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Cuidando do cliente com agravos respiratórios em urgência e emergência

Cuidando do cliente com agravos respiratórios em urgência e emergência

Para fundamentar sua atuação junto a clientes com agravos respiratórios em serviços de atenção às urgências e emergências, abordaremos as causas, os fatores de risco, a fisiopatologia e o tratamento, estabelecendo-se a correlação com os cuidados de enfermagem.

Dentre os agravos respiratórios destacam-se a insuficiência respiratória, a asma, a embolia pulmonar e edema agudo de pulmão. Sabemos que a incidência de problemas respiratórios é maior nos meses de inverno, principalmente em crianças e idosos. Segundo pesquisa coordenada pelo professor Saldiva, do Departamento de Poluição Atmosférica da FMUSP, nessa estação do ano a procura por pronto-socorros infantis aumenta cerca de 25% no município de São Paulo. Aponta ainda que nesse mesmo período a taxa de mortalidade de idosos acima de 65 anos aumenta em torno de 12%. Segundo o pesquisador, esses números indicam os chamados efeitos agudos da poluição, considerada um dos fatores de risco para a maior incidência de problemas respiratórios.


Em atenção às urgências, a insuficiência respiratória (IR) destacase como um dos agravos que requer atenção especial devido a sua gravidade. Está relacionada à incapacidade do sistema respiratório em manter as trocas gasosas em níveis adequados, resultando na deficiência de captação e transporte de oxigênio (O2) e/ou na dificuldade relacionada à eliminação de gás carbônico (CO2).Pode ser classificada em aguda e crônica. Esta classificação é eminentemente clínica, baseada na maior ou menor rapidez em que surgem os sintomas e sinais clínicos, acompanhados por alterações evidenciadas por meio de exames laboratoriais e outros métodos diagnósticos.


Em condições fisiológicas e repouso, o lado direito do coração envia para a circulação pulmonar
cerca de 5 litros de sangue por minuto. Ao passar pelos capilares ocorre a hematose, com captação
de oxigênio pela corrente sanguínea e eliminação de CO2 para os alvéolos. Para que estes 5
litros de sangue regressem para o lado esquerdo do coração como sangue arterial, é necessário
que no mesmo intervalo de tempo circule pelos alvéolos cerca de 4 litros de ar.
Em caso de diminuição da ventilação alveolar surge a hipoxemia.
Esse fato pode ocorrer quando um grupo de alvéolos está parcialmente
ocupado por líquido ou quando a via aérea está parcialmente
obstruída. Com o agravamento do quadro, a ventilação
de uma área considerável do pulmão poderá entrar em colapso,
originando um verdadeiro “curto-circuito” ou shunt e retenção
de CO2, caracterizando a hipercapnia.

Para avaliar as condições de ventilação pulmonar do paciente
utiliza-se o exame de gasometria, cuja variação da medida dos
gases e outros parâmetros podem ser analisados no sangue arterial
ou venoso. A gasometria arterial é mais utilizada e os valores
normais são:
Parâmetros................ Valores de normalidade
pH.............................. 7,35 a 7,45
PaO2........................... 80 - 90 mmHg
PaCO2......................... 35 - 45 mmHg
Bicarbonato............... 22 - 26 mEq/L
Excesso de base........ -2 a +2 mEq/L
Saturação de 02......... 96 - 97%
É muito importante que, ao receber o resultado da gasometria arterial, o técnico de enfermagem
comunique imediatamente o enfermeiro e o médico, pois este exame é relevante para a reavaliação
da terapêutica.
As manifestações clínicas da IR dependem necessariamente dos efeitos da hipoxemia, da hipercapnia
e da ação sinérgica sobre os tecidos nobres do organismo. O sistema nervoso é o mais
vulnerável a estes mecanismos fisiopatogênicos, seguido pelo rim, coração e fígado, justificando
assim o predomínio dos sintomas neurológicos na insuficiência respiratória.
Podemos observar os efeitos da hipoxemia sob dois aspectos:
1) Ação indireta no sistema nervoso vegetativo, por meio da produção de catecolaminas,
originando:
• alteração do padrão respiratório: taquipneia e polipneia;
• alteração da frequência cardíaca: taquicardia, com aumento da velocidade de circulação
e do débito cardíaco, devido a ação sobre os centros vegetativos cardiocirculatórios;
• hipertensão pulmonar: pode condicionar sobrecarga do coração direito por
vasoconstrição da artéria pulmonar e dos seus ramos;
• poliglobulia: por estimulação da medula óssea.
2) Ação direta, depressora nos tecidos e órgãos, como:
• cianose: devido ao aumento da carboxihemoglobina no sangue;
• insuficiência cardíaca: ocasionando o cor pulmonale como resultado da sobrecarga
cardíaca direita e das lesões induzidas pela hipóxia no miocárdio;
• confusão, convulsões e coma: resultantes da irritação e depressão dos neurônios;
• uremia, anúria e insuficiência renal: por ação direta da hipoxemia sobre as estruturas
nobres do rim.

A hipercapnia moderada determina duas ações simultâneas e contrapostas sobre o sistema nervoso
central e cardiovascular:
• a elevação do PaCO2 exerce um estímulo sobre a medula suprarrenal aumentando a
secreção de catecolaminas, desencadeando a vasoconstrição, hipertensão e taquicardia;
• para a ação de vasoconstrição das catecolaminas é necessária a presença de terminações
do sistema nervoso vegetativo, encontradas nos vasos do organismo, exceto no cérebro.
Portanto, sobre a circulação cerebral, produz vasodilatação e cefaleia.
O efeito estimulante da hipercapnia origina agitação
e agressividade. Ao deprimir o centro respiratório,
determina a oligopneia e apneia, ao mesmo tempo
em que atua sobre o neurônio, deprimindo-o e acarretando
sonolência, confusão, coma e vasodilatação
paralítica.
O organismo tenta eliminar CO2 com uma respiração
profunda e rápida, mas este tipo de respiração
pode ser inútil, se os pulmões não funcionam com
normalidade.
Em geral, a hipercapnia não ocorre durante a prática de exercícios físicos, apesar do aumento
da ventilação-minuto. No estudo em grupo, analise os fatores relacionados a esta condição.
Peça auxílio ao professor.

Se a insuficiência respiratória se desenvolver lentamente, a pressão nos vasos sanguíneos dos
pulmões aumenta, provocando a hipertensão pulmonar. Sem um tratamento adequado, ocasiona
danos aos vasos sanguíneos, dificultando a transferência de O2 para o sangue e sobrecarregando
o coração, provocando insuficiência cardíaca.
Os recém-nascidos e bebês apresentam vulnerabilidade significativa para infecções virais ou bacterianas
devido à imaturidade do sistema imunológico. Essas infecções podem evoluir para infecção generalizada,
contribuindo para o desenvolvimento da IR.
Muitos bebês com insuficiência respiratória hipóxica têm a doença com pulmões irregulares,
apresentando áreas no pulmão com um bom fluxo de ar e zonas onde há pouco ou nenhum fluxo. Nas
áreas com bom fluxo de ar, a troca de gases se realiza facilmente. Porém, nas zonas onde não há fluxo
de ar ou este é muito pobre, a hematose não é adequada e o sangue passa pelos pulmões sem absorver
o oxigênio e sem eliminar o dióxido de carbono. O óxido nítrico é um gás administrado aos pulmões,
causando um aumento no fluxo local do sangue nas áreas do pulmão onde o fluxo de ar é melhor,
favorecendo o processo fisiológico na hematose.
O diagnóstico da IR baseia-se na anamnese, investigando a história pregressa de bronquite, asma,
enfisema ou outra doença pulmonar como aquelas desencadeadas por inalações de substâncias
químicas ou relacionadas à exposição ocupacional. Associar também quadros relacionados a pulmão
policístico, mucoviscidose ou infecção respiratória aguda grave.
O exame físico realizado pela equipe médica inclui a palpação, ausculta, inspeção com o intuito
de identificar possíveis lesões torácicas, abaulamento, afundamento, entre outros.
A condição clínica do cliente e a análise dos antecedentes familiares têm relevância para a investigação
diagnóstica, como a obesidade acentuada, o diabetes e doenças cardíacas.
A avaliação do resultado da gasometria arterial, ao revelar
a presença de hipoxemia isolada ou em combinação com
hipercapnia, com ou sem acidemia, confirmará o diagnóstico.
Os métodos de diagnóstico por imagem também contribuem
na identificação e diferenciação por outras causas.
O exame objetivo reforça a suspeita de IR, particularmente se o indivíduo apresentar dificuldade
respiratória com taquicardia e polipneia; sudorese e congestão facial; cianose; sinais auscultatórios
de obstrução brônquica; crepitações típicas de fibrose pulmonar; dedos em baqueta de
tambor; elevação súbita de tensão arterial (retenção brusca de anidrido carbônico); obnubilação,
agitação psicomotora, pré-coma e coma.
Assim sendo, inicialmente, a oxigenoterapia em alto fluxo
é necessária na maioria dos casos, exceto nos cuidados ao
cliente portador de patologia respiratória crônica. Nesses
casos, quando recebe oxigênio em demasia, a respiração
tende a se tornar mais lenta.

A causa subjacente também deve ser tratada; antibióticos são utilizados para combater a infecção
e outros medicamentos, como broncodilatadores, são amplamente indicados. Quando
o tecido pulmonar está gravemente afetado, os corticosteróides podem ser administrados com
cautela para diminuir o processo inflamatório. O uso sistêmico destes fármacos pode causar
várias complicações, incluindo redução da força muscular. Apresentam melhor resultado nas
pessoas que sofrem de doenças que provocam inflamação pulmonar ou das vias aéreas, como
asma e reações alérgicas.
Conforme a gravidade, alguns indivíduos necessitam de suporte ventilatório. É importante
manter o equilíbrio do pH sanguíneo, ajustando a frequência respiratória ou utilizando medicamentos para correção da acidemia. São indicados também os medicamentos para tranquilizar o cliente, reduzindo a necessidade e consumo de oxigênio do organismo, facilitando a ventilação pulmonar. O controle cuidadoso da quantidade de líquido no organismo é imprescindível
para otimizar a função pulmonar e cardíaca. Nesse sentido, o balanço hidroeletrolítico deve ser
realizado com muita cautela e atenção.


O cuidado de enfermagem seguro e livre de riscos tem implicações na saúde do cliente.
Converse com os colegas, no local de trabalho e em sala de aula, sobre a importância de realizar
o balanço hidroeletrolítico corretamente. Analise os fatores que influenciam nos cálculos e as
consequências decorrentes das inadequações durante o procedimento.

Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 14/03/2017

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