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Administração por via Intraperitoneal

Administração por via Intraperitoneal

O peritônio é uma membrana serosa que cobre os órgãos abdominais e reveste a parede abdominal e pélvica, funcionando como uma membrana semipermeável. 

É composta por uma área da superfície corporal de cerca de 22 mil cm². A administração de medicamentos por essa via é mais comum para a realização de diálise ou infusão de quimioterápicos. Na administração de medicamento, um cateter é colocado na cavidade peritoneal e a solução dialítica é instalada. Água, eletrólitos e produtos tóxicos do metabolismo passam do leito capilar do peritônio para o dialisado, por osmose ou difusão.

A diálise peritoneal pode ser um tratamento de escolha para pacientes com insuficiência renal, que não são capazes ou que não desejam se submeter à hemodiálise ou transplante renal. Por conseguinte, pacientes com diabetes, doenças cardiovasculares, idosos e aqueles que podem estar em risco de efeitos colaterais do uso sistêmico da heparina são candidatos a esse método.


Tipos de cateteres para diálise

Cateter de curta permanência

É um cateter rígido e desenhado para uso único ou esporádico, por exemplo, em pacientes que fazem quimioterapia uma vez por mês. Esse cateter pode ser instalado à beira do leito e usado imediatamente. É menos dispendioso e sua retirada é mais fácil.

Sua desvantagem é poder perfurar órgãos e causar mais dor, quando comparado aos cateteres de longa permanência, além de ser mais suscetível a vazamentos e expulsões da cavidade intraperitoneal. Esse cateter deve ser trocado a cada três dias (72 horas), conforme padronização da Comissão de Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar – CCIEH.

Cateter de longa permanência

É um cateter de silicone ou de poliuretano (cateter de TencKhoff®), possuindo um ou dois cuffs e uma película de Dacron de 1 a 1,5 cm de comprimento, que envolve o cateter em sua porção extraperitoneal. O cuff serve para fixar o cateter no seu trajeto, no interior da parede abdominal. A película de Dracon tem como função prevenir a migração de bactérias do paciente para o túnel subcutâneo.

Acesso subcutâneo

O cateter subcutâneo (tipo port-a-cath) é implantado sob a pele do abdome, por um túnel produzido no tecido subcutâneo e comunica a cavidade peritoneal do paciente com o acesso externo.

Esse acesso possui um reservatório para medicamentos e um septo de silicone autobloqueável, que pode resistir até 2 mil punções com agulhas. Dois manguitos ancoram o cateter no local, evitando, assim, seu desloca- mento dentro da cavidade.

Os acessos intraperitoneais tendem a ser mais dispendiosos do que os cateteres externos e não permitem a irrigação sob alta pressão, a irrigação forçada ou a manipulação para desprender ou afrouxar coágulos. Porém, se o tratamento do paciente for domiciliar, esse cateter é indicado, pois não requer cuidados especiais e possui menor risco de infecção e perfuração visceral do que os cateteres externos.

Esse tipo de acesso não é apropriado para pacientes com infecção, desnutridos obesos ou que foram submetidos à radioterapia torácica ou mastectomia. Nesse último caso, a restrição é quanto à colocação torácica do cateter, podendo ser feita a implantação próxima à crista ilíaca ou inguinal, sem contraindicação.

Realização de diálise peritoneal

Cada ciclo da diálise peritoneal compreende três fases:

  • Infusão.
  • Permanência.
  • Drenagem do líquido.


Infusão
Permanência
Drenagem
A solução é infundida na cavidade abdominal, por força da gravidade, através do cateter implantado no peritôneo.
Nesta fase, ocorre o processo de difusão e ultrafiltração. O tempo de permanência varia de acordo com as necessidades dialíticas
do paciente.
Há a remoção das escórias nitrogenadas e do excesso de água.
A remoção das escórias dependerá do equilíbrio entre a solução de diálise
e o sangue.


Material:

Equipo de diálise em Y.

  • Bolsa de drenagem.
  • Líquido dialisado aquecido.
  • Compressa com iodopovidona.
  • Solução de iodopovidona.
  • Luvas estéreis.
  • Máscara.
  • Avental estéril.
  • Compressas de gaze estéril.
  • Esparadrapo ou fita adesiva hipoalergênica.
  • Dois protetores ou campos impermeáveis.

          Procedimento:

  • Explicar o procedimento ao paciente.
  • Pesar o paciente em jejum.
  • Verificar sinais vitais.
  • Mensurar circunferência abdominal.
  • Lavar as mãos e colocar o avental, a máscara e as luvas estéreis.
  • Abrir o equipo em Y e, a seguir, conectar a linha de saída única da bolsa de drenagem.
  • Fechar os clampes do tubo.
  • Retirar a cobertura de uma das pontas do tubo, introduzi-la no dialisado e a outra na bolsa que contém a solução.
  • Abrir o clampe entre a solução e o paciente.
  • Retirar todo o ar do sistema e fechar o clampe.
  • Abrir os clampes de modo que a bolsa de drenagem encha e também seja preenchida essa parte do tubo.
  • Fechar todos os clampes.
  • Abrir o campo estéril.
  • Colocar as compressas de gaze, a solução e as compressas com iodopovidona sobre o campo estéril.
  • Colocar outro protetor sobre a extensão do tubo que parte do cateter.
  • Retirar e descartar as luvas usadas.
  • Calçar um novo par de luvas estéreis.
  • Realizar a desinfecção da tampa do tubo de extensão e conectar o tubo do cateter ao equipo de administração.
  • Fixar a conexão com esparadrapo.
  • Fixar uma alça do tubo no abdome do paciente para evitar tensão do cateter.
  • Abrir o clampe do tubo de extensão do cateter e do tubo do equipo de administração, para iniciar a infusão para a cavidade peritoneal.
  • Deixar o paciente em posição confortável.
  • Descartar o material utilizado em local adequado.
  • Anotar a hora do início da infusão.

Cuidados importantes:

  • Certificar-se de que o clampe da bolsa de drenagem está realmente fechado para evitar a saída acidental da solução da cavidade para a bolsa de drenagem.
  • Após a infusão, fechar o clampe de entrada para evitar entrada acidental de ar na extensão e na cavidade peritoneal.
  • Manter o líquido na cavidade conforme prescrição médica.
  • Se necessário, realizar movimentação passiva do paciente, para proporcionar contato da solução com todas as superfícies do peritônio.
  • Ao término da permanência, drenar a cavidade abrindo o clampe.
  • Durante o período de permanência, o paciente pode referir desconforto, com dor abdominal, sensação de plenitude e dificuldade para respirar. Procurar deixá-lo em posição confortável.
  • Observar se todo o líquido infundido foi drenado.
  • Anotar a quantidade e o aspecto do líquido drenado.
  • Comunicar ao médico qualquer anormalidade detectada (por exemplo, drenagem de sangue ou retenção de líquido na cavidade).
  • Repetir as fases de infusão, permanência e drenagem, até completar o número de banhos prescritos, conforme prescrição médica.
  • Ao final das infusões, realizar desinfecção do cateter com iodopovidona.
  • Reunir e descartar todo o material.
  • Realizar desinfecção da borda do cateter e colocar a tampa estéril.
  • Trocar o curativo e fixar o cateter.

Acesso implantável:

  • Localizar o acesso peritoneal, palpando-o.
  • Higienizar as mãos. Colocar máscara.
  • Abrir o material com técnica estéril em campo estéril.
  • Colocar as luvas e o avental estéril.
  • Limpar a pele do paciente com gazes estéreis embebidas em iodopovidona e deixar a solução secar.
  • Usar a mão não dominante para firmar o acesso. Puncionar com uma agulha sem mandril, que já tenha sido preenchida previamente com soro fisiológico e que já esteja conectada a um equipo de extensão.
  • Fixar a agulha colocando esparadrapo, fitas adesivas estéreis ou filme transparente sobre o mandril.
  • Com uma seringa com soro fisiológico, verificar se a agulha está bem posicionada, tentando aspirar líquido. Se não houver retorno de líquido, tentar lavar o acesso com soro fisio- lógico.
  • Conectar o equipo de administração e iniciar a infusão, considerando todas as fases da diálise.

Cuidados com o cateter:

Nos primeiros dias após a implantação de um cateter para diálise, ele deve ser mantido pérvio, de acordo com o protocolo da instituição ou prescrição médica.

Exemplo:

  • Irrigar o cateter com 500 ml de uma solução de diálise heparinizada a cada 2 ou 3 horas, durante três dias. A seguir, preencher o cateter com 5.000 UI de heparina (1.000 U/ml) e mantê-lo ocluído.
  • Um período de cicatrização de duas semanas permite que o cateter seja selado e não vaze.
  • Realizar a troca diária do curativo até a cicatrização total.
  • Manter o acesso implantável desobstruído, irrigando-o rotineiramente com 5 a 10 ml de soro fisiológico. Antes e após a administração de medicamentos, realizar uma pequena irrigação com 20 ml de solução compatível.
  • O médico deve retirar um cateter de longa permanência ou um acesso implantável. O enfermeiro pode retirar um cateter de curta permanência.
  • Segundo o Decreto no 94.406/1987, sobre o exercício da Enfermagem, artigo 8o, inciso I, alínea h, cabe ao Enfermeiro: “cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos científicos adequados e capacidade de tomar decisões imediatas”.
  • Registrar os sinais vitais.
  • Pesar e medir a circunferência abdominal do paciente, verificar o aspecto da região do cateter, a solução ou medicamento infundido, incluindo o volume, a dose e a taxa de administração, a cor do efluente do cateter, a resposta do paciente ao procedimento e as orientações dadas durante a diálise.
  • São sinais de peritonite: febre, calafrios, hiperestesia abdominal, espasmos generalizados, dispneia, náuseas, opacificação do líquido de drenagem peritoneal, eritema, edema ou saída de secreção pela região do cateter. É importante uma educação adequada e bem registrada, no caso de pacientes que farão uso do cateter em domícilio.

Cuidados na administração da diálise peritoneal:

Em todos os tipos de cateteres, a técnica asséptica rigorosa é imprescindível.

  • Antes de iniciar a infusão, a bolsa deve ser aquecida em calor seco, em torno de 36ºC.
  • Soluções frias causam dor e menor eficiência da diálise em virtude da vasoconstrição.
  • Soluções quentes queimam o peritôneo.
  • Atentar para queixas álgicas, sinais de infecção, desconforto abdominal e respiratório, bem como mau posicionamento do cateter.



Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 05/07/2018

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