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Vasectomia

Vasectomia

A decisão de se submeter a uma vasectomia é muito pessoal. Então é importante que você tenha uma compreensão clara do que é uma vasectomia antes de fazê-lo. O texto a seguir fornecerá informações que vão te ajudar a decidir se a vasectomia é uma forma de contracepção adequada para você.

O que acontece normalmente?
Os testículos produzem os espermatozoides e testosterona e se localizam no escroto, na base do pênis. Os espermatozoides deixam o testículo por túbulos delicados e sinuosos que se situam dentro do epidídimo, onde permanecem até que estejam totalmente maduros. Cada epidídimo se liga à próstata por um canal denominado ducto deferente. Esse canal muscular tem sua origem na porção inferior do escroto, passa pelo canal inguinal (na virilha, um local frequentemente acometido por hérnias), e chega à pelve, onde passa posteriormente à bexiga. É neste local que os ductos deferentes se unem às vesículas seminais e formam os ductos ejaculatórios. Durante a ejaculação, os líquidos seminal e prostático se misturam aos espermatozoides, formando o sêmen que é expelido pela uretra.

 

 O que é a vasectomia?

A vasectomia é um procedimento cirúrgico desenvolvido com objetivo de interromper a comunicação entre os testículos e a uretra através da secção dos ductos deferentes.

Como se realiza uma vasectomia?
As vasectomias podem ser feitas no consultório do urologista, em um centro cirúrgico ambulatorial ou mesmo em um hospital, caso o paciente e o médico cheguem à conclusão que a sedação venosa é desejável. Essa decisão pode ser motivada pela anatomia do paciente, ansiedade ou pela necessidade de outros procedimentos cirúrgicos no mesmo momento da vasectomia.

Antes do procedimento, o paciente deve preencher um termo de consentimento informado. De acordo com a lei 9.263, publicado no Diário Oficial da União em agosto de 1997, sobre a regulamentação do planejamento familiar, a vasectomia é indicada para homens acima de 25 anos ou, pelo menos, com dois filhos vivos ou nos casos onde a gravidez do cônjuge poderá gerar risco de vida. Na prática diária, costuma-se dizer aos homens que devem eleger a vasectomia como um procedimento definitivo, apesar de sabermos que existe a possibilidade de reversão. O homem deve estar seguro de sua decisão e, principalmente, feliz com o relacionamento conjugal.

Tão importante quanto idade e o número de filhos, é a decisão demonstrada em 02 (duas) ou mais consultas e o tempo transcorrido entre a primeira consulta e o dia da cirurgia (deve ser superior a dois meses). Durante este período o médico urologista deve avaliar se a decisão está embasada em desejos reais ou circunstanciais movidos por motivos apenas transitórios.

Uma vez atendidos todos os pré-requisitos legais, o paciente será levado à sala de operações onde sua bolsa escrotal será depilada. Alguns médicos preferem que o paciente se depile em casa. O local será, então, lavado com uma solução antisséptica.  O urologista injetará uma solução anestésica e o local ficará dormente. O paciente não sente dor, mas a sensação de pressão e de manipulação permanecerá durante o procedimento. Como o paciente geralmente permanece acordado durante o procedimento, ele pode comunicar ao médico caso sinta dor para que se injete mais anestésico.

Em uma vasectomia convencional, o urologista faz uma ou duas pequenas incisões na pele da bolsa escrotal para ter acesso aos ductos deferentes. Os ductos deferentes são seccionados podendo-se remover um pequeno segmento o que aumenta a distância entre os cotos. Em seguida o urologista pode cauterizar a luz ou os cotos para depois amarrar os mesmos. As incisões na bolsa escrotal podem ser suturadas com material absorvível ou cicatrizar espontaneamente. O processo é repetido do outro lado, podendo-se utilizar a mesma incisão ou uma segunda incisão na bolsa escrotal.

Em uma vasectomia pela técnica chinesa (sem bisturi), o urologista sente o ducto deferente sob a pele da bolsa escrotal e o prende com uma pinça especial. Outra pinça é então utilizada para fazer uma pequena incisão na pele por onde o ducto deferente é exposto e seccionado.

O que o paciente pode esperar após uma vasectomia?
Seu urologista deve fazer recomendações específicas após a vasectomia. Geralmente é aconselhável retornar para casa logo após o procedimento, além de evitar atividade física ou sexual. É possível minimizar tanto o edema (inchaço) quanto o desconforto no local da cirurgia com aplicação de gelo e com uso de um suspensório escrotal. A maioria dos pacientes se recupera totalmente da cirurgia em menos de uma semana e muitos conseguem voltar ao trabalho no dia seguinte ao procedimento. A atividade sexual pode ser retomada em uma semana após a vasectomia. É, todavia, importante, que todos os pacientes saibam que a vasectomia, mesmo quando bem sucedida, não apresenta efeito imediato. A eficácia da vasectomia deve ser comprovada por pelo menos um espermograma que demonstre ausência de espermatozoides. O tempo até que haja ausência de espermatozoides varia entre os pacientes. A maioria dos urologistas recomenda fazer o espermograma após três meses ou 20 ejaculações, o que ocorrer primeiro. Se o espermograma ainda evidenciar espermatozoides, é necessário que o casal continue fazendo uso de algum método contraceptivo. Após três meses ou 20 ejaculações, um em cada cinco homens ainda apresentarão espermatozoides ao espermograma e necessitarão esperar mais tempo para que haja ausência de espermatozoides ao espermograma. O paciente não deve supor que a vasectomia foi bem sucedida até que um espermograma comprove a ausência de espermatozoides.

Há riscos associados à vasectomia?
No período pós-operatório imediato há risco de hemorragia na bolsa escrotal. Caso o paciente note um aumento importante do tamanho de seu escroto ou desconforto importante, ele deve entrar em contato com o urologista imediatamente. Pacientes que apresentem febre, vermelhidão e dor escrotal também devem ser avaliados pelo médico, pois esses são sinais de infecção. O desconforto costuma ser mínimo e deve responder a analgésicos leves. Um quadro de dor mais intensa pode indicar infecção ou outras complicações. É frequente apresentar dor na porção inferior do abdome, que é semelhante à dor de quando se é atingido nos órgãos genitais. Um caroço (ou granuloma) pode surgir, pois pode haver vazamento de espermatozoides do coto ducto deferente para dentro da bolsa escrotal. Esse granuloma pode ser ocasionalmente doloroso ao toque.

A síndrome da dor pós-vasectomia é uma síndrome de dor crônica que sucede uma vasectomia. A causa e a frequência dessa síndrome não são claras. Geralmente se trata com anti-inflamatórios. Ocasionalmente, os pacientes optam por reverter a vasectomia tentando aliviar os sintomas. Infelizmente, a resposta à cirurgia é imprevisível. Houve discussões sobre o fato de a vasectomia aumentar o risco de desenvolver algumas doenças. Não há, entretanto, nenhuma evidência conclusiva de que os homens vasectomizados teriam risco aumentado de contrair doenças cardiovasculares, câncer de próstata, câncer de testículo ou qualquer outra doença.

Perguntas frequentes:

A minha parceira tem como saber se eu fiz uma vasectomia?
Não há mudança significativa na ejaculação após a vasectomia, já que os espermatozoides têm contribuição pequena para o volume total da ejaculação. A parceira pode ser capaz de sentir o local onde foi feita a vasectomia, principalmente se você desenvolver um granuloma.

A minha sensação de orgasmo vai se modificar após a vasectomia?
Nem a ejaculação nem o orgasmo costumam ser modificados pela vasectomia. A única exceção são os raros pacientes que desenvolvem a síndrome da dor pós-vasectomia.

Eu posso me tornar impotente após uma vasectomia?
Uma vasectomia não complicada não pode causar impotência.

A vasectomia pode não ser bem sucedida?
Antes de interromper outros métodos contraceptivos, é importante ter certeza de que a vasectomia foi bem sucedida e de que não há espermatozoides no espermograma. Mesmo que o espermograma comprove que a vasectomia foi bem-sucedida, há uma pequena chance de que a vasectomia recanalize. Isso ocorre por espermatozoides que vazam de um coto do ducto deferente e conseguem atingir o outro coto.

Pode acontecer alguma coisa com meus testículos?
Raramente, os testículos podem ser lesionados durante a vasectomia em consequência de uma lesão na artéria testicular. Outras complicações, como um hematoma ou uma infecção, também podem afetar os testículos.

Eu posso ter filhos após fazer uma vasectomia?
Sim, mas se você não congelou espermatozoides, será necessário realizar outro procedimento cirúrgico. Os ductos deferentes podem ser recanalizados com uso de técnicas microcirúrgicas (em um procedimento denominado reversão de vasectomia ou vasovasostomia). Desta forma a concepção pode ocorrer da forma natural. Alternativamente, os espermatozoides podem ser extraídos diretamente do testículo ou do epidídimo e ser utilizados em uma técnica de reprodução assistida. Esses procedimentos são caros e muitas vezes não são cobertos pelos planos de saúde. Além disso, eles não são sempre bem sucedidos. Por isso deve-se sempre considerar os métodos contraceptivos não cirúrgicos antes de optar pela vasectomia.

Postado por: | Publicado em: 05/04/2015

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