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Em pesquisa 15 enfermeiros falam sobre a morte e o morrer dos pacientes terminais

Autor: Sou Enfermagem Em: 04/07/2019

Em pesquisa 15 enfermeiros falam sobre a morte e o morrer dos pacientes terminais

Embora a morte  esteja  presente  no  cotidiano  dos  profissionais  da  saúde  este  sentimento  de  fracasso  ainda  se  torna  um  processo  muito  difícil de aceitar e lidar perante esta situação.

Essas perguntas e respostas a seguir fazem parte de uma pesquisa realizada com 15 enfermeiros que teve como objetivo discutir sobre enfretamento do enfermeiro diante do processo morte e morrer dos pacientes terminais, pois mesmo sabendo que a morte é algo que faz parte do ciclo natural de vida, os mesmo ainda não conseguem lidar com isso no dia-a-dia.

Os profissionais de saúde sentem-se responsáveis pela manutenção da vida de seus pacientes, e acabam por encarar a morte como resultado acidental diante do objetivo da profissão, sendo esta considerada como insucesso de tratamentos, fracasso da equipe, causando angústia àqueles que a presenciam.

A sensação de fracasso diante da morte não é atribuída apenas ao insucesso dos cuidados empreendidos, mas a uma derrota diante da morte e da missão implícita das profissões de saúde: salvar o indivíduo, diminuir sua dor e sofrimento, manter-lhe a vida.

A abordagem utilizada na pesquisa foi do tipo qualitativa descritiva exploratória e teve como população-alvo 15 profissionais de Enfermagem que atuam em Hospital da cidade de São Gonçalo e contém entrevista como instrumento de coleta de dados contendo 10 perguntas.

Veja a seguir as perguntas e respostas.


ENFERMEIRO 01

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°1: Como uma passagem, é apenas uma estágio que a gente está completando no ciclo natural da vida.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°1: É bem complicada. Porque a enfermeira ela não atua só no processo da morte, atua também no pós-morte agente também atua, então agente tem que amparar a família, e não só no cuidado do paciente, mas acho que o cuidado principal que temos que ter nesse sentido, é o cuidado com toda a família nesse contexto.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°1:Sinceramente é um dos mais dolorosos no processo da enfermagem, porque gente já tem a tendência de não querer chegar perto do paciente, não se envolver com ele, porque a gente sabe que ele vai ter a uma partida né?!

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°1: Não, não existe. A gente lida com a morte como se fosse mais uma etapa, mas a gente não tem nenhuma especialização nesse sentido.

5.  O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°1:Além de dar os analgésicos ?!...É fazer com que o paciente e a família entendam que é só um processo, que faz parte do ciclo assim como nascer, reproduzir e tudo mais. Que faz parte de um contexto que fecha o ciclo natural da vida, e que não termina ali, acho que o mais importante é isso, a gente passar pra família que é só um processo e não o último processo.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°1:Ficaria muito abalada, angustiada, com medo, e medo não só de morrer, mas também de deixar minha família, amigos e pessoas que eu amo. Seria muito complicado e com certeza o pior momento da minha vida, acho que até entraria em depressão pois tudo iria mudar na minha vida de uma forma negativa.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°1:É complicado, pois cada paciente tem a sua religião, mas eu o respeitaria e lidaria com ele normalmente e atendendo as todas suas necessidades com todo o respeito.

8.  Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°1:Não é o dos melhores, pois eu sempre me sinto triste quando estou lidando com ele, sinto até que as vezes eu fico em depressão, pois acho que acabo levando o problema dele pra casa e com isso vou me envolvendo e fico sempre com baixa astral. É ruim de mais.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°1:Tento fazer com que seja o melhor possível, estou sempre conversando com a família, amparando, dando de fato o suporte que eles precisam, pois afinal é um ente querido deles que está ali em estado terminal e é muito difícil este momento para eles, por isso tento sempre manter uma boa e direta interação com a família.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf.n°1: Não muito, pois muita das vezes me sinto muito triste, muito abalada, e com certeza isso afeta o meu psicológico, e com isso acabo desencadeando estresses, nervosismos, entre outros, pois estou ali cuidando de uma pessoa que a cada dia é menos um para o seu fim, e a cada perda de uma paciente terminal, é... é uma tristeza só, pois parece ter sido fracasso de minha parte, mesmo sabendo que ele irá morrer, pois tem seu tempo contado.


ENFERMEIRO 02

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°2: Como mais uma etapa da vida, onde finaliza o ciclo natural da vida.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°2: Dando sempre o suporte necessário para que ele se sinta menos ruím e tratando-o como qualquer outro paciente.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°2: É um pouco ruim, porque para mim a pior parte é saber que para ele a morte já é certa, e com isso é muito triste ter que realizar todos os procedimentos pensando nisso. Mas tento não pensar muito nisso, e dou partidan as minhas obrigações de cuidar e sempre usando a humanização, pois a cima de tudo esse paciente mesmo que terminal, é um ser humano, que sente dor, medo, angústias e etc.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°2: Na verdade não, cada um que se vire, aqui até tem palestras mas não sobre este tema, infelizmente.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°2: Eu sempre procuro tratá-lo bem, conversando com ele, pegando sem sua mão como uma forma de carinho e tudo mais, peço para ele ter calma e fico sempre junto dando assistência, mas nunca demonstro sofrimentos por ele.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°2: Como eu tenho horror á esta doença, eu procuraria todas as soluções possíveis para me libertar dessa terrível doença, mas se mesmo assim eu não conseguisse, não iria desistir, iria procurar todos os tratamentos possíveis, já que eu sei sobre o câncer, pois lido com pacientes terminais, com câncer

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°2: Não só nesse estado do paciente mais principalmente, é muito bom que haja um respeito para com ele, concordando com suas opiniões. Então para mim a religião seria o de menos, pois eu falaria para esse paciente terminal pedirem ao seu protetor para ajuda-los nesta situação.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°2: É complicado, mas tento não me envolver muito com eles, ou seja, em seus problemas, mas é difícil porque sempre sinto uma angustia dentro de mim, ainda mais quando um deles vem a óbito, mas tento sempre me manter firme, a final não posso esmorecer diante dele, já que é ele quem precisa de mim, dos meus cuidados.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°2: Estou sempre orientando-os, conversando com eles, explicando tudo o que eles querem saber, e tentando fazer com que eles aceitem esse estado do paciente, claro que é difícil deles entenderem, mas mesmo assim eu me sinto na obrigação de ajuda-los, até porque eu já fiz um pouco de psicologia então para mim é mais fácil de não só conversar com a família, mas também de ouvi-los, do que os outros que apenas são enfermeiros (as).

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°2:Bom de um certo modo, sim, pois como disse anteriormente, eu já fiz um pouco de psicologia, então sei como lidar reagir diante dessa situação do paciente terminal, mas mesmo assim sinto um pouco abatida pois também sou um ser humano de carne e osso e tenho sentimentos.


ENFERMEIRO 03

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°3: É o falecimento de uma pessoa, ou seja, partindo desta vida para uma outra vida.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°3: Não é muito boa não, pois é tão complicado ter que lidar com esses pacientes, pois o sofrimento deles é muito grande e eu fico com muita pena deles, eu sei que nem deveria ter esse sentimento por ele, mas o que eu posso fazer?... eu também sou humano.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°3: Independente de estar em todo momento passando por tal situação, mesmo sabendo que ele vai morrer, é bem complicado porque é difícil de aceitarmos isso. Ainda mais que estamos dia-a-dia com o paciente, mas mesmo assim nunca queremos que eles morram, e assim o cuidar de um paciente terminal requer muita paciência e acima de tudo humanização, dedicação.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°3: Não, infelizmente não. E até gostaria que tivesse, pois esse tema é tão difícil de lidar.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°3: No hospital sempre damos os analgésicos, mas além disso eu sempre procuro passar para o paciente que eu estou ali com ele, e que ele pode confiar em mim, ter segurança, pois o que eu puder fazer para ele se sentir menos ruim eu farei.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°3: Bom, graças a Deus nunca tive essa doença terrível, mas acho que entraria em desespero, até mesmo em depressão, pois mesmo eu sendo enfermeira eu tenho muito medo da morte, medo de deixar esta vida, pra falar a verdade eu nem gosto muito de falar sobre a morte quando o assunto é comigo, pois como já disse tem muito medo mesmo.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°3: Cada um tem a sua religião, e assim com os pacientes terminais não é diferente, eles tem sua religião e eu procuro sempre respeitá-los, e ainda dar forças para que eles não percam a sua fé em Deus.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°3: São sentimentos de tristezas, todas asvezes que tenho que lidar com eles, pois eu não gosto de vê-los sofrer, e com isso eu até já fiquei muito deprimida e precisei me tratar com um psicólogo, pois eu acabei me envolvendo nos problemas do paciente, então os meus sentimentos eram de tristezas, baixo astral, mau humor e muita angústia.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°3: Além de enfermeira, sou uma pessoa que adora conversar e estar amparando a família, sei que já estão passando por um momento muito delicado, então tenho que ouvi-los cada vez mais e mais, e também tento explicar para a família tudo sobre o paciente, mas é muito difícil para eles aceitarem o estado do seu ente querido, e até mesmo aceitar a morte dele, e de acordo com cada cliente é uma situação diferente, pois cada uma reage de uma jeito.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°3: Já tive, pois, por eu lidar muito com pacientes terminais eu precisei passar por psicólogos que me ajudaram nesta etapa, de cuidar de um paciente terminal

ENFERMEIRO 04

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°4: Como um ciclo natural da vida, que assim como nascemos, reproduzimos, também morremos.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°4: É angustiante, porque o paciente terminal tem a sua morte pré-estabelecida e vive sempre num confronto entra viver e morrer, e no final sambemos que a sua morte está marcada, e é difícil, pois o tempo todo que estou lidando com ele, vejo o seu baixo astral, sua depressão.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°4:Com toda a minha franqueza, é muito ruim pelo fato de que nós lidamos com ele me seu estado final e também no seu pós-morte e o tempo todo é aquele sofrimento, de está ali fazendo dos os procedimentos nele e saber que mesmo assim ele irá morrer, ou seja, fazemos de tudo que podemos, mas sabemos que ele não viverá, é como se a morte dele para nós enfermeiros, fosse um fracasso, já que não conseguimos fazer a manutenção e principalmente a recuperação da vida dele. Então pra mim é um fracasso.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°4: Não, até gostaria muito que tivesse, já que este tema é tão difícil de trabalhar, e se tivesse nos ajudaria muito até mesmo em relação aos nosso sentimentos para com o paciente terminal.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°4: No meu ponto de vista não consigo ver muito além dos analgésicos não, porque é tão agoniante a dor que eles sentem que as vezes eu até tento dar o meu apoio emocional, tento acalmá-lo segurando em suas mãos, mas não vejo muito melhor nisso não.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°4: Olha... eu acho que nem sobreviveria por muito tempo, pois com certeza logo entraria em depressão, até porque eu sou muito extrovertida, e com isso eu perderia logo o meu convívio social, pois acho até que a vida já não ira fazer mais nenhum sentido pra mim.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°4: Bom... cada um tem a sua religião, então eu acho que o primeiro passo é respeitar, até porque a religião em alguns caso ajuda muito o paciente, pois já percebi que nessas horas de sofrimentos, alguns paciente parecem aumentar a sua fé em Deus, é como se fosse uma troca né?... Deus cura eles e eles creem mais em Deus.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°4: Não são dos melhores, pois o próprio estado do paciente, parece nos transmitir sentimentos ruins, sabe?... é como se eles nos passassem seus sofrimentos, angustias e tristezas, como se isso fosse algo que contagiasse.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°4: Tento fazer o possível para que seja o melhor, mas nem sempre é, porque a família muita das vezes não consegue aceitar esse momento que o seu ente querido está passando, e com isso o relacionamento entre eu e a família acaba sendo um pouco desgastante.

10.Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°4: No hospital não, mas sempre quando posso me consulto com alguns psicólogos, pois com o passar do tempo, todo esse processo do paciente terminal acaba nos atingindo de um jeito ou de outro, e com isso começo a ter alguns sentimentos de tristezas, e principalmente muita angústias.


ENFERMEIRO 05

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°5:Como um ciclo natural da vida, ou seja, como a etapa final da vida.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°5: Como já lido com pacientes terminais há um tempo, pra mim já ficou até que no automático, é como se eu não tivesse mais tantos sentimentos como antes, acho que agora sou fria nesse sentido. Mas mesmo assim trato todos bem, de uma maneira humanizada e tudo mais, até o seu fim.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°5: Já foi bem mais difícil, hoje em dia já consigo levar numa boa, mesmo que eu veja todo o sofrimento do paciente, mas continuo dando todo suporte necessário para mantê-lo “bem” até a morte.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°5: Não. Já teve uma palestra sobre a morte, mas capacitação mesmo não tem. Até seria bom de tivesse.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°5: Não vejo muito alternativa a não ser os medicamentos, mas eu procuro em alguns casos segura as mãos deles, tentando passar confiança, segurança e de um certo modo carinho.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°5: Ficaria muito abalada, até porque eu sei como é essa doença, então seria muito difícil mesmo ter que suportar todo o que um pessoa com câncer suporta, principalmente quando os cabelos começa a cair, devido a quimioterapia, ou seja, eu estaria perdendo todo a minha beleza e com certeza o minha auto estima ira despencar.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°5: De certa forma, vejo como uma ajuda, porque já percebi que a maioria dos pacientes, procuram mais a Deus quando estão no seu fim, é claro que antes a primeira reação deles é a negação sobre a doença terminal, mas aí o tempo vai passando e eles vão vendo que não tem jeito e começam a buscar mais a Deus, começa a ter mais fé, pra ver se assim Deus os livra desse problema terrível.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°5: Já me entristeci muito, já entrei em depressão, já fiquei muito angustiada mesmo, mas com o passar do tempo, fazendo basicamente as mesmas coisas, acho que acabou caindo no automático, sei lá, mas é como se meus sentimentos tivessemesfriados. E eu sei que de uma certa forma isso é ruim, pois acaba fazendo com que eu guarde todos aqueles sentimentos ruins dentro de mim.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°5: Digamos que razoável, até porque o familiar nunca se conforma em ver o seu ente querido naquelas condições, mas eu sempre faço o possível para estar dando o suporte para eles também, para que assim eles consigam estar sempre ali ao lado do paciente terminal, mas mesmo assim acaba sendo complicado e é questão de ter sempre uma interação com eles, ou seja, um bom relacionamento, está sempre tirando as dúvidas que eles tem.

10.Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°5: Já tive, porque quando comecei a trabalhar com pacientes terminais, eu me sentia muito angustiada mesmo, era um sentimento muito ruim, era como se fosse uma carga negativa sendo depositada dentro de mim, dos meus sentimentos, então eu precisei passar por psicólogos para poder trabalhar a minha mente, meu psicológico, e hoje já consigo lidar muito melhor com os pacientes terminais.


ENFERMEIRO 06

1. Oque você entende sobre a morte?

Enf n°6:Como um processo natural da vida, onde deixamos esta vida e partimos.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°6: Apesar de ser um pouco difícil, eu sempre cuido do paciente terminal, buscando dar atenção a ele, e mantendo um ambiente tranqüilo, mesmo que a morte a morte fazendo parte do seu dia-a-dia. Procuro sempre ouvi-los para que assim eu possa entender mais sobre seus sentimentos que na maioria são de muitas tristezas.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°6: Não é fácil, já que o tempo todo você vê o paciente lutando entre a vida e a morte, querendo sair daquela situação, então isso acaba por me deixar bastante angustiado, já não posso fazer muito por ele, e quando ele morre, pra mim é como se fosse uma falha minha, um fracasso, onde eu poderia fazer mais por ele e não consegui, então a morte deles pra mim é sempre uma sensação de incapacidade, por não ter conseguido manter a vida deles por mais tempo.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°6: Não, não tem, e acho até que deveria ter porque lidar com a morte não é fácil, mesmo queeu lide com a morte todos os dias, ainda assim é bastante complicado, não consigo aceitar muito essa questão. Então se tivesse uma capacitação sobre a morte em meu trabalho, acho que ajudaria muito não só a mim, mas também aos meus colegas de trabalho.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°6: Até hoje não vi nenhuma alternativa além dos medicamentos, mas eu procuro sempre ir além, e dou bastante atenção à eles, mostro-me muito interessado pelo caso de cada um e cuido deles como se cada um fosse único, a final é um ser humano que está ali, e sente dor, medo e muito tristeza.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°6: Olha... é difícil falar assim sem ter passado por isso, mas com certeza a minha vida todo mudaria, porque eu sei como funciona essa doença então pra mim seria mais complicado ainda, pois eu teria que aceitar muitas coisas nessa doença, e que eu não conseguiria. E o pior de tudo seria o medo da morte, porque eu sou casado tem filhos, família e sabendo desse diagnostico em mim, eu teria a morte confirmada em minha vida e estaria deixando as pessoas que eu amo, e isso pra mim hoje é o meu maior medo. Então seria o fim pra mim.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°6: Acho muito bom, pois de um jeito o de outro ajuda um pouco o paciente terminal, mesmo cada um tenho a sua religião diferente, porque acaba por fazer com que o paciente terminal se achegue mais a Deus, e aqueles que antes não tinha muita fé, passam a ter, então a religião ajuda muito. E eu tenho a minha religião e o paciente tem a dele, mas mesmo assim eu os respeito muito, até porque nessa hora eles precisam mais ainda de uma busca espiritual.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°6: Não são muito bons, porque quando você lida com um paciente terminal, você só consegue ver coisas ruim, nada além disso, então é como se fosse uma batalha que tenho que travar entre a vida e a morte, e essa contraversão acaba por retirar de mim sentimentos de tristezas, pena, dor emocional, e principalmente angustia, muito angustia, porque é difícil você ter que ver aquele paciente que a cada dia que passa, só piora e derrepente quando você vai ver, ele já morreu, e você praticamente não pôde fazer muito por ele.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°6: É bastante delicado, pois geralmente o familiar do paciente terminal não aceita tal situação, e acabam também ficando deprimidos e com isso eu sempre busco ouvir mais deles, saber o que eles pensam, respondo a tudo o que eles pedem e tento passar calma pra eles, dizendo que eles precisam ser fortes, porque se não o paciente terminal irá cada vez mais esmorecer. Eu sempre crio uma boa relação com a família do paciente terminal, para que assim eu possa estar ali dando o suporte e a base que eles necessitam.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°6: Não, é cada um por si tratando do doente terminal, mas não tenho nenhum suporte psicológico não, acho que a falta desse suporte é que muita das vezes faz com que não só eu mais como os meus colegas de trabalho, sinta-se mal ao lidar com o paciente terminal.


ENFERMEIRO 07

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°7: Algo muito doloroso, um momento bastante difícil na vida de qualquer pessoa.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°7:Confortar as outras pessoas que estão envolvidas, ou seja, os familiares.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°7:Manter o meu lado profissional , mas ao mesmo tempo com carinho e dedicação.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°7: Não, mas seria bom de tivesse.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°7:Confortar esse paciente, dando toda atenção e ao mesmo tempo avaliando o seu estado holístico.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°7:Iria Curtir a vida, pois o tempo passa rápido de mais.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°7:Perguntaria para a pessoa qual é a sua religião, e faria com que essa pessoa permanecesse no local para se orada, ou rezada e etc..

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°7:Dor e tristeza.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°7:Procuro da toda atenção que eu possa dá.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°7:Não, e é difícil manter um equilíbrio psicológico diante de um paciente terminal.


ENFERMEIRO 08

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°8: Como o último estágio da vida do ser humano.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do

paciente terminal?

Enf n°8: Tentar amenizar a dor, ansiedade medo do paciente, e sempre prestando os cuidados e assistência necessária.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°8: É acima de tudo manter a ética profissional, sou seja, respeitá-lo, saber ouvir quando ele precisar, saber como falar diante dele, e trata-los com dignidade, e independente de raça, cor, religião, sexo ou situação econômica, prestar todos os cuidados que ele precisa. Mesmo sendo um processo doloroso, para o paciente, é preciso sempre manter a calma para lidar com ele.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°8: Não, lá nós lidamos com a morte como mais um processo, mas infelizmente não tem nenhum tipo de capacitação sobre este tema.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°8:Nos últimos momentos finais do paciente, as vezes eu permito que o familiar fique junto para que assim o paciente sinta-se menos mau, já que ele estaria ali morrendo junto das pessoas que ele ama, mas o lado ruim mesmo, acaba ficando para a família que presencia toda aquela cena e que de fato não é nada boa.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°8:Com certeza eu ficaria muito abatido, ainda mais que eu como enfermeiro sei tudo sobre esta doença, mas mesmo assim eu não me entregaria para a morte não, eu iria fazer de tudo para sair dessa, mesmo sabendo que isso é quase que impossível, mas eu sei que pra Deus nada é impossível, então eu lutaria pela minha vida, para continuar ao lado das pessoas que eu amo.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°8: Eu acho muito bom, ajuda muito pois cada vez mais eu percebo que o paciente aumenta a sua fé, e isso ajuda no processode recuperação da saúde e enfrentamento da doença, pois de um certo modo faz com a haja uma beneficia na saúde do doente terminal.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°8: Com o passar do tempo, pelo fato de estar sempre lidando com o paciente terminal, parece que as vezes eu me torno uma pessoa mais insensível frente a essa situação do paciente terminal, e com isso parece que tudo acaba ficando no automático, sabe?... na parte técnica, e é ruim porque se isso não for bem tratado a humanização acaba saindo de cena.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°8: Tento fazer o melhor possível para ajuda-los em tudo, mas é complicado porque a família do paciente terminal, geralmente acaba ficando muito estressado por ver toda aquela situação, então as vezes as coisas complicam, porque é preciso de muito paciência e calma para lidar com o familiar de um paciente terminal, porque mesmo a família sabendo que o seu ente querido irá morrer, eles sempre ficam na esperança das coisas mudarem.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°8: Não, e por mais que eu tente manter um equilíbrio externo, o meu interior está quase sempre derrotado, porque é muito difícil conviver com o sofrimento do outro, mesmo que isso seja algo que faça parte do meu cotidiano, mas infelizmente não tenho muito suporte psicológico não, eu até sempre faço minhas orações á Deus para me dar uma ajuda, mas mesmo assim é bem complicado.


ENFERMEIRO 09

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°9: Como uma passagem, que faz parte do ciclo natural da vida, que é nascer, reproduzir e por fim morrer, e que é algo inevitável, onde todos nós iremos passar por isso um dia.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°9: É delicado, porque nós enfermeiro não cuidamos do paciente apenas no seu estado terminal, mas também no seu estado por morte, que ainda tem todo aquele processo com o corpo do paciente, e que na verdade não nada agradável.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°9: É bastante delicado, porque preciso dar todo o cuidado e assistência que o doente terminal precisa e ainda tento manter um ambiente tranquilo, mesmo a morte fazendo parte do dia-a-dia do paciente, e isso não é fácil porque eu me sinto muito impotente vivenciando essa situação, ainda mais na hora de realizar os processos.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°9: Não, já tiveram algumas palestras sobre a morte, mas capacitação mesmo, nunca vi.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°9: Bom ter quer dar os analgésicos é inevitável, mas eu já percebi que muita das vezes o medo que é o sofrimento do paciente, então as vezes eu tento passar uma certa confiança para o paciente, para tentar amenizar todo esse sofrimento.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°9: Acho que assim como todos eu ficaria supresso e muito triste, mas não deixaria de curti a minha vida, a final o tempo passa muito rápido.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°9: Na maioria dos casos é uma grande ajuda, pois os paciente aumento mais a sua fé no Deus que eles creem, então por isso eu procuro respeitar a religião de cada um, já que isso irá ser bom para eles.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°9: São sentimentos de frustração, medo, tristeza, angustia e muita das vezes incapacidade, por não pode fazer muito por aquele paciente e ele morrer.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°9: Estou sempre conversando com eles, procurando ajuda-los e dando o suporte e assistência que ele precisam, a final para eles ter um ente querido em estado terminal é bastante difícil e muito doloroso, e com isso eles acabam até ficando com estresses e alguns até entram em depressão, então eu tento ajuda-los em tudo o que eu posso, procurando fazer o meu melhor, e não só o necessário, mas sempre mais e mais.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°9: Não muito, e o mais difícil é o momento em que tenho que avisar a família sobre o falecimento do paciente, então isso é bastante tenso, e nessa hora percebo que não tenho suporte psicológico algum.


ENFERMEIRO 10

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°10: Como algo inevitávele que querendo ou não, todos passaremos por isso um dia.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°10: Fazer com que o paciente, tenha todo o atendimento digno, assim como respeito, carinho, dedicação e confiança.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°10: Não é fácil, pois não envolve somente o seu estado final, mas também o seu estado pós-morte, então é preciso de habilidade para lidar com isso.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°10: Não, e deveria ter, já que este assunto é bastante ignorado por todos.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°10: Acho que acima de tudo é tratar o doente com respeito, dignidade, carinho e também sempre que possível, ter uma gesto de conforto, como o simples fato de segurar a mão do paciente e dizer pra ele que você está ali para ajuda-lo e que ele pode contar com você, e que tudo que estiver ao seu alcança você irá fazer por ele. Acho que é por ai.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°10: Seria o pior momento da minha vida, porque conheço essa doença, sei como as coisas funcionam, e pra falar a verdade não é anda bom. Então com certeza eu não iria aceitar essa doença na minha vida, e iria questionar a Deus o porquê de eu estar vivenciando esse momento tão difícil da minha vida, porque para mim o mais doloroso seria cogitar a ideia de que eu iria morrer e ter que deixar toda a minha família pra trás, nossa seria horrível, não gosto muito de pensar nisso.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°10:Vejo como uma ajuda para o doente terminal, porque em todos os casos o mesmo não aceita a doença, mas ai depois ele vai se conformando até que chega a um certo ponto que ele não busca mais os recursos dos profissionais de saúde, mas sim do Deus que ele crê, e com isso parece que eles aumentam sua fé, e é como se fosse uma troca com o seu Deus, se eles se recuperarem eles prometem fazer algo de bom, para recompensar isso.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°10: Acho que são praticamente iguais aos dos profissionais de saúde, que são: angustia, tristeza, frustração, incapacidade e um certo medo

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°10: Tento fazer o possível para que seja agradável, afinal sei o quanto é difícil para o familiar ver seu ente querido nessas condições, então as vezes eu acabo me doando muito para a família e por estar sempre conversando, acabo criando um laço de amizade muito forte, e acabo me envolvendo muito com eles, e sei que isso não é bom, pois me atrapalha.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°10: Não, e isso torna as coisas mais difíceis, porque é bastante complicado tentar manter um equilíbrio diante de todo esse estresse não só com o paciente terminal, mas também com a sua família.


ENFERMEIRO 11

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°11:Como um ciclo natural da vida.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°11: Tento estar sempre ao lado deles, dando todo o suporte que lhe é devido.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°11: É muito triste, porque você se imagina um ser impotente diante desse paciente.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°11: Não, mas deveria ter.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°11: Não há muito o que se fazer, além de dar os medicamentos, porque o sofrimento é inevitável.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°11: Primeiramente iria orar a Deus pedindo para que ele me curasse disso, mesmo sabendo que é uma doença terminal, mas não deixaria de te a fé em Deus.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°11: Vejo como uma boa ajuda, porque a fé remove montanhas.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°11: De muita tristeza, mas nós estamos aqui só de passagem e tudo é plano de Deus.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°11: Sempre tento passar pra família que essa situação não é fácil, mas que Deus está no controle.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°11: Meu suporte é a oração em Deus.


ENFERMEIRO 12

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°12: Como o fim da vida.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do pacienteterminal?

Enf n°12: É de realizar todos os processos, inclusive o pós-morte do paciente.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°12: É bem doloroso, porque nós lidamos com ele no dia-a-dia e sabemos que de uma hora pra outra ele irá morrer, e nós já temos aquela tendência de não querer chegar muito perto deles, mas é preciso.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°12: Não, e deveria ter porque esse tema é muito difícil de lidar.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°12: Dando carinho e amor, acho que isso é o essencial depois dos medicamentos que devem ser dados.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°12: Não gosto muito de pensar nesta hipótese, mas com certeza a vida acabaria naquele instante pra mim, pois pra mim a vida não iria mais fazer sentido, pois a certeza da morte me deixaria com muito medo, pois deixaria pra trás todas as pessoas que eu amo, ou seja, toda a minha família.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°12: Como uma ajuda, como um aumento na fé.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°12:Tristeza, dor, sofrimento, porque é inevitável você lidar com um paciente terminal e não sentir nada, mesmo que depois essa rotina caia no automático, mas de qualquer forma é bem complicado.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°12: Delicado porque, por mais que eu não queria, eu acabo me envolvendo com eles, e passando junto com eles todo o sofrimento que eles passam, mas mesmo assim eu procuro dar toda atenção, e suporte que eles precisam.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°12:Não, mas busco o equilibro tentando fazer o melhor possível, nos processos com o paciente terminal.


ENFERMEIRO 13

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°13: Um ato de descanso final.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°13: É cuidar não somente do paciente terminal, mas também dos familiares que estão envolvidos, pois é um conjunto.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°13: Ruim, porque na maioria das vezes eu me sinto despreparado diante deles.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°13: Não infelizmente nós lidamos com o doente terminal mas não tem nenhum tipo da capacitação ou treinamento.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°13: Acho que é inserindo a família nos seus últimos momentos de vida, pois assim eles morreriam em companhia daqueles que os ama, e assim seus sofrimentos diminuiriam.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°13: Entraria em depressão, e com certeza me entregaria nesta doença, e iria preferir morrer logo, e não precisar passar por tantos sofrimentos, assim como eu vejo meus pacientes passarem.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°13: Vejo como um aspecto muito bom e importante, pois o paciente terminal parece buscar mais a Deus em seu momento difícil e doloroso.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°13: Sentimento de incapacidade, porque por mais que eu faça tudo por aquele paciente, sei que sua morte é inevitável.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°13: Sempre falo pra família que esse momento é bastante difícil mesmo, e explico a verdade, digo que o paciente irá morrer e com isso já começo a prepara-los para quando a hora de seu ente querido chegar, eles não enfrentarem com muita dificuldade, mas mesmo assim é muito difícil fazer isso, porque nenhuma família aceita a morte do seu ente querido.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°13: Não, e pra falar a verdade acho que ninguém tem, ainda mais que lidar com paciente terminal é bem difícil e trabalhoso, então o que eu faço é buscar refugio em Deus.


ENFERMEIRO 14

1. O que você entende sobre a morte?

Enf n°14: Como algo natural e inevitável da vida.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do paciente terminal?

Enf n°14: Primeiro de tudo cuidar bem do paciente, atendendo a todas as suas necessidades básicas, e segundo, é fazer com que sempre haja uma interação com a família, pois a família também precisa ser cuidada.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°14: Triste de mais, muito angustiante.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°14: Não, cada um lida com o paciente terminal dos eu próprio jeito, mas não há nenhum tipo de capacitação.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°14:Na minha opinião, acho que se cada profissional de saúde, colocasse a família junto nos últimos momentos do paciente terminal, isso aliviaria bastante o sofrimento deles, pois o paciente terminal estaria morrendo junto da família e isso é como se fosse seu últimos desejo nessa vida, morrer perto de quem eles amam.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°14: Acho que morreria antes mesmo da doença evoluir, porque eu não conseguiria viver sem ter uma motivação nessa vida.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°14:Como uma ajuda, um refugio.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°14: Sentimentos de derrota por estar ali prestando todos os cuidados que são necessários e ao mesmo tempo, ter em mente que eles vão morrer, ou seja, é um sentimento de impotência.

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°14: Além de ser enfermeira, eu procuro conversar com a família como se eu fizesse parte deles, e explico tudo a respeito da doença e do estado do paciente, e com isso já vou preparando para a morte do seu ente querido.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°14: Não, e é bastante complicado lidar com os pacientes terminais, pois é como se eles passassem uma força muito negativa para mim.


ENFERMEIRO 15

1 O que você entende sobre a morte?

Enf n°15: Como um momento único e bastante difícil da vida.

2. Qual é a sua atuação frente ao processo morte e morrer do pacienteterminal?

Enf n°15: Dar ao paciente um suporte, principalmente um suporte emocional, pois afinal esse é o pior momento vivenciado por ele. E também incluir a família neste meio, fazendo com ela se interaja comigo e com o paciente terminal.

3. Como é cuidar de um paciente em estado terminal?

Enf n°15: Muito sofrimento, porque não é fácil ver o sofrimento do outro, porque de um jeito ou de outro você acaba se envolvendo.

4. No seu local de trabalho existe algum tipo de capacitação sobre este tema?

Enf n°15: Não, mas seria ótimo se tivesse, porque esse tema é tão complicado e o mau das pessoas, é não quererem fala sobre a morte, e ainda mais num hospital, que é um local onde mais vemos morte.

5. O que a enfermagem pode fazer para promover uma morte sem muitos sofrimentos?

Enf n°15: Juntar a família no momento de morte do paciente terminal.

6. Como você reagiria se soubesse que está com diagnóstico de câncer?

Enf n°15: Entraria em estado de choque, e não aceitaria esta doença, e com certeza iria me entregar.

7. Como você vê a religião nesse processo do paciente terminal?

Enf n°15: Como um aumento na fé, como se eles descobrissem a ultima esperança.

8. Como são seus sentimentos diante do paciente terminal?

Enf n°15: De frustração, depressão, angustia, tristezas, e etc...

9. Como é o seu relacionamento com a família do paciente terminal?

Enf n°15: Digo a família que é um momento difícil, mas que esses são os planos de Deus, então que tudo que estiver ao meu alcance eu irei fazer.

10. Você tem algum suporte psicológico para lidar com o paciente terminal?

Enf n°15: Não, mas sempre que dá, eu procuro conversar com alguns psicólogos do hospital mesmo, para que eles possam estar me ajudando, mas mesmo assim é difícil, acho que todo enfermeiro (a) que lida com pacientes terminais, ou com a morte num geral, deveriam se consultar com psicólogos.

 

Perguntas extraídas do artigo original: ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO DIANTE DO PROCESSO DE MORTE E MORRER DO PACIENTE TERMINAL

Referências

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