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História da Enfermagem Resumo

História da Enfermagem Resumo

O QUE É A ENFERMAGEM?

A Enfermagem é uma profissão voltada para os cuidados de saúde focada no indivíduo, famílias e comunidades para que possam promover manter ou recuperar a saúde e a qualidade de vidas ideais. Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem e Auxiliar de Enfermagem, podem ser diferenciados de outros prestadores de cuidados de saúde pela sua abordagem ao atendimento ao paciente, treinamento e escopo da prática. 

Muitos profissionais de enfermagem ainda prestam cuidados dentro do escopo de ordenação dos médicos, e esse papel, moldou a imagem pública desses profissionais como agentes executores de ordens. No entanto, ao longo do tempo, os avanços e modificações no âmbito do processo saúde doença, também trouxeram aos profissionais de enfermagem avanços no processo do cuidar, fazendo da profissão hoje uma ciência do cuidar, autônoma, respeitada e indispensável nos cuidados da saúde em qualquer aspecto do indivíduo, família e comunidade. A educação dos profissionais de enfermagem, passou por um processo de diversificação em direção a credenciais avançadas e especializadas, e muitos dos regulamentos tradicionais e funções do provedor estão mudando.

Hoje, os profissionais de enfermagem (enfermeiros, técnicos de enfermagem,auxiliar de enfermagem), desenvolvem um plano de cuidados, trabalhando em colaboração com os outros profissionais de saúde, com o paciente e com a família do paciente, que se concentram no tratamento de doenças, na prevenção de doenças ou na promoção de saúde. 

A ENFERMAGEM NO BRASIL

No Brasil, segundo o Conselho Federal de Enfermagem - COFEN, os profissionais que compõem a enfermagem são:Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e Parteiras. A competência, responsabilidade, direitos e deveres desses profissionais são regulamentadas pelas Resoluções, Pareceres, Normas Técnicas e Leis do Conselho Federal de Enfermagem. Quem ingressa na enfermagem ou quem deseja ingressar na enfermagem, precisa saber o que cada profissional pode e o que não pode fazer para não confundir as funções e responsabilidades.

O Conselho Federal de Enfermagem- COFEN, conforme falei acima, é órgão que normatiza a profissão de enfermagem no Brasil. A sua sede fica em Brasília, mas cada estado existe um Conselho Regional de Enfermagem, que são órgãos criados e normatizado pelo COFEN para fazer cumprir as suas decisões. Vale a pena depois você tirar um tempo e estudar um pouco mais sobre a função, responsabilidade e atribuições do Conselho de Enfermagem (COFEN/COREN), pois todos nós, entendendo ou não,gostando ou não, aceitando ou não, concordando ou não, é regido por este órgão.Além disso, o Conselho funciona como um guardião da enfermagem e ouvidoria de toda a enfermagem e também de toda a população, mas, por ser um órgão público e cheio de burocracias e formalidades, muita gente desiste de entender e de recorrer ao Conselho.

A ENFERMAGEM NO EXTERIOR

A Enfermagem não é igual em todo o lugar do mundo. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, enfermeiras de prática avançada, como enfermeiras clínicas especializadas e enfermeiras, diagnosticam problemas de saúde e prescrevem medicamentos e outras terapias, dependendo das regulamentações estaduais individuais. Enfermeiros podem ajudar a coordenar o atendimento ao paciente realizado por outros membros de uma equipe multidisciplinar de saúde, como terapeutas, médicos e nutricionistas. Enfermeiros prestam cuidados tanto em equipe, por exemplo, com os médicos, e independentemente como profissionais de enfermagem.

ORIGEM DA ENFERMAGEM

A enfermagem é uma profissão que se desenvolveu ao longo dos tempos. Surgiu do desenvolvimento e evolução das práticas de saúde no decorrer da história. No Brasil, desde a implantação da enfermagem moderna, na década de 20 e até os dias atuais, a história da enfermagem vem sendo objeto de estudo dado sua importância como profissão. A enfermagem, desde suas origens religiosas e militares, é um saber dominado pelas mulheres e dirigido ao ato do cuidar, e tendo os mais pobres como alvos. A seguir, vamos apresentar um breve resumo da história de enfermagem no mundo.

1. FLORENCE NIGHTINGALE

Florence Nightingale (12 de Maio 1820, Florença - 13 de Agosto 1910, Londres) foi uma enfermeira britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Criméia.

Também contribuiu no campo da Estatística, nomeadamente na criação de sistemas de representação e popularização gráfica como o gráfico setorial (comumente conhecido como gráfico do tipo "pizza").

Sua família, rica e bem-relacionada, vivia em Florença, na Itália. Por isso, Florence recebeu o nome em inglês da cidade em que nasceu, como sua irmã mais velha Parthenope nascida em Partênope. Moça brilhante e impetuosa, rebelou-se contra o papel convencional para as mulheres de seu status, que seria tornar-se esposa submissa, e decidiu dedicar-se à enfermagem.

Tradicionalmente, o papel de enfermeira era exercido por mulheres ajudantes em hospitais ou acompanhando exércitos, muitas cozinheiras e prostitutas acabavam tornando-se enfermeiras, sendo que estas últimas eram obrigadas como castigo.

Florence Nightingale ficou particularmente preocupada com as condições de tratamento médico dos mais pobres e indigentes. Ela anunciou sua decisão para a família em 1845, provocando raiva e rompimento, principalmente com sua mãe.

Aparentemente, Florence sofria de esquizofrenia. Em dezembro de 1844, em resposta à morte de um mendigo numa enfermaria em Londres, que acabou evoluindo para escândalo público, ela se tornou a principal defensora de melhorias no tratamento médico. Imediatamente, ela obteve o apoio de Charles Villiers, presidente do Poor Law Board (Comitê de Lei para os Pobres). Isto a levou a ter papel ativo na reforma das Leis dos Pobres, estendendo o papel do Estado para muito além do fornecimento de tratamento médico.

Em 1846, ela visitou Kaiserwerth, um hospital pioneiro fundado e dirigido por uma ordem de freiras católicas na Alemanha, ficando impressionada pela qualidade do tratamento médico e pelo comprometimento e prática das religiosas.

Outras informações falam sobre a comunidade religiosa luterana em Kaiserswerth-am-Rhein na Alemanha, onde ela observou o pastor Theodor Fliedner e as diaconisas que trabalhavam para os doentes e os desprovidos.

A contribuição mais famosa de Florence foi durante a Guerra da Criméia, que se tornou seu principal foco quando relatos de guerra começaram a chegar à Inglaterra contando sobre as condições horríveis para os feridos.

Em outubro de 1854, Florence e uma equipe de 38 enfermeiras voluntárias treinadas por ela, inclusive sua tia Mai Smith, partem para os Campos de Scurati localizados na Criméia.

Florence Nightingale voltou para a Inglaterra como heroína em Agosto de 1857 e, de acordo com a BBC, era provavelmente a pessoa mais famosa da Era Vitoriana além da própria Rainha Vitória. Contudo, o destino lhe reservou um grande golpe quando contrai tifo e permanece com sérias restrições físicas, retornando em 1856 da Criméia.

Impossibilitada de exercer seus trabalhos físicos, dedicou-se a formação da escola de enfermagem em 1859 na Inglaterra, onde já era reconhecida no seu valor profissional e técnico, recebendo prêmio concedido através do governo inglês. Fundou a Escola de Enfermagem no Hospital Saint Thomas, com curso de um ano, que era ministrado por médicos com aulas teóricas e práticas.

Florence faleceu em 13 de agosto de 1910; deixando legado de persistência, capacidade, compaixão e dedicação ao próximo, estabeleceu as diretrizes e caminhos para enfermagem moderna.

Florence Nightingale, OM, RRC (*12 de maio de 1820 +13 de agosto de 1910) foi uma célebre reformista social e estatística inglesa, e a fundadora da enfermagem moderna. Ela ganhou proeminência enquanto servia como enfermeira durante a Guerra da Crimeia, onde ela tratou de soldados feridos. Ela era conhecida como “A Senhora com a Lanterna” por causa de seu hábito de fazer rondas à noite.

Comentaristas do início do século XXI têm argumentado que as realizações de Nightingale na Guerra da Criméia foram exageradas pela mídia na época para satisfazer a necessidade do público por um herói, mas suas realizações posteriores permanecem amplamente aceitas. Em 1860, Nightingale lançou as bases da enfermagem profissional com o estabelecimento de sua escola de enfermagem no St. Thomas' Hospital em Londres. Foi a primeira escola de enfermagem secular no mundo, agora parte da King's College London. O Juramento de Nightingale feito por novas enfermeiras foi batizado em sua honra, e o Dia Internacional dos Enfermeiros é comemorado em todo o mundo na data do seu aniversário de nascimento.

Suas reformas sociais incluem a melhoria nos cuidados da saúde de todos os setores da sociedade britânica, melhorias na saúde e luta por um melhor alívio da fome na Índia, ajudando a abolir leis que regulavam a prostituição de forma demasiadamente opressora às mulheres, e ampliando a formas aceitáveis a participação da mulher na força de trabalho.

No juramento criado por Florence fica claro o empenho por ela colocado em cada uma dessas lutas e o desejo de que cada vez mais mulheres se enveredassem por esse caminho da enfermagem de forma digna e eficaz.

Nightingale foi uma escritora prodigiosa e versátil. Em sua vida muito do seu trabalho publicado foi respaldado com difundidos conhecimentos médicos. Alguns de seus trechos foram escritos em Inglês simples, para que pudessem ser facilmente compreendidos por aqueles com pouco conhecimento literário. Ela também ajudou a popularizar a apresentação gráfica dos dados estatísticos. Grande parte da sua escrita, incluindo o seu extenso trabalho sobre religião e misticismo, só foi publicado postumamente.

2. OS PRIMEIROS ANOS

Florence Nightingale nasceu em 12 de maio de 1820 em uma família rica, bem relacionada da classe alta britânica, em Villa Colombaia, em Florença, Itália, e foi batizada com o nome da cidade de seu nascimento. A irmã mais velha de Florence, Frances Parthenope, fora igualmente batizada com o nome do lugar de seu nascimento, Parthenopolis, um assentamento grego, hoje parte da cidade de Nápoles. Quando Florence tinha um ano de idade, a família mudou-se de volta para a Inglaterra em 1821 com Nightingale sendo criada nos lares da família em Embley e Lea Hurst.

Seus pais eram William Edward Nightingale, nascido William Edward Shore (1794–1874) e Frances (“Fanny”) Nightingale née Smith (1789–1880). A mãe de William, Mary née Evans, era sobrinha de Peter Nightingale ao qual, sob os termos de seu testamento, William herdou sua propriedade em Lea Hurst em Derbyshire, e assumiu o nome e o brasão de Nightingale. O pai de Fanny (avô materno de Florence) foi o abolicionista e unitarista William Smith. Florence Nightingale fora educada principalmente por seu pai que almejava um outro futuro para ela.

Nightingale passou pela primeira de várias experiências que ela acreditava serem chamados de Deus em fevereiro de 1837, quando estava em Embley Park, provocando um forte desejo de devotar a sua vida ao serviço de outros. Em sua juventude, foi respeitosa com a oposição de sua família sobre seu trabalho como enfermeira, anunciando sua decisão de ir a campo apenas em 1844. Apesar de raiva e angústia intensa de sua mãe e irmã, ela se rebelou contra o papel esperado de uma mulher de seu status de se tornar uma esposa e mãe. Nightingale trabalhou duro para educar-se na arte e ciência da enfermagem, apesar da oposição de sua família e do restritivo código social para jovens mulheres inglesas afluentes.

Como uma jovem mulher, Nightingale era atraente, esbelta e graciosa. Ainda que seu comportamento muitas vezes fosse rude, ela podia ser muito charmosa e seu sorriso era radiante. Seu pretendente mais persistente era o político e poeta Richard Monckton Milnes, 1º Barão de Houghton, mas depois de um namoro de nove anos ela o rejeitou, convencida de que o casamento iria interferir na habilidade de seguir sua vocação para a enfermagem. Abaixo encontram-se fotos de seus pretendentes:

Em 1847 em Roma ela conheceu Sidney Herbert, um político que tinha sido Secretário de Guerra (1845-1846). Herbert estava em sua lua de mel; ele e Nightingale se tornaram amigos próximos ao longo da vida. Herbert seria Secretário de Guerra novamente durante a Guerra da Crimeia; ele e sua esposa foram fundamentais para facilitar o trabalho de enfermagem de Nightingale na Crimeia. Ela se tornou uma conselheira chave da carreira política dele, embora tenha sido acusada por alguns de ter adiantado a morte de Herbert pela Doença de Bright em 1861 por causa da pressão que seu programa de reforma colocara sobre ele. Nightingale também, muito mais tarde, teve fortes relações com Benjamin Jowett, que pôde ter querido se casar com ela.

Nightingale continuou suas viagens (agora com Charles e Selina Bracebridge) a lugares tão distantes quanto a Grécia e o Egito. Seus escritos sobre o Egito em particular, são testemunhos da sua aprendizagem, habilidade literária e filosofia de vida. Navegando pelo Nilo tanto quanto Abu Simbel em janeiro de 1850, ela escreveu o pequeno texto que registramos a seguir:

“Eu acho que nunca vi nada que me afetara mais do que isso”. E sobre o templo: “Sublime no mais alto nível de beleza intelectual , intelecto sem esforço, sem sofrimento... nenhuma apresentação está correta – mas o efeito completo é mais expressivo da grandeza espiritual do que qualquer coisa que eu poderia ter imaginado. Dá a impressão que milhares de vozes dariam, unindo-se em um só sentimento simultâneo unânime de entusiasmo ou emoção, que fora dito que superaria o homem mais forte”.

Em Tebas ela escreveu sobre ser “chamada por Deus”, enquanto uma semana depois, perto do Cairo, ela escreveu em seu diário (como distinto das suas longuíssimas cartas que sua irmã mais velha, Parthenope, imprimira após seu retorno): “Deus me chamou pela manhã e me perguntou se eu faria o bem por ele apenas, sem reputação” Mais tarde, em 1850, ela visitou a comunidade religiosa luterana em Kaiserswerth-am-Rhein na Alemanha, onde ela observou o pastor Theodor Fliedner e as diaconisas que trabalhavam para os doentes e os desprovidos. Ela considerou a experiência como um ponto de virada em sua vida, e publicou suas descobertas anonimamente em 1851; A Instituição de Kaiserswerth no Reno pelo Treinamento Prático das Diaconisas, etc. foi seu primeiro trabalho publicado. Ela também recebeu quatro meses de formação médica no instituto, o que serviu de base para seus cuidados posteriores.

Em 22 de agosto de 1853, Nightingale assumiu o cargo de superintendente do Instituto para o Cuidado de Senhoras Doentes em Upper Harley Street, Londres, um cargo que ocupou até outubro de 1854. Seu pai tinha lhe dado uma renda anual de £500 (cerca de £40 mil ou US$ 65 mil dólares americanos em valores atuais), o que lhe permitiu viver confortavelmente e para perseguir a sua carreira.

3.  A GUERRA DA CRIMEIA

A contribuição mais famosa de Florence Nightingale veio durante a Guerra da Crimeia, que se tornou seu foco central quando chegaram notícias à Grã-Bretanha sobre as terríveis condições dos feridos. Em 21 de outubro de 1854, ela e uma equipe de 38 enfermeiras mulheres voluntárias que ela treinou, incluindo sua tia Mai Smith, e quinze freiras católicas (mobilizadas por Henry Edward Manning) foram enviadas (sob a autorização de Sidney Herbert) para o Império Otomano. Elas foram dispostas em cerca de 295 milhas náuticas(546 quilômetros; 339 milhas) através do Mar Negro a partir de Balaclava na Crimeia, onde o principal acampamento britânico foi levantado. Na imagem que se segue podemos visualizar um pouco essa localização.

Nightingale chegou no início de novembro de 1854, nas Casernas de Selimiye em Scutari (atual Üsküdar em Istambul). Sua equipe descobriu que um tratamento pobre para soldados feridos estava sendo levado pelo staff médico sobrecarregado de trabalho sob a indiferença dos oficiais. Faltavam medicamentos, a higiene era negligenciada e infecções em massa eram comuns, muitas delas fatais. Não havia equipamentos para processar alimentos para os pacientes.

Depois que Nightingale enviou um apelo para The Times pedindo por uma solução do governo para o mau estado das instalações, o governo britânico encomendou a Isambard Kingdom Brunel o projeto de um hospital pré-fabricado que fosse construído na Inglaterra e pudesse ser enviado para os Dardanelos. O resultado foi o Hospital Renkioi, uma instalação civil, que, sob a gestão do Dr. Edmund Alexander Parkes, teve uma taxa de mortalidade menor do que um décimo da de Scutari.

A primeira edição do Dicionário da Biografia Nacional (1911) afirmou que Nightingale reduziu a taxa de mortalidade de 42% para 2%, fosse pelas apenas pelas melhorias na higiene ou por chamar a Comissão Sanitária. Porém, outros escritos afirmam que as taxas de mortalidade, na verdade, começaram a subir aos níveis mais altos de todos os hospitais da região.

 Durante o seu primeiro inverno em Scutari, 4.077 soldados morreram. Dez vezes mais soldados morreram de doenças como tifo, febre tifoide, cólera e disenteria do que por ferimentos de batalha. Com a superlotação, esgotos defeituosos e falta de ventilação a Comissão Sanitária teve de ser enviada pelo governo britânico para Scutari em março de 1855, quase seis meses depois da chegada de Florence Nightingale. A comissão descarregou os esgotos e melhorou a ventilação. As taxas de mortalidade foram drasticamente reduzidas, embora alguns escritos refiram também que ela não reconheceu a higiene como a causa predominante das mortes na época e, por outro lado, também nunca clamou por crédito de ajudar a reduzir a taxa de mortalidade. Em 2001 e 2008, a BBC lançou documentários críticos do desempenho de Nightingale na Guerra da Crimeia, acompanhando alguns artigos publicados em The Guardian e em The Sunday Times. O estudioso de Nightingale, L. McDonald rejeitou estas críticas como “muitas vezes prepotentes”, argumentando que eles não são sustentadas por fontes primárias.

Nightingale acreditava ainda que as taxas de mortalidade alta foi devido à má nutrição, falta de suprimentos e excesso de trabalho dos soldados. Depois que ela voltou para a Inglaterra e começou a coletar provas perante a Comissão Real sobre a Saúde do Exército, ela passou a acreditar que a maioria dos soldados no hospital foram mortos pelas más condições de vida. Essa experiência influenciou sua carreira mais tarde, quando ela defendeu boas condições sanitárias como de grande importância para a vida. Consequentemente, ela reduziu as mortes de tempos de paz no exército e voltou sua atenção para hospitais sanitariamente desenhados.

4.      A SENHORA COM A LANTERNA

Durante a Guerra da Crimeia, Florence Nightingale ganhou o apelido de “A Senhora com a Lanterna” de uma frase em uma reportagem de The Times. “Ela é um anjo ministrante, sem exagero nenhum nesses hospitais, e no que sua forma esbelta deslizasilenciosamente ao longo de cada corredor, o rosto de todo pobre companheiro amacia com gratidão ao vê-la. Quando todos os oficiais médicos se retiraram durante a noite e o silêncio e a escuridão se estabeleceram sobre aquelas milhas de prostrados doentes, ela pode ser observada sozinha, com uma pequena lanterna na mão, fazendo suas rondas solitárias”.

A frase foi popularizada mais ainda pelo poema “Santa Filomena” de Henry Wadsworth Longfellow de 1857:

Foi naquela casa de infortúnio.

Uma Senhora com uma Lanterna eu vejo.

Passa através do brilhoso turno,

E, de sala em sala, em cortejo.

5. CARREIRA PROFISSIONAL

Em 29 de Novembro de 1855 na Crimeia foi criado o Fundo Nightingale para a formação de enfermeiras durante uma reunião pública de reconhecimento do trabalho de Nightingale na guerra. Houve uma onda de doações generosas. Sidney Herbert atuou comosecretário honorário do fundo e o Duque de Cambridge fora o presidente. Nightingale foi considerada também uma pioneira no conceito de turismo médico, com base em suas 1.856 cartas descrevendo spas no Império Otomano. Ela detalhou as condições de saúde, descrições físicas, informações de dietas e outros detalhes vitais dos pacientes que ela dirigiu lá. O tratamento lá era significativamente menos caro do que na Suíça.

Nightingale teve £45 mil à sua disposição a partir do Fundo Nightingale para criar a Escola de Treinamento Nightingale no Hospital St. Thomas em 9 de Julho de 1860. As primeiras enfermeiras Nightingale treinadas começaram a trabalhar em 16 de maio de 1865 na Enfermaria Casa de Cuidados de Liverpool. Hoje chamada de Escola de Enfermagem e Obstetrícia Florence Nightingale, a escola faz parte do King’s College de Londres. Ela também fez campanha e levantou fundos para o Hospital Real de Buckinghamshire em Aylesbury, perto da casa de sua irmã em Claydon House.

Nightingale escreveu Notas sobre Enfermagem no ano de1859. O livro fez as vezes de pedra fundamental do currículo da Escola Nightingale e de outras escolas de enfermagem, muito embora tenha sido escrito especificamente para a educação das pessoas para enfermagem domiciliar. Nightingale escreveu “O conhecimento sanitário diário, ou o conhecimento de enfermagem, ou, em outras palavras, de como por a Constituição em tal Estado no qual não teremos doença, ou que teremos recuperação de doença, tome um lugar mais alto. Isto é reconhecido como o conhecimento que cada um deve ter – independente do conhecimento médico, o qual só uma profissão pode ter.” A seguir imagem de uma das edições do referido livro.

Notas sobre a Enfermagem também vendeu bem para o público leitor em geral e é considerada uma clássica introdução à enfermagem. Nightingale passou o resto de sua vida promovendo e organizando a profissão de enfermagem. Na introdução da edição de 1974, Joan Quixley da Escola Nightingale de Enfermagem escreveu: “O livro foi o primeiro de seu tipo a ser escrito. Apareceu num momento em que simples regras de saúde estavam apenas começando a serem conhecidas, quando os seus temas foram de importância vital não só para o bem-estar dos pacientes em recuperação, quando os hospitais estavam cheios de infecção, quanto para os enfermeiros que ainda eram majoritariamente considerados como pessoas ignorantes e sem instrução. O livro tem, inevitavelmente, o seu lugar na história da enfermagem, pois foi escrito pela fundadora da enfermagem moderna”.

Como Mark Bostridge demonstrou recentemente, uma das realizações mais pontuais de Nightingale foi a introdução de enfermeiras treinadas para o sistema de casas de cuidados na Inglaterra e na Irlanda da década de 1860 em diante. Isso significava que indigentes doentes não estavam mais sendo cuidados por outros indigentes sadios, mas por equipe de enfermagem devidamente treinada.

Embora Nightingale seja dita às vezes por ter negado a teoria da infecção por toda a sua vida, uma biografia recente discorda, dizendo que ela estava simplesmente fazendo oposição a uma teoria dos germes precursora conhecida como “contagionismo”. Esta teoria sustentou que as doenças só poderia ser transmitidas pelo toque. Antes dos experimentos de meados da década de 1860 por Pasteur e Lister , dificilmente quase alguém levava a sério a teoria dos germes; mesmo depois, muitos médicos praticantes não ficaram convencidos. Bostridge apontou que no início dos anos 1880 Nightingale escreveu um artigo para um livro texto em que ela defendeu precauções estritas concebidas, disse ela, para matar os germes. O trabalho de Nightingale serviu de inspiração para os enfermeiros na Guerra Civil Americana. O governo da União se aproximou dela para conselhos sobre a organização da medicina de campo. Embora suas ideias tenham encontrado resistência de oficiais, elas inspiraram o corpo voluntário da Comissão Sanitária dos Estados Unidos.

Na década de 1870, Nightingale foi mentora de Linda Richards, a “primeira enfermeira treinada da América”, e permitiu a ela para voltar para os EUA com a formação e conhecimentos adequados para estabelecer escolas de enfermagem de alta qualidade. Linda Richards se tornou uma grande pioneira de enfermagem nos EUA e Japão.

Em 1882, várias enfermeiras Nightingale tornaram-se matronas em vários hospitais de renome, incluindo, em Londres (Hospital Santa Maria, Hospital Westminster, Casa de Cuidados e Enfermaria St. Marylebone e o Hospital para Incuráveis em Putney) e por toda a Grã-Bretanha (Hospital Vitoriano Real, Netley; Enfermaria Real de Edimburgo; Enfermaria de Cumberland e a Enfermaria Real de Liverpool), bem como no Hospital de Sydney, em Nova Gales do Sul, na Austrália.

Em 1883, Nightingale foi premiada com a Cruz Vermelha Real pela Rainha Vitória. Em 1904, foi nomeada a Senhora da Graça da Ordem de São João (LGStJ). Em 1907, ela se tornou a primeira mulher a ser condecorada com a Ordem do Mérito. No ano seguinte, foi dada a ela a Honraria da Liberdade da Cidade de Londres. Seu aniversário é hoje comemorado como o Dia Internacional da consciência sobre Síndrome de Fadiga Crônica.

“A Liberdade Honorária (Honorary Freedom) é ocasionalmente atribuída a líderes mundiais e outros indivíduos proeminentes em reconhecimento as suas realizações. Trata-se da honra mais distinta conferida pela Cidade de Londres.”

De 1857 em diante, Nightingale foi intermitentemente acamada e sofrera de depressão. Uma biografia recente cita brucelose e espondilose associada como causas. Uma explicação alternativa para sua depressão é baseada em sua descoberta após a guerra que tinha sido enganada sobre as razões para a alta taxa de mortalidade. Não há, no entanto, nenhuma prova documental para apoiar esta teoria.

A maioria das autoridades hoje aceita que Nightingale sofria de uma forma particularmente extrema de brucelose, cujos efeitos começaram a serem levantados apenas no início dos anos 1880. Apesar de seus sintomas, ela permaneceu produtiva na reforma social. Durante seus anos acamada, ela fez também um trabalho pioneiro na área de planejamento hospitalar, e seu trabalho se propagou rapidamente pela Grã-Bretanha e pelo mundo. A seguir uma foto de Florence acamada em sua casa.

                                                                               

Imagem: Florence Nightingale acamada

 A produtividade de Nightingale desacelera consideravelmente na sua última década. Ela escreveu muito pouco durante esse período, devido à cegueira e declínio das habilidades mentais, embora ela ainda mantivesse o interesso nos assuntos atuais.


REFERÊNCIAS
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2. Oguisso T Trajetória histórica e legal da enfermagem. 1 ed. São Paulo: Manole; 2005
3. Barreira EA. Memória e história para uma nova visão da enfermagem no Brasil. Rev. latino-am. enferm. 1999; 7(3):87-93.
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6. Meihy JCSB. Manual de Historia Oral. 4a . ed. São Paulo: Loyola; 2002.
7. Foucault M. O sujeito e o poder. In: Dreyfus H, Rabinow P, organizadores. Michel Foucault, uma trajetória filosófica. Para além do estruturalismo e da hermenêutica. 1 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária; 1995. p. 231-49.


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Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 30/07/2018

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