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Medicamentos antiarrítmicos

Medicamentos antiarrítmicos

São medicamentos indicados no tratamento de arritmias cardíacas. Entre eles, merecem destaque: amiodarona, atropina, propanolol, digoxina, lidocaína, quinidina, procainamida, deslanosídeo e verapamil.

O medicamento amiodarona é indicado nos casos de arritmia ventricular. Pode ser administrado por via oral (comprimidos e gotas) ou endovenosa.

Os pacientes em uso de amiodarona podem apresentar, como efeitos colaterais: hipotensão (por vasodilatação), bradicardia, náuseas, êmese, cefaleia, perda de apetite, tontura, constipação intestinal, fibrose pulmonar, alveolite e pneumonite intersticial.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à amiodarona:

  • Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de administração prescritas pelo médico.
  • Nos casos de administração por via endovenosa, diluir em solução fisiológica 0,9% ou em solução glicosada 5%.
  • Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfermagem, devido ao risco de tontura.

O medicamento atropina é indicado nos casos de intoxicação por inseticidas organofosforados, intoxicação por inibidores de colinesterase e bradicardia sinusal. Promove a inibição de secreção salivar, de secreção brônquica e da sudorese, dilata as pupilas e aumenta a frequência cardíaca. Em doses elevadas, pode diminuir a motilidade gastrointestinal e urinária, assim como inibir a secreção de ácido estomacal.

A atropina pode ser administrada pelas vias endovenosa, intramuscular ou subcutânea. O paciente em uso de atropina pode apresentar, como efeitos colaterais: agitação, alucinação, angina, ataxia, aumento da temperatura corporal, aumento da frequência cardíaca, confusão mental, constipação intestinal, desorientação, cefaleia, excitação, insônia, náuseas, palpitação, retenção urinária, sede, sensibilidade à luz, tontura e êmese.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à atropina:

  • Atentar para a via de administração e a dosagem prescritas pelo médico.
  • Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfermagem, devido ao risco de desorientação.
  • Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento propanolol tem ação antiarrítmica, anti-hipertensiva e ansiolítica. É indicado nos casos de angina pectoris, enxaqueca, arritmia, hipertensão arterial e ansiedade. Pode ser administrado por via oral (cápsula e comprimido) ou endovenosa.

Os pacientes em uso de propanolol podem apresentar, como efeitos colaterais: ansiedade, nervosismo, fraqueza, congestão nasal, constipação ou diarreia, diminuição da habilidade sexual, bradicardia, constrição brônquica, insuficiência cardíaca congestiva, náuseas, êmese, sonolência e hipotensão ortostática.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao propanolol:

  • Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de administração prescritas pelo médico.
  • Orientar o paciente sobre o risco de dirigir e de operar má- quinas, devido ao risco de sonolência.
  • Nos casos de administração por via endovenosa, controlar a velocidade de infusão.
  • Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento digoxina é antiarrítmico, cardiotônico, inotrópico e digital. É indicado nos casos de insuficiência cardíaca congestiva, taquicardia atrioventricular paroxística e fibrilação atrial. Sua administração é por via oral (comprimido, elixir e solução).

Os pacientes em uso de digoxina podem apresentar, como efeitos co- laterais: agitação, arritmia cardíaca, aumento da intensidade da insuficiên- cia cardíaca congestiva, cefaleia, fadiga, diminuição de apetite, náusea, parestesia, queda de pressão arterial, tontura e êmese. Esses sinais e sin- tomas são característicos de intoxicação digitálica, que ocorre pois a dose terapêutica é muito próxima à dose tóxica.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à digoxina:

  • Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de administração prescritas pelo médico.
  • Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfermagem, devido ao risco de tontura.
  • Verificar a frequência cardíaca do paciente antes da administração do medicamento.
  • Em casos de bradicardia, não administrar o medicamento e comunicar o médico.
  • Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento lidocaína é indicado no tratamento de taquicardia ventricular, fibrilação ventricular e extrassístoles sintomáticas. Como antiarrítmico, a lidocaína é administrada apenas por via endovenosa.

O paciente em uso de lidocaína raramente apresenta efeitos colaterais, mas os casos em que eles ocorrem podem referir ansiedade, nervosismo, sensação de calor ou de frio, dormência, reações alérgicas e tontura.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à lidocaína:

  • Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfermagem, devido ao risco de tontura.
  • Atentar para a forma de apresentação, a dosagem, a via de administração e a concentração (1% ou 2%) prescritas pelo médico.
  • Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento quinidina é indicado nos casos de arritmia ventricular, fibrilação atrial e flutter atrial. Sua administração é por via oral.

Os pacientes em uso de quinidina podem apresentar, como efeitos colaterais: diarreia, náuseas, êmese, dor abdominal, cefaleia, vertigem, zumbidos, delírio, desorientação, anemia hemolítica, urticária, fotossensibilização e dermatite.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à quinidina:

  • Atentar para a forma de apresentação e a via de administração prescritas pelo médico.
  • Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfermagem, devido ao risco de vertigem.
  • Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento procainamida é indicado nos casos de arritmia ventricular ou supraventricular. Pode ser administrado por via oral, intramuscular ou endovenosa.

O paciente em uso de procainamida pode apresentar, como efeitos colaterais: náuseas, vômitos, anorexia, diarreia, rush cutâneo, confusão mental, hipotensão, choque e alargamento do complexo QRS (traçado elétrico cardíaco).

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à procainamida:

  • Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de administração prescritas pelo médico.
  • Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfermagem, devido ao risco de hipotensão.
  • Manter o paciente em monitorização cardíaca, com atenção especial ao traçado do complexo QRS.
  • Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento deslanosídeo tem ações antiarrítmica e digitálica, sendo indicado nos casos de insuficiência cardíaca congestiva aguda ou crônica, taquicardia paroxística ou supraventricular. Sua administração é por via endovenosa.

O paciente em uso de deslanosídeo pode apresentar, como efeitos colaterais: náuseas, vômito, fraqueza, apatia, diarreia, confusão, desorientação, distúrbios visuais e anorexia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à deslanosídeo:

  • Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de administração prescritas pelo médico.
  • Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfermagem, devido ao risco de desorientação.
  • Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento verapamil é antiarrítmico, antianginoso e anti-hipertensivo. É indicado nos casos de hipertensão arterial, angina do peito crônica estável e taquicardia supraventricular. Pode ser administrado por via oral ou endovenosa.

O paciente em uso de verapamil pode apresentar, como efeitos colaterais: constipação, confusão mental, vertigem, fraqueza, nervosismo, prurido, hipotensão, cefaleia, bradicardia, náuseas, desconforto gástrico e aumento da transaminase.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao verapamil:

  • Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de administração prescritas pelo médico.
  • Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfermagem, devido ao risco de vertigem.
  • A administração endovenosa da dosagem de manutenção deve ser feita com o uso de bomba de infusão contínua.
  • Nos casos de administração por via endovenosa, manter o paciente sob monitorização eletrocardiográfica.
  • Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais provocados pelo medicamento. Em casos graves, pode-se utilizar cálcio in bolus para a sua reversão.
  • REFERÊNCIAS

    1. Administração de medicamentos na Enfermagem. Rio de Janeiro: EPUB. 2ª ed, 2002
    2. FURP - Memento Terapêutico. Secretaria de Estado da Saúde. 6ª ed., nov/95.
    3. STAUT, NAÍMA DA SILVA - Manual de drogas e soluções. São Paulo: EPU, 1986.
    4. ZANINI, A.C., OGA S. - Farmacologia aplicada. 5º ed. São Paulo: Atheneu, 1994.
    5.FAKIH, F.T. - Manual de Diluição e administração de medicamentos injetáveis. 1ªed.
    Rio de Janeiro, 2000
    6. FONSECA, S.M. et al – Manual de Quimiterapia antineoplasica. 1ªed, Rio de Janeiro,
    2000
    7. DUNCAN, H.A. et al – Dicionário Andrei para enfermeiros e outros profissionais da
    saúde, 2ªed, São Paulo, 1995


Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 04/07/2018

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