da ofensa dirigida ao enfermeiro pelo profissional médico. Não obstante ser plausível, entrarmos com as medidas judiciais cabíveis ao fato, caso não sejam atendidos as demanda exauridas por este conselho. Emília Pimentel.
Presidente do COREN-AP


ÚLTIMA HORA:

A presidente do COREN-AP torna público a insatisfação com a nota de retratação apresentada pelo Jornal do Amapá 1°ed. nessa sexta-feira (17/08).“Fomos colocados na entrevista como opção desqualificada para atendimento a gestante, precisamos dar voz ao enfermeiro para divulgar sua real atuação no pré-natal” afirmou a Dra. Emília Pimentel. Aguardaremos a resposta formal da emissora ao COREN quanto a solicitação de espaço para esclarecer a população do estado sobre a relação pré-natal, nascimento prematuro e a atuação do enfermeiro nesse contexto.Reiteramos que as medidas judiciais cabíveis estão sendo encaminhadas por nossa procuradoria.


Fonte:

#SouEnfermagem




Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 18/08/2018

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