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Fatores que interferem na sexualidade de idosos: uma revisão integrativa

Fatores que interferem na sexualidade de idosos: uma revisão integrativa

O envelhecimento no Brasil se destaca por um processo de reestruturação demográfica da qual cada vez mais cresce quantitativamente.

Temos a perspectivas de que em 2020 tenhamos um número maior de dependentes financeiramente sobrepondo a população economicamente ativa, implicando a necessidade de novas discussões para se buscar estratégias que englobem a amplitude do termo saúde da pessoa idosa, reconhecendo-o em sua totalidade, dentre elas sua sexualidade. 

A velhice, enquanto etapa da vida, na concepção de muitos, ainda, é marcada como sinônimo de incapacidades, seja de ordem física ou mental, tornando os idosos improdutivos no campo econômico e social. A abordagem no processo de envelhecimento engloba vários aspectos, na perspectiva do desenvolvimento humano, com enfoque biológico e psicológico,nas questões socioeconômicas e na abordagem cultural, que realça os estereótipos e as percepções dos mesmos e dos outros ao seu respeito. A sexualidade quando relacionada ao envelhecimento traduz mitos e tabus, resultando na concepção de que idosos são pessoas assexuadas. 

A sexualidade do idoso deve ser compreendida partindo do princípio de que ela se compõe da totalidade deste indivíduo, devendo ser considerado o seu sentido holístico. Sendo, portanto, não somente fator biológico, como também biopsicossociocultural. Face ao aumento contínuo da população idosa e da necessidade de cuidados que visualizem a promoção da sua qualidade de vida, são necessários estudos na área do envelhecimento, que abordem não apenas o aparecimento das doenças, como também temáticas que considerem o idoso em toda sua identidade humana, incluindo a sua sexualidade.A investigação sobre os fatores que interferem na vivência da sexualidade dos idosos, sem estigmas e repreensões, comuns nessa faixa etária, deve ser estimulada no campo científico e nos espaços sociais, tendo por atores do processo educativo os profissionais de saúde, dentre estes o enfermeiro.

Portanto, o estudo objetivou analisar as evidências científicas dos últimos seis anos que retratam os fatores que interferem na sexualidade dos idosos.Materiais e métodos. Trata-se de uma revisão integrativa, cuja finalidade foi reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre um delimitado tema ou questão, de maneira sistemática e ordenada, contribuindo para o aprofundamento do conhecimento acerca do tema investigado. 

Esse método científico constitui a Prática Baseada em Evidência (PBE), a qual permite a utilização de resultados para prática clínica. A Enfermagem baseada em evidências é caracterizada pela tomada de decisões do profissional ocasionada pela aplicabilidade de informações válidas, testadas e baseadas em pesquisas. Uma das finalidades da PBE é encorajar a utilização de resultados experimentados e avaliado sem pesquisas na assistência prestada à saúde em seus níveis de atuação, reforçando a importância da pesquisa para prática profissional. Para elaboração da presente revisão, foram utilizadas as seguintes etapas: formulação da questão de pesquisa; seleção dos artigos e estabelecimento dos critérios de inclusão; obtenção dos artigos que constituíram a amostra; avaliação dos artigos; interpretação dos resultados e apresentação da revisão integrativa. 

Para a primeira etapa elaborou-se a seguinte questão norteadora: quais são as evidências científicas publicadas nos últimos seis anos que abordam os fatores que interferem na sexualidade dos idosos?

A segunda etapa constituiu-se na busca dos artigos, esta ocorreu em pares, em outubro de 2011, de forma on-line, utilizando os descritores em Ciências da Saúde (DeCS): sexualidade e idoso/sexuality and aged/sexualidad y anciano. 

As bases de dados eletrônicas empregadas para seleção dos artigos foram: Medical LiteratureAnalysis and Retrieval System Online (Medline), Literatura Latino Americano em Ciências da Saúde(Lilacs), Cidades Saudáveis (CIDSAÚDE) e Bases de Dados em Enfermagem (BDENF). 

Os artigos selecionados obedeceram aos critérios de inclusão: ser artigo original; ter sido publicado entre os anos de 2006 até o mês de outubro de 2011; responder à questão norteadora; e estar nas línguas portuguesa,inglesa ou espanhola. Foram excluídos os trabalhos que envolviam idosos e adultos na publicação e estudos que consideravam indivíduos comidade inferior a 60 anos, por definição no Brasil o idoso deve ter idade igual ou superior a 60 anos. 

A terceira etapa teve como objetivo a avaliação da qualidade metodológica dos estudos posteriormente à seleção dos artigos, os mesmos foram submetidos a dois instrumentos, por dois autores da presente revisão integrativa, de forma separa da: o primeiro instrumento foi adaptado do Critical Appraisal Skills Programme – CASP, esse instrumento possui 10 itens que são pontuados,incluindo: 1) objetivo; 2) adequação do método; 3) apresentação dos procedimentos teórico-metodológicos; 4) critérios de seleção da amostra, 5) detalhamento da amostra; 6) relação entre pesquisadores e pesquisados; 7) respeito aos aspectos éticos; 8) rigor na análise dos dados;9) propriedade para discutir os resultados e 10) contribuições e limitações da pesquisa.

Conclusão: 

A presente revisão evidenciou que além das modificações fisiológicas que o corpo apresenta com o decorrer dos anos e que podem interferir na prática sexual, a cultura da assexualidade e o preconceito social com os mais velhos favorecem a construção do estereótipo que a sexualidade está designada aos mais jovens, repreendendo em idosos desejos e vontades no campo sexual.A análise dos estudos permitiu visualizar por meio dos 15 estudos os fatores que interferem na sexualidade do idoso, remetendo à importância da atuação dos profissionais da saúde na educação sexual dos mais velhos, a fim de contribuir, por meio de atividades educativas, para desmistificação que permeia o exercício da sexualidade da população idosa. 

A educação em saúde vem a ser a estratégia na construção de conceitos que visualizem o idoso como indivíduo livre para vivenciar sua sexualidade desprendida de mitos e preconceitos que se solidificaram socialmente, sendo necessário considerar que essas ações educativas devem envolver idosos e não idosos, pois o envelhecimento é inerente ao ser humano e questões sobre a sexualidade precisam ser discutidas no percurso de todas as etapas da vida.

Portanto, a sexualidade permanece em construção ao longo da trajetória do ser humano, e frente a este processo, destaca-se o papel do enfermeiro como educador, inserindo a educação em saúde nos espaços de atuação profissional, no que se refere à educação sexual.

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Postado por: Sou Enfermagem | Publicado em: 08/09/2018

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