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Administração por via epidural (peridural)

Administração por via epidural (peridural)

Alguns medicamentos são administrados no espaço epidural, isola- dos ou em combinação, proporcionando um sítio específico de analgesia.

Para a administração do medicamento pela via epidural, o médico anestesista instala um cateter epidural por uma via percutânea no espaço epidural, que está localizado entre o ligamento flavum e a duramáter, estendendo-se desde o forame magno até a membrana sacrococcígea. Esse espaço potencial é preenchido por veias epidurais, gordura e tecido areolar frouxo.

Na anestesia epidural, o anestésico local é injetado, geralmente, através dos espaços intervertebrais na região lombar, embora também possa ser injetado nas regiões cervicais e torácicas. Para produzir analgesia do tórax e do abdome superior, o cateter é posicionado entre a 5a e a 8a vértebras torácicas, e, para produzir analgesia do abdome inferior e membros inferiores (MMII), o cateter é implantado entre a 2a e a 4a vértebras lombares.

Medicamentos que podem ser administrados pela via epidural

Alguns medicamentos são administrados no espaço epidural, isolados ou em combinação, proporcionando um sítio específico de analgesia.


Opiáceos
Os opiáceos administrados por essa via difundem-se pela duramáter e misturam-se com o líquido cefalor- raquidiano (LCR) do paciente. Em seguida, ligam-se aos receptores opioides, que bloqueiam a transmissão dos estímulos dolorosos entre o gânglio da raiz dorsal e a medula espinhal.
Medicamentos lipossolúveis
Os medicamentos lipossolúveis, como fentanil, sufentanil e bupivacaína, atravessam facilmente a duramáter e produzem alívio imediato da dor.
Medicamentos hidrossolúveis
Os agentes hidrossolúveis, como a morfina e a hidromorfona, atravessam lentamente a duramáter e, por essa razão, proporcionam analgesia lenta e de maior duração.


A administração simultânea de um opiáceo e uma anestesia local pode produzir os efeitos analgésicos dos dois medicamentos. Possibilita-se, assim, a utilização de doses menores e reduz-se os riscos de ocorrer efeito colateral.

Os medicamentos administrados por essa via devem ser soluções aquosas, neutras, isotônicas, rigorosamente estéreis e apirogênicas. Não devem possuir conservantes germicidas, pois podem lesar o tecido nervoso. Devido ao pequeno volume e à lentidão de movimento do LCR, as preparações injetadas devem apresentar pH e tonicidade próximos dos valores fisiológicos.Vantagens da via epidural

As vantagens dessa via, comparada à sistêmica, estão no fato de as doses necessárias para analgesia serem menores e causarem menos efeitos colaterais e maior liberdade de movimentação para o paciente.

 

  Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais relacionados ao uso de morfina são: depressão respiratória, náuseas, vômitos, retenção urinária, prurido, diminuição da motilidade intestinal, sonolência e alucinações.

Complicações relacionadas ao cateter

  • Infecção.
  • Migração do cateter para o espaço subaracnoideo.
  • Perda.
  • Dobra – acotovelamento ou quebra acidental do cateter, podem advir de manipulação inadequada nas trocas de curativos ou por movimentação do paciente. Nesse caso, a infusão deve ser interrompida e uma nova avaliação do anestesista deve ser solicitada.

Prevenção de infecções

  • Realizar a higienização das mãos antes e após a manipulação do cateter.
  • Observar a inserção do cateter (sinais flogísticos).
  • Controlar rigorosamente a temperatura corpórea.
  • Realizar curativo conforme padronização da instituição.

Contraindicações:

  • Plaquetopenia.
  • Distúrbios de coagulação.
  • Infecção localizada.
  • Anormalidade estrutural diagnosticada na coluna vertebral ou no espaço epidural, artrite vertebral.
  • Hipotensão.
  • Hipertensão grave.
  • Alergia ao medicamento prescrito.

                   Material:

  • Medicamento prescrito previamente preparado.
  • Compressas de gaze embebidas em álcool a 70% utilizado para desinfecção.
  • Seringa de 5 ml.
  • Um par de luvas de procedimento.
  • Máscara.
  • Um pacote de compressas de gaze estéril.

                 Procedimento:

  • Lavar as mãos.
  • Colocar luvas e máscara.
  • Colocar o campo fenestrado na região do cateter.
  • Realizar desinfecção da tampa com álcool a 70% (deixar a solução secar totalmente).
  • Introduzir a agulha da seringa de 5 ml vazia na tampa para injeção e aspirar. Caso retorne sangue ou LCR límpido, suspender o procedimento e avisar o médico. Se não houver re- torno, proceder à administração do medicamento, conforme prescrição.

A administração por essa via pode ser prescrita em bolus, devendo ser injetado o medicamento à velocidade prescrita, ou, ainda, pode ser pres- crita infusão contínua, e o fluxo de infusão deve ser ajustado conforme a prescrição médica.

No caso da infusão contínua, deve-se conectar o filtro ao recipiente que contém o medicamento e retirar todo o ar do sistema. Esse filtro é de 0,2 mícron sem surfactante.

  • Realizar a identificação do frasco do medicamento e do cateter com as palavras: Via Epidural, para evitar infusão acidental de outros medicamentos por meio dessa via de administração.
  • Enrolar o cateter e fazer a fixação preferencialmente com filme transparente conforme protocolo da instituição, evitando-se assim, a tração do cateter; observar a sua inserção e localização.
  • Observar a inserção do cateter para avaliar: presença de sinais flogísticos; extravasamento de medicação ao redor do cateter; deslocamento, dobra ou tração do cateter.
  • Realizar a limpeza e troca da fixação conforme protocolo da instituição.

Cuidados importantes:

  • Não utilizar soluções alcoólicas para limpar a inserção do cateter, pois esse agente pode causar lesão nervosa se em contato com o espaço epidural.
  • Verificar a posição do cateter medindo seu comprimento externo. Realizar aspiração do cateter conforme protocolo da instituição.
  • Se o paciente apresentar cefaleia pulsátil e prolongada, que piora na posição sentada ou ereta, o cateter pode ter perfurado a duramáter, possibilitando o extravasamento de LCR do espaço epidural e reduzindo a pressão no canal medular. Comunicar o médico, pois o paciente pode receber uma dose excessiva do analgésico prescrito.
  • Caso a cefaleia não ceda em 48 horas, o médico poderá prescrever injeções de cafeína ou um tampão sanguíneo (aspiração de 10 ml de sangue de uma veia periférica do paciente e sua injeção no espaço epidural, que irá selar a área que está vazando e atenuar a cefaleia). A tampa oclusora para administrar o medicamento e o filtro do cateter epidural devem ser substituídos a cada 48 ou 72 horas, de acordo com o protocolo da instituição.



Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 05/07/2018

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